Na abertura da fase de grupos da Libertadores, o empate sem gols entre Deportivo La Guaira e Fluminense, em Caracas, foi um retrato clássico de domínio territorial sem eficiência por parte do Tricolor das Laranjeiras. O time de Luis Zubeldía construiu diversas chances para vencer um jogo em que o controle não se converteu em vantagem no placar devido principalmente à atuação excelente do goleiro Valera, cujo fez pelo menos sete defesas durante a partida.
Fluminense dominou La Guaira, mas faltou o gol
O time brasileiro partiu de uma estrutura base em 4-2-3-1, assumindo o protagonismo desde os primeiros minutos. A equipe de Zubeldía buscou superioridade através de saídas de jogo muito objetivas, tendo laterais com função agressiva buscando cruzamentos e profundidade em vários momentos. A primeira chance logo aos 6′ mostrou que o Tricolor estava disposto à contar com um resultado favorável, quando John Kennedy passou uma bola certeira para Lucho Acosta, mas o chute fraco acabou anulando o possível impacto da jogada.
Houve reclamação contra a arbitragem em falta dura de Luis Martinez contra Canobbio, mas o Fluminense precisa entender que a Libertadores está mais próxima do estilo de arbitragem visto em campeonatos europeus de elite e longe do Brasileirão, onde todos os esbarrões entre os atletas são passíveis de falta. Assim também foi no início do segundo tempo, quando Rivero desviou a bola com o cotovelo após cruzamento rasteiro de Acosta.
Kennedy estava bem inspirado e chegou próximo novamente do gol quando recebeu na pequena área aos 9′ da etapa complementar, mas novamente pecou na finalização ao chutar por cima. O Fluminense acumulou mais de 20 finalizações ao todo e foi bastante agressivo em estreia fora de casa, mas é preciso ressaltar também que muitos lances construídos terminaram em cruzamentos bem previsíveis e em chutes de média distância.
O La Guaira não conseguiu espaços para aplicar contragolpes e o Fluminense jogou em campo ofensivo durante todo o momento, mas o fato dos zagueiros venezuelanos terem ficado pouco expostos a duelos em profundidade neutralizou muito a qualidade das tentativas de chutes dos jogadores tricolores por dentro.
Os principais destaques positivos e negativos do Fluminense
Depois de muitas críticas, Freytes enfim merece elogios por ter acertado passes muito bem encaixados para iniciar transições ofensivas, além de ter feito corte fundamental em um dos lances finais da partidas. O goleiro Fábio fez história ao ter se tornado o jogador mais velho em campo na história da Libertadores e praticamente assistiu à partida sem intervenções grandes. Outro destaque positivo consistiu em Hércules, que serviu de apoio para Lucho na construção ofensiva e ficou responsável por bons cortes e desarmes.
Por outro lado, Savarino está começando a perder cada vez mais créditos com a torcida do Fluminense, mostrando uma continuação de sua fase negativa pelo Botafogo com baixa participação nas ações ofensivas. Por fim, Jemmes também mostra que precisa de maior tempo para se adaptar depois de um bom ano do Mirassol, demostrando claro nervosismo em lances básicos, ficando próximo de comprometer o Fluminense em um recuo perigoso para Fábio.
Apesar disso, em geral, o Fluminense merecia um resultado melhor em sua estreia, mas tendo em mente que o Independiente Rivadavia (time argentino que investiu muito em reforços) já abriu dois pontos de vantagem na primeira colocação, isso poderá custar caro depois.
Imagem: AFP