A temporada 2026 da Fórmula 1 será decisiva em diversos aspectos. Para as equipes, é o momento de colocar em prática anos de preparação para o novo regulamento técnico. Para alguns pilotos, contudo, a pressão é ainda maior, para assegurar a permanência na categoria ou reafirmar o próprio lugar na elite do automobilismo.
Seja por campanhas recentes aquém do esperado, seja por mudanças que elevaram o patamar de exigência, pelo menos cinco nomes entram na nova era com mais urgência por resultados que os demais
Lewis Hamilton

É estranho iniciar a lista com o piloto que divide o recorde de títulos da Fórmula 1 com Michael Schumacher, mas 2026 será crucial para Lewis Hamilton. O êxtase de sua ida à Ferrari formou uma das parcerias mais aguardadas e badaladas do esporte a motor. Ainda assim, 2025 ficou aquém das expectativas.
A última temporada foi o ponto mais baixo, mas os anos de Mercedes na era do efeito solo já haviam afastado o britânico do nível que marcou seu auge. De 2022 a 2025, foram apenas duas vitórias, ambas conquistadas em 2024.
A mudança de ares representou um recomeço após um fim de ciclo desgastado nas Flechas de Prata. Porém, com um SF-25 sem “seu DNA”, Hamilton viveu o que pode ser considerado seu pior ano na categoria. Apesar do triunfo na sprint do GP da China, terminou a temporada sem pódios pela primeira vez em 19 anos na Fórmula 1.
O novo regulamento oferece a chance de resgatar dias melhores. Desta vez, ele guiará um carro em cujo desenvolvimento teve maior participação sua, em um cenário aerodinâmico que tende a favorecer seu estilo de pilotagem.
2026 será o momento de provar que seu auge não ficou para trás. Caso contrário, já circulam rumores de que a equipe pode promover Oliver Bearman no futuro próximo.
Liam Lawson

Se uma eventual aposentadoria de Hamilton ao fim de 2026 não abalaria seu legado, o mesmo não vale para Liam Lawson. O neozelandês ganhou uma segunda chance na Racing Bulls após apenas duas corridas frustradas pela Red Bull e inicia a temporada sob pressão para permanecer na Fórmula 1.
Sua estreia como titular veio apenas em 2025, depois de 11 GPs disputados entre 2023 e 2024 como substituto. A promoção coincidiu com a saída de Sergio Pérez e a aposta da equipe austríaca em Lawson como companheiro de Max Verstappen. O fraco desempenho inicial, porém, forçou um retorno ao time satélite.
O problema é que, uma vez rebaixado à Racing Bulls — como já ocorreu a outros em tempos de AlphaTauri e Toro Rosso — raramente surge uma nova oportunidade na equipe principal. Restaria buscar espaço em outro lugar, mas hoje seu nome não desperta grande interesse no paddock.
Se Isack Hadjar não corresponder no RB22, parece mais provável que o novato Arvid Lindblad receba a chance. O britânico é aposta antiga da Red Bull e chega à Fórmula 1 após trajetória de destaque nas categorias de base.
Enquanto nenhum prodígio do programa desponta de forma incontestável, Lawson segue na Racing Bulls, mais por conveniência do que por convicção de futuro. A situação lembra a de Jean-Éric Vergne na STR em 2014, após ter sido preterido por Daniel Ricciardo na disputa por uma vaga na equipe principal. Mesmo após vencer Daniil Kvyat internamente em 2014, acabou dispensado para dar lugar às estreias de Carlos Sainz Jr. e Verstappen.
Isack Hadjar

A saída de Pérez expôs uma questão que a Red Bull parecia ter resolvido: o desempenho do segundo carro. Desde a ida de Ricciardo para a Renault, em 2019, a equipe testou diferentes pilotos de seu programa ao lado de Verstappen, mas apenas o mexicano conseguiu entregar consistência. Pierre Gasly, Alexander Albon, Lawson e Yuki Tsunoda integram essa lista. Agora, é a vez de Isack Hadjar enfrentar o desafio.
Seu primeiro ano na Fórmula 1 terminou em alta. Após uma batida na volta de formação da corrida de estreia, que o viu desaguar em lágrimas, o franco-argelino reagiu com desempenhos impressionantes. O pódio no GP dos Países Baixos consolidou sua posição como substituto natural de Tsunoda na Red Bull após as exibições pobres do japonês.
Hadjar chega ao time principal otimista e fala abertamente sobre a possibilidade de conquistar sua primeira vitória na categoria. Embora o do “fantasma” do segundo carro seja um fator de cautela, a equipe sustenta que o RB22 foi concebido para atender às características de ambos os pilotos.
Joga a seu favor o fato de que, ao que indicam os dados da pré-temporada, haverá uma distância significativa das quatro principais forças — Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull, não necessariamente nesta ordem — em relação ao meio e fim do pelotão. Assim, mesmo que seu começo tenha oscilações, não custará tanto em termos de pontuação e resultados.
Além de provar que merece permanecer na equipe e que tem nível de ponta, Hadjar disputa, na prática, a permanência na Fórmula 1. Seu contrato, assim como os de Lawson e Lindblad, vai apenas até o fim da temporada. Caso Nikola Tsolov, representante da Red Bull Junior Team na Fórmula 2, apresente resultados expressivos, a pressão se intensificará.
Oscar Piastri

No caso de Oscar Piastri, a discussão não envolve permanência, mas afirmação definitiva na categoria. Depois de deixar escapar um campeonato que parecia encaminhado após Zandvoort, 2025 expôs fragilidades que precisam ser endereçadas.
O fator mental foi determinante em momentos-chave e, em 2026, o desafio pode ser também técnico. No novo regulamento, os carros terão menos downforce e comportamento mais solto, característica que, em teoria, não favorece Piastri, reconhecido pelo desempenho em condições de alta aderência.
O australiano terá de se adaptar rapidamente, sobretudo porque seu companheiro, Lando Norris, parece ser um dos poucos fãs dos novos carros da Fórmula 1. Um começo ruim de temporada pode significar a perda da condição de igualdade proposta pela McLaren, e ninguém quer ser escudeiro do primeiro piloto.
Cabe a ele demonstrar por que é tratado como um futuro campeão pelo paddock e superar as dificuldades iniciais que a temporada 2026 pode oferecer, seja no aspecto mental ou técnico.
Franco Colapinto

Trabalhar sob a chefia de Flavio Briatore raramente significa tranquilidade, sobretudo após uma temporada sem pontuar. É nesse contexto que Franco Colapinto inicia 2026, pressionado por resultados mais consistentes.
A estreia do argentino na Fórmula 1, em 2024, foi uma grata surpresa ao substituir Logan Sargeant e elevar o rendimento do segundo carro da Williams. Ao mesmo tempo, acumulou incidentes: nove batidas em nove etapas disputadas, considerando treinos, classificações e corridas.
Em 2025, conseguiu reduzir os erros e completou todos os GPs que disputou, mas a falta de velocidade em diferentes momentos do campeonato limitou seu impacto. Apenas na fase final passou a andar mais próximo de Pierre Gasly, enquanto a baixa competitividade do A525 o manteve longe do top-10.
Para 2026, a Alpine é apontada como força relevante no meio do pelotão. Se o salto técnico se confirmar, as justificativas diminuem e Colapinto terá obrigação de converter em pontos a velocidade e o arrojo que demonstrou nos últimos dois anos.
A contratação de Alexander Dunne como piloto reserva reforça o grau de cobrança interna. O movimento sinaliza que a vaga do argentino pode estar sob avaliação constante, seja para 2027 ou até mesmo no decorrer da própria temporada, caso não consiga se manter próximo ao ritmo de Gasly.
