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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: Pirelli confirma mudança técnica antes do GP da Austrália

Diante do primeiro grande teste do novo regulamento da Fórmula 1, a Pirelli, fornecedora de pneus da categoria, anunciou uma mudança em seu corpo técnico. O diretor de automobilismo da companhia, Mario Isola, deixará o cargo, que será ocupado por Dario Marrafuschi.

Isola está na Pirelli desde 1997 e passou por diferentes funções no setor esportivo da empresa até chegar ao posto atual, no qual era responsável pelo fornecimento para a Fórmula 1 e também para suas categorias de base. Ele teve papel central no acordo exclusivo da marca italiana com a categoria, que completa 15 anos em 2026.

Marrafuschi também construiu longa trajetória na companhia, iniciada em 2008. Atuou na área de pesquisa e desenvolvimento da F1 e, nos últimos anos, trabalhou no aprimoramento de produtos de rua.

A transição não será imediata. Isola seguirá nos planos da Pirelli até 1º de julho para conduzir os processos que a passagem de bastão envolve. Marrafuschi assume o cargo oficialmente em 1º de março, na semana do GP da Austrália que abre a temporada 2026.

Entenda o que a mudança representa para a categoria

A troca ocorre em um momento decisivo. O novo regulamento traz carros com menor carga aerodinâmica e um motor que depende das frenagens para recuperar energia, responsável por 50% da potência total. A expectativa é de maior exigência dos pneus da Pirelli nos trechos de desaceleração.

O impacto não se restringe à Fórmula 1. A empresa também abastece Fórmula 2, Fórmula 3 e F1 Academy, que integram o sistema “Road to F1”.

Ao promover alguém com 18 anos de casa, a fabricante sinaliza continuidade. Isola enfrentou desafios significativos na última década, com destaque para o desenvolvimento de compostos capazes de suportar as demandas técnicas da categoria e equilibrar desgaste e durabilidade para proporcionar boas corridas em termos estratégicos.

Agora, o mercado observa como Marrafuschi lidará com esse cenário e que caminhos adotará para manter o legado construído até aqui.

As consequências da decisão devem repercutir no paddock, levantando discussões sobre os próximos passos da empresa em um calendário já pressionado por mudanças técnicas. O momento da transição coincide com um dos períodos mais sensíveis do esporte.

O futuro de Isola fora da Pirelli

Mario Isola Pirelli Fórmula 1
Foto: Reprodução / Fórmula 1

Após encerrar seu vínculo com a companhia, Isola assumirá como diretor-geral da ACI (Automobile Club d’Italia), entidade que administra o automobilismo italiano. O órgão organiza campeonatos nacionais e regionais, como a Fórmula Regional Europeia, a E4 Championship e a Fórmula 4 Italiana.

O atual CEO da organização, Giancarlo Minardi (fundador da equipe Minardi, que competiu na Fórmula 1 entre 1985 e 2005) comentou a chegada do dirigente. “Sempre apreciei o trabalho de Isola. Sua carreira e os resultados que ele alcançou são o melhor cartão de visitas possível para entender a importância desta decisão.”

Relação de 15 anos entre Pirelli e F1 é marcada por controvérsias

A Pirelli assumiu o papel de fornecedora exclusiva da Fórmula 1 em 2011, após a saída da Bridgestone, fornecedora única desde 2007. Antes disso, a japonesa disputava mercado com a Michelin, que deixou o grid um ano depois do GP dos Estados Unidos de 2005.

Naquela prova, em Indianápolis, os compostos da fabricante francesa não suportaram as condições da pista e começaram a se romper. As equipes foram orientadas a não correr, e apenas seis carros largaram após a volta de formação. Chegava ao fim a chamada guerra dos pneus.

Desde sua chegada, a Pirelli implementou o tradicional “arco-íris” para diferenciar compostos. No início, o esquema era supermacio em vermelho, macio em amarelo, médio em branco, duro em prata, chuva forte em laranja e intermediário em azul claro.

O auge dessa variedade veio em 2018, quando sete opções de pista seca estiveram disponíveis. Hipermacios, ultramacios e superduros passaram a fazer parte do vocabulário da categoria por um curto período de tempo.

A degradação sempre foi tema sensível para pilotos e equipes na era Pirelli. Em 2013, isso ficou evidente no GP da Inglaterra, vencido por Nico Rosberg da equipe Mercedes, quando cinco carros sofreram furos durante a corrida.

Alguns anos depois, no mesmo circuito, outra cena marcante entrou para a história. Lewis Hamilton venceu em Silverstone, pela mesma equipe alemã, mesmo com o pneu dianteiro esquerdo furado na última volta.

Lewis Hamilton vence com três pneus
Foto: Andrew Boyers/AFP

Também com a Mercedes surgiu uma das maiores controvérsias da parceria. Um teste realizado pela equipe alemã em conjunto com a fornecedora acabou levado aos tribunais.

Embora o então diretor de prova, Charlie Whiting, tenha autorizado a atividade, o julgamento entendeu que a sessão violava o regulamento, que proíbe testes durante a temporada. Como punição, a Mercedes foi excluída do teste de jovens pilotos de 2013, e ambas receberam reprimendas.

O contrato atual prevê fornecimento até 2027. Assim, as próximas temporadas podem ser determinantes para a continuidade do acordo no longo prazo.

(Foto: Mark Sutton/Motorsport Images)