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Fluminense tem a bola, Palmeiras tem o jogo: eficiência decide semifinal no Maracanã

O Fluminense saiu do Maracanã derrotado por 2 a 1 pelo Palmeiras, na quarta-feira, pela ida da semifinal da Libertadores, com uma contradição que ajuda a explicar o resultado: teve a bola durante a maior parte do confronto, pressionou a saída adversária e passou longos períodos instalado no campo ofensivo, mas não conseguiu transformar esse domínio em produção ofensiva consistente. Do outro lado, o Palmeiras encontrou dificuldades para construir desde a defesa, porém foi mais incisivo quando conseguiu superar a pressão e explorar os espaços deixados pelo Tricolor.

A diferença esteve menos no volume de jogo do que na qualidade das ações. O Fluminense terminou com 71% de posse de bola, contra 29% do adversário, mas acertou apenas dois chutes na direção do gol. O Palmeiras, com cinco finalizações no alvo, foi mais perigoso e construiu uma vantagem de dois gols antes de Wesley Natã aproveitar uma saída equivocada de Carlos Miguel e diminuir nos acréscimos.

O placar de 2 a 1 deixa a disputa aberta para o jogo de volta, no Nubank Parque, em 21 de outubro. Ainda assim, o gol no fim não deve esconder os problemas apresentados pelo time de Marcão, especialmente a dificuldade para transformar circulação de bola em oportunidades e a exposição defensiva quando a equipe se lança ao ataque.

Fluminense controla a bola, mas não encontra profundidade

Desde os primeiros minutos, o Fluminense demonstrou disposição para assumir o controle das ações. A equipe trocou passes com paciência, movimentou os jogadores de meio-campo e encontrou em Paulo Henrique Ganso uma referência para conectar a construção às jogadas de ataque. Logo aos dois minutos, o camisa 10 encontrou Hulk com um passe de trivela, e o atacante ajeitou para Canobbio finalizar por cima.

A sequência inicial indicava um caminho promissor: ocupar o campo ofensivo, movimentar a defesa palmeirense e procurar combinações por dentro. Aos 18 minutos, Martinelli encontrou Hulk para uma finalização de fora da área. Pouco depois, Nonato também arriscou de média distância. O problema foi a dificuldade para transformar essas chegadas em situações de maior perigo.

O Palmeiras, comandado por Vítor Castanheira, não conseguiu sair com regularidade da pressão tricolor. A equipe recorreu a bolas longas na direção de Jhon Arias e Flaco López, mas teve dificuldade para sustentar a posse e avançar coletivamente. Durante boa parte do primeiro tempo, o Fluminense conseguiu recuperar a bola ainda no campo adversário e recomeçar o ataque.

A superioridade territorial, entretanto, não significou controle completo do jogo. O Tricolor circulava a bola, mas nem sempre acelerava no momento necessário para desorganizar a última linha rival. A equipe chegava à entrada da área, porém tinha dificuldade para encontrar espaços limpos para finalizar. Aos 40 minutos, Ganso encontrou Hulk dentro da área, e o atacante obrigou Carlos Miguel a fazer uma boa defesa. Foi uma das oportunidades mais claras do time da casa antes do intervalo.

O Palmeiras suportou a pressão sem precisar disputar a posse em igualdade e esperou a oportunidade de atacar os espaços. A estratégia não produziu muitas chegadas durante a primeira etapa, mas se mostrou decisiva quando o Fluminense perdeu o equilíbrio defensivo.

Palmeiras encontra o espaço que procurava

O gol de Flaco López, aos 44 minutos do primeiro tempo, foi uma demonstração da diferença entre as duas equipes na execução das jogadas. Andreas Pereira recebeu pelo lado esquerdo e rapidamente acionou Piquerez, que avançou às costas de Guga. O lateral ganhou na velocidade e cruzou rasteiro para Flaco finalizar. Fábio ainda tocou na bola, mas não conseguiu impedir que ela entrasse.

O lance expôs um risco presente na postura do Fluminense: ao adiantar muitos jogadores para pressionar e atacar, a equipe precisava ser precisa na reação à perda da bola e na proteção dos corredores laterais. Quando Thiago Silva saiu para acompanhar Andreas, abriu-se espaço para a progressão de Piquerez. A velocidade da combinação impediu que a defesa tricolor se reorganizasse a tempo.

O gol também alterou o comportamento emocional do confronto. Nos minutos finais do primeiro tempo, Flaco voltou a levar perigo ao superar Millán e, depois, finalizou para fora em outra transição. O Palmeiras, que até então havia encontrado dificuldades para sair de seu campo, passou a enxergar possibilidades concretas de atacar a defesa tricolor.

Esse foi um dos pontos centrais da partida: a posse do Fluminense obrigava o adversário a defender por longos períodos, mas também exigia uma estrutura segura para evitar que cada recuperação palmeirense se transformasse em uma ameaça. O time de Marcão não conseguiu equilibrar essas duas necessidades.

Pressão tricolor esbarra no bloqueio e nas transições

Na volta do intervalo, o Fluminense manteve a iniciativa e tentou aumentar a mobilidade do meio-campo com a entrada de Hércules no lugar de Martinelli. A equipe seguiu pressionando a saída de bola e recuperou a posse em zonas avançadas, mas continuou encontrando dificuldades para transformar essas recuperações em finalizações perigosas.

Aos 12 minutos, o Tricolor teve uma oportunidade importante em cobrança de escanteio. Savarino colocou a bola na área, Canobbio desviou de cabeça e Carlos Miguel reagiu para evitar o empate. Foi um dos momentos em que a pressão tricolor conseguiu produzir uma ameaça concreta, embora a equipe não tenha sustentado uma sequência de chances desse nível.

Marcão tentou mudar o cenário com as entradas de Serna, Lucho Acosta, Rodrigo Castillo e Wesley Natã. As alterações buscavam renovar a capacidade de movimentação e dar novas alternativas ao ataque, mas o Palmeiras continuou defendendo próximo de sua área e dificultando as infiltrações. Quanto mais o Fluminense avançava suas peças, maior era a importância de evitar erros na circulação e proteger a defesa.

O time paulista passou a encontrar espaços para contra-atacar. Aos 35 minutos, Felipe Anderson recebeu em velocidade, driblou Thiago Silva e ficou diante de Fábio, que fez uma defesa decisiva. Quatro minutos depois, Sosa finalizou e exigiu outra grande intervenção do goleiro. No rebote, Felipe Anderson ajeitou de cabeça para Marlon Freitas completar com força e ampliar a vantagem.

A sequência resumiu a eficiência palmeirense: mesmo sem controlar a posse, a equipe conseguiu chegar em condições favoráveis quando encontrou espaço para acelerar. O Fluminense, por sua vez, teve mais dificuldade para produzir ataques de qualidade contra uma defesa posicionada e acabou oferecendo oportunidades ao adversário justamente quando precisava aumentar a pressão.

Gol no fim mantém a disputa aberta

O Fluminense ainda encontrou forças para diminuir nos acréscimos. Guga cruzou para a área, Carlos Miguel saiu mal e Wesley Natã aproveitou a falha para cabecear para as redes. O gol não apaga as dificuldades da equipe, mas muda o tamanho do desafio para a partida de volta: em vez de precisar reverter uma desvantagem de dois gols, o Tricolor viajará para São Paulo precisando vencer por um gol para levar a decisão adiante.

O resultado deixa uma lição importante para o confronto decisivo. Ter a bola pode ser uma ferramenta para controlar o adversário, mas precisa vir acompanhada de profundidade, movimentação e precisão na definição das jogadas. O Fluminense conseguiu limitar a construção palmeirense durante vários períodos, porém não encontrou soluções ofensivas suficientes e foi vulnerável quando perdeu a organização.

O Palmeiras, por outro lado, mostrou que não precisava disputar a posse para ser competitivo. Defendeu com paciência, aproveitou os erros e foi mais efetivo nas oportunidades que criou. A vantagem poderia ter sido maior, não fosse a atuação de Fábio e o gol de Wesley Natã nos minutos finais.

A semifinal, portanto, permanece aberta, mas exige ajustes claros do Fluminense. No Nubank Parque, a equipe precisará manter a capacidade de pressionar sem oferecer tantos espaços nas costas e, principalmente, fazer com que a posse de bola produza mais do que controle territorial. O gol no fim preservou a esperança tricolor; a atuação, porém, mostrou que a reação precisará vir acompanhada de mais equilíbrio e eficiência.

FOTO: MARINA GARCIA/ FLUMINENSE F.C./ DIVULGAÇÃO