Fluminense
Brasileirão Futebol

Fluminense não é confiável mesmo com boa campanha no Brasileirão

O Fluminense venceu o São Paulo no último sábado (16), pelo placar de 2 a 1, e voltou a vencer no Brasileirão depois de três rodadas. Porém, o jogo contra a equipe paulista, apesar de ter contado com uma atuação melhor do time de Luis Zubeldía, repetiu cenários já vistos em outras partidas: o Fluminense começa bem, pressiona, abre o placar e cria chances para ampliar, mas aos poucos reduz a intensidade. Às vezes, nem sofre tanta pressão, mas chama o adversário para o seu campo e, quando leva o gol, parece desmoronar psicologicamente.

Não foi o caso da vitória contra o São Paulo, mas em jogos como o contra o Vitória, duas rodadas antes, o cenário foi exatamente esse. O Fluminense fez 1 a 0, criou oportunidades para ampliar, mas em um lance totalmente isolado sofreu o empate e desmoronou em campo. Na partida contra o rubro-negro baiano, o time de Jair Ventura chegou a virar o confronto e ainda teve chances de matar o jogo. Porém, Kevin Serna marcou no fim e garantiu o empate em 2 a 2.

Mas o que tem acontecido com o Fluminense para a equipe oscilar tanto dentro das partidas? Oscilações que acabam frustrando os torcedores, que por sua vez não conseguem confiar totalmente na equipe de Zubeldía e, em alguns casos, até questionam o trabalho do treinador argentino.

A montanha-russa tricolor nos 90 minutos

Desde o jogo adiado contra o Flamengo, em abril, que inaugurou uma pequena crise e resultou na campanha fraca do Fluminense na Libertadores, o tricolor convive com um sentimento constante de animação, angústia e, muitas vezes, frustração. O próprio duelo contra o Independiente Rivadavia, no Maracanã, logo após o Fla-Flu, mostrou esse cenário.

O Flu abriu o placar com Guilherme Arana, criou e teve chances para ampliar, mas sofreu o empate no fim do primeiro tempo. Já na segunda etapa, uma lambança defensiva resultou no gol de Arce e na virada dos argentinos. O que se viu no restante da partida foi um time nervoso, tentando de todas as formas chegar ao empate, mas que terminou derrotado em casa.

Contra a Chapecoense, pelo Campeonato Brasileiro, o roteiro foi muito parecido, mas com um desfecho diferente. O Fluminense pressionou bastante e transformou o goleiro da Chape no principal nome do jogo no primeiro tempo. O Flu abriu o placar com Savarino, de pênalti, e tinha a partida completamente sob controle. Porém, em uma descida do time catarinense, um chutaço de Ênio de fora da área deixou tudo igual no Maracanã, já aos 32 minutos do segundo tempo. Na base da pressão, o time de Zubeldía chegou ao gol da vitória com John Kennedy, mas até o fim da partida houve sofrimento para o torcedor tricolor.

Na Copa do Brasil, contra o Operário Ferroviário, o cenário também foi semelhante. O Fluminense abriu 2 a 0, John Kennedy perdeu um pênalti que praticamente mataria o confronto e, perto do fim, o time paranaense diminuiu em um jogo até então controlado pelo tricolor. A expulsão de Edwin Torres praticamente encerrou a reação do Fantasma, mas, em igualdade numérica, não se sabe qual poderia ter sido o desfecho da partida.

A verdade é que, desde o dia 1º de abril, na vitória por 3 a 1 contra o Corinthians no Maracanã, o Fluminense não tem uma atuação realmente sólida, em que domine o adversário durante os 90 minutos. Desde então, o time de Zubeldía vive de lapsos do bom futebol praticado no início do Brasileirão. Ainda assim, sofrendo muito ou pouco, tem conseguido resultados importantes e ocupa a terceira colocação da competição, com 30 pontos, quatro atrás do líder Palmeiras.

Porém, essa montanha-russa tricolor durante as partidas faz com que o torcedor não consiga confiar plenamente na equipe, gerando dúvidas sobre qual pode ser o teto do time na competição nacional. O que se vê é claramente um elenco sem confiança, que sente demais quando sofre gols.

O time começa bem, muitas vezes abre o placar e cria oportunidades, mas acaba sofrendo o empate e desaba psicologicamente em campo. Em algumas ocasiões consegue sustentar o resultado, mas em outras sofre o empate e até a virada, como aconteceu contra o Independiente Rivadavia no Maracanã. Ultimamente, o que parece certo é que o torcedor do Fluminense sofrerá até o apito final.

Fluminense terá que ser mais sólido para avançar na Libertadores

O Fluminense terá uma missão de enorme importância visando o restante da temporada de 2026: vencer e construir saldo de gols nos últimos dois jogos da Libertadores, ambos no Maracanã, contra Bolívar e La Guaira. Contra o Bolívar, na próxima terça-feira (19), o Flu precisa vencer com margem confortável para chegar à última rodada dependendo apenas de si para avançar.

Contudo, o Fluminense precisa apresentar atuações mais sólidas. A equipe precisa aproveitar melhor as chances criadas e, principalmente, parar de sofrer gols. Desde o Campeonato Carioca, o time de Zubeldía sofre constantemente com bolas aéreas, um problema que se tornou crônico ao longo da temporada de 2026.

A temporada tricolor, no geral, é positiva. Tirando a campanha irregular na Libertadores, que ainda pode ser revertida, o Fluminense chegou à final do Campeonato Carioca, perdendo apenas nos pênaltis para o Flamengo, além de ocupar a terceira posição do Brasileirão.

Porém, problemas como os constantes gols sofridos em bolas aéreas e a dificuldade em transformar o volume ofensivo em gols precisam ser solucionados. Só assim o Fluminense conseguirá ter atuações mais consistentes e recuperar de vez a confiança do torcedor tricolor.

(Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense)