O Fluminense vem fazendo uma temporada de 2025 razoável para boa. Após confirmar a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, na última quarta-feira (6), o Tricolor das Laranjeiras se manteve vivo em todas as competições que disputa no ano — e isso já no oitavo mês.
Apesar de não ter grandes atuações em 2025, o técnico Renato Gaúcho encontrou a formação que, até o presente momento, tem entregado a melhor versão da equipe na temporada: a escalação com três volantes. Enquanto muitos esperavam um Fluminense mais ofensivo com Renato no comando, especialmente após Mano Menezes — treinador de perfil mais reativo —, foi com o trio de meio-campistas Martinelli, Hércules e Nonato que o Flu teve suas melhores atuações no ano.
Combatividade, dinamismo e equilíbrio: o Fluminense dos três volantes
Se muitos, ou pelo menos alguns, esperavam um Fluminense de posse de bola, toques curtos e aproximação, com a saída de Mano Menezes e a chegada de Renato Gaúcho ao comando técnico, foi com um time mais combativo, forte fisicamente e equilibrado que o Flu se encontrou na temporada.
Seja no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil, na Sul-Americana ou até na Copa do Mundo de Clubes, o melhor Fluminense de 2025 foi o que entrou em campo com três cabeças de área: Martinelli, Hércules e Nonato, abrindo mão de um meia mais ofensivo, como Paulo Henrique Ganso ou Lezcano.
Vale destacar que, quando o Flu ainda contava com Jhon Arias, o colombiano exercia a função de articulador — mesmo atuando pelo lado direito. Por isso, o Tricolor agora busca na contratação do também colombiano Santiago Moreno um substituto capaz de desempenhar esse papel criativo.
Entretanto, nos melhores jogos do Fluminense em 2025, o grande destaque tem sido o trio de volantes. Martinelli, o jogador formado em Xerém com mais partidas pelo clube no elenco atual, vive um ótimo momento. Atua como organizador do meio de campo, mas também é um marcador incansável, que traz muito dinamismo à equipe. O camisa 8 foi um dos melhores meias da Copa do Mundo de Clubes e fez muita falta na semifinal contra o Chelsea, quando o Flu foi derrotado.
Já Hércules chegou ao clube em 2025 com expectativas elevadas, após ser comprado junto ao Fortaleza por R$ 29 milhões. O volante demorou a se adaptar, mas quando encontrou ritmo, se tornou um dos destaques do time. Atua de maneira diferente em relação ao que fazia no Leão do Pici, sendo mais participativo no ataque.
Hércules já marcou gols importantes — inclusive contra a Inter de Milão e contra o Al Hilal no Mundial, disputado nos Estados Unidos —, mas seu principal mérito tem sido o alto número de desarmes. É um verdadeiro “ladrão de bolas” e um dos líderes de interceptações do elenco. Costuma chegar inteiro nas jogadas e dificulta bastante a vida dos adversários que tentam passar por ele.
No duelo contra o Internacional, por exemplo, Hércules foi um verdadeiro “carrapato” em Alan Patrick, não dando espaço para o camisa 10 colorado, que teve extrema dificuldade para criar jogadas.
Por sua vez, Nonato é o mais próximo dos atacantes entre os três. Em sua segunda passagem pelo Fluminense — a primeira também foi boa —, o meia tem se mostrado combativo na marcação, mas também é um jogador que se apresenta bem no ataque, sempre oferecendo opção de passe e progredindo com a bola.
Além do trio titular, há ainda um nome importante vindo do banco de reservas: Facundo Bernal. O volante uruguaio vem melhorando jogo após jogo, mantendo o nível do meio-campo e contribuindo tanto na marcação quanto em ações ofensivas, com presença próxima à área adversária.
Com elenco limitado, Renato encontra equilíbrio para competir em alto nível
Como já admitido pelo próprio treinador, o Fluminense com três volantes é a melhor versão da equipe na temporada. Em um elenco com limitações e desequilíbrios, principalmente da meia para frente, foi com o trio de cabeças de área que Renato Gaúcho encontrou uma estrutura confiável para competir em alto nível.
Se o Flu não se destaca por ter grandes nomes no setor ofensivo — já que suas estrelas são o zagueiro Thiago Silva e o goleiro Fábio —, é com um time fisicamente forte, intenso e muito aplicado taticamente que a equipe tem conseguido competir, especialmente nos torneios de mata-mata.
O Fluminense que encantava com futebol vistoso pode já não existir da mesma forma, mas o atual modelo de jogo, baseado em marcação firme e imposição física, tem sido o caminho para seguir vivo nas principais competições da temporada.
A campanha histórica na Copa do Mundo de Clubes é exemplo disso: um time limitado em peças, mas extremamente disciplinado, que enfrentou gigantes e chegou longe graças ao esforço coletivo e ao equilíbrio no meio de campo.
Com um elenco curto, o time encontrou no tripé Martinelli–Hércules–Nonato a base de sustentação para resistir e competir. E, por enquanto, tem funcionado — entregando resultados sólidos e mantendo o Fluminense no radar dos títulos em 2025.
(Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)
