O Fluminense está muito próximo de acertar, enfim, a contratação do meia-atacante venezuelano Jefferson Savarino, que estava no Botafogo. O agora ex-camisa 10 alvinegro pediu para ser liberado do jogo desta quarta-feira, contra o Volta Redonda, manifestando o desejo de atuar pelo Tricolor das Laranjeiras.
Savarino e Fluminense tiveram uma negociação longa, que se estendeu por quase todo o mês de janeiro. O venezuelano havia, a princípio, rejeitado a proposta tricolor, mas, segundo jornalistas que cobrem Fluminense e Botafogo, o jogador voltou atrás e aceitou a oferta apresentada pelo clube das Laranjeiras.
A contratação de Jefferson Savarino deve girar em torno de 40 milhões de reais, e o Botafogo ainda receberá, como parte da negociação, o jovem volante Wallace Davi, de apenas 18 anos. Pensando no encaixe do venezuelano no time de Luis Zubeldía, vale uma breve análise de como Savarino pode atuar com a camisa tricolor.
Nas pontas ou no meio-campo?
A princípio, tudo indica que Zubeldía deve utilizar Savarino como um construtor pelo lado esquerdo. Com Luciano Acosta e Paulo Henrique Ganso como os dois principais armadores do elenco, Savarino tende a atuar aberto pela esquerda, mas com liberdade para flutuar por dentro, sem necessariamente atacar a linha de fundo.
Essa característica é bastante diferente da de Kevin Serna, que é um ponta mais tradicional, agressivo no um contra um e que busca a linha de fundo para cruzamentos. Dessa forma, o Fluminense pode perder intensidade pelos lados e também em recomposição defensiva — algo que Serna faz muito bem. Em contrapartida, ganharia um jogador com maior capacidade de construção, atuando pelos lados e dialogando com Acosta ou Ganso.
No entanto, em 2025, Savarino atuou com mais frequência como meia armador, exatamente no setor em que joga Lucho Acosta. Pela seleção venezuelana, o camisa 10 também exerce essa função, e, quando foi deslocado para atuar pelas pontas no Botafogo, seu rendimento não foi o mesmo.
Talvez seja o caso de Zubeldía escalar dois meias armadores em um 4-4-2, com Martinelli e Hércules como volantes, e Savarino ao lado de Acosta ou Ganso. Essa formação, porém, pode deixar o time mais lento e com menor poder de marcação, já que seriam dois jogadores com características essencialmente ofensivas.
Pensando no estilo de jogo de Zubeldía, mais baseado em transições rápidas, Savarino pode ser uma peça bastante interessante. No Botafogo, o venezuelano mostrou grande capacidade de conduzir a bola em velocidade, aproveitando espaços em jogadas de contra-ataque.
Além disso, Savarino tem ótimo domínio orientado, quase sempre já preparando a finalização. Prova disso são os vários gols marcados de fora da área com a camisa alvinegra. Quando pisa na grande área, o meia-atacante demonstra frieza diante do goleiro, convertendo boas chances em gols.
Em resumo, Savarino foi uma peça importante do setor ofensivo do Botafogo, atuando como principal articulador da equipe. Um meia-atacante que pisa na área, finaliza de média distância e distribui assistências.
O problema de ter Savarino pelo lado esquerdo
Pensando em sua chegada ao Fluminense, Zubeldía pode enfrentar dificuldades caso opte por utilizá-lo como armador pelos lados. Pelo setor esquerdo, o Tricolor já deve contar com Guilherme Arana como lateral titular, um jogador com perfil muito mais ofensivo do que defensivo. Ter Savarino como ponta esquerdo pode comprometer bastante a marcação desse lado do campo.
Savarino não tem como característica a recomposição defensiva constante, preferindo atuar mais por dentro. Colocá-lo aberto pode fazer com que o Fluminense ganhe em construção, mas perca intensidade e consistência defensiva, o que pode ser um risco considerável, sobretudo contra equipes que exploram pontas habilidosos pelo lado direito.
Em suma, Savarino é um bom reforço para o Fluminense, caso a negociação seja de fato confirmada — e tudo indica que será. Apesar de não ter feito um grande 2025, o venezuelano ainda tem boa idade, aos 29 anos, e pode contribuir bastante com a equipe.
Trata-se de um meia dinâmico, que pisa na área para finalizar e pode se tornar uma das principais peças ofensivas do time de Zubeldía. Caberá ao técnico argentino encontrar o melhor espaço para que o jogador se sinta confortável e renda o máximo possível.
O Fluminense volta a campo nesta quinta-feira (22), contra o Nova Iguaçu, pela terceira rodada do Campeonato Carioca.
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP