Futebol Brasileirão

Fluminense não joga bem, mas vence Juventude com golaço salvador de Thiago Silva

O Fluminense sofreu mais do que esperava, mas manteve a escrita positiva dentro de casa. Na noite desta quinta-feira, no Maracanã, o Tricolor das Laranjeiras venceu o Juventude por 1 a 0, em jogo válido pelo Brasileirão, com um gol salvador de Thiago Silva nos acréscimos. O veterano zagueiro, ídolo da torcida e símbolo de liderança, apareceu como herói no último lance da partida, garantindo um triunfo que valeu tanto pelo placar quanto pelo alívio emocional.

O jogo

A partida começou com o Fluminense assumindo o controle da posse de bola, como é característico da equipe de Luís Zubeldía. No entanto, a intensidade que costuma marcar o estilo tricolor ficou abaixo do esperado. Sem Lucho Acosta, poupado por questões físicas, o time perdeu sua principal referência criativa e teve de improvisar soluções. Lima tentou assumir o papel de articulador, mas foi bem marcado, e o meio-campo acabou girando a bola de forma estéril, sem penetração.

As jogadas ofensivas se concentraram principalmente pelo lado direito, onde Canobbio buscou o fundo com insistência, mas encontrou pela frente um sistema defensivo do Juventude muito bem armado. O time gaúcho mostrou aplicação tática e disciplina, bloqueando as linhas de passe e diminuindo os espaços entre os setores.

O Juventude, aliás, foi quem criou a melhor chance dos primeiros 45 minutos. Aos 33, Igor Formiga fez ótima jogada pela direita e cruzou com precisão para Mandaca. O meia pegou de primeira, em um belo sem pulo, obrigando Fábio a fazer uma defesa em dois tempos. Foi o único momento em que a torcida tricolor prendeu a respiração no primeiro tempo — e não foi a favor.

Do lado tricolor, o ataque praticamente não incomodou Jandrei. Mesmo com volume de posse, faltou velocidade, movimentação e, principalmente, alguém capaz de romper a linha defensiva adversária. O placar zerado ao intervalo refletiu bem o que se viu: um Fluminense dominante territorialmente, mas pouco efetivo, e um Juventude que soube se defender e ainda ameaçou quando teve a chance.

Zubeldía tentou mudar o panorama na volta do intervalo. Colocou John Kennedy e Gabriel Fuentes em campo para dar mais profundidade e mobilidade ao ataque. A intenção era boa, mas o efeito foi limitado. O time continuou previsível, insistindo em cruzamentos e toques laterais que pouco ameaçavam. O Juventude manteve o plano: linhas compactas, marcação paciente e contragolpes rápidos quando o Flu se desorganizava.

O nervosismo começou a tomar conta das arquibancadas e também dos jogadores. Cada passe errado era acompanhado de murmúrios, cada ataque frustrado aumentava a ansiedade. O Juventude percebeu o momento e se arriscou um pouco mais. Aos 36 minutos, quase calou o Maracanã. Giovanny recebeu na entrada da área e soltou uma bomba de perna direita. A bola explodiu na trave, com Fábio já batido, e voltou para o campo, no que poderia ter sido o golpe fatal para o time carioca.

O lance serviu de alerta, e o Fluminense finalmente partiu para o tudo ou nada. Nos minutos finais, o Fluminense empurrou o Juventude para dentro da área, levantando bola atrás de bola, buscando o gol no desespero. Foram tentativas de cabeça, chutes bloqueados e cruzamentos apressados. Tudo indicava um frustrante 0 a 0 — até que o roteiro mudou nos acréscimos.

Aos 49, Riquelme recebeu pela direita, avançou até a linha de fundo e cruzou. A bola veio alta, e Thiago Silva, que havia subido ao ataque nos minutos finais, se antecipou à marcação. O zagueiro emendou um voleio acrobático — meio de lado, meio de primeira — e, mesmo pegando mascado, colocou no cantinho, fora do alcance de Jandrei. Golaço. O Maracanã explodiu. Companheiros correram em direção ao camisa 3, que foi cercado e abraçado por todos. Um gol que teve mais do que valor técnico: foi simbólico, vindo de um jogador que representa o espírito e a história do Fluminense.

O apito final veio logo depois. Alívio, festa e um suspiro de esperança para a torcida que já começava a perder a paciência.

Fluminense conquista vitória importante, mas desempenho preocupa

O resultado foi excelente, mas o desempenho voltou a deixar dúvidas. O Fluminense teve dificuldades parecidas com as de outras rodadas: pouca criatividade no meio-campo, lentidão na transição ofensiva e dependência de cruzamentos. Sem Lucho Acosta, o time perde seu ponto de desequilíbrio e se torna previsível. Zubeldía ainda não encontrou uma alternativa sólida para quando o argentino não está em campo.

Outro ponto preocupante é a falta de repertório. O Flumienense controla o jogo, mas tem dificuldade em transformar posse em perigo. A equipe roda bem a bola até a entrada da área, mas falta profundidade, infiltração e movimentação sem bola. O gol de Thiago Silva foi mais fruto da insistência e do acaso do que de uma jogada trabalhada — o que, em um campeonato longo e equilibrado como o Brasileiro, pode cobrar caro.

Por outro lado, há aspectos positivos. A defesa, com Thiago Silva e Freytes, mostrou segurança, e Fábio voltou a ser decisivo. O time também mostrou resiliência: não se desorganizou, mesmo com a pressão do tempo e a ansiedade da torcida. E ter um jogador experiente como Thiago Silva decidindo jogos é um trunfo que poucos clubes têm.

O Juventude, por sua vez, fez um jogo inteligente. Bem posicionado, marcou com intensidade e quase saiu com um ponto importante. A equipe mostrou evolução e competitividade, algo essencial para quem luta na parte de baixo da tabela.

Para o Fluminense, o mais importante foram os três pontos, que mantêm o time respirando na classificação e aliviam a pressão sobre o elenco e o técnico. Mas o sinal de alerta segue aceso: se quiser brigar por algo maior, o Fluminense precisa transformar posse em objetividade e volume em gols.

No fim, o Maracanã viu um jogo tenso, truncado e decidido pela genialidade de um veterano. Thiago Silva, com seu voleio improvável, lembrou a todos que talento e liderança ainda fazem diferença — e que, às vezes, é preciso sofrer até o último segundo para vencer.

(Foto: Lucas Merçon/Fluminense)