O Fortaleza inegavelmente é um dos melhores times da zona de descenso do Brasileirão nas últimas rodadas e o poder de reação iniciado por um enérgico Martin Palermo realmente começou a render frutos inesperados dentro de campo, com o Leão do Pici mostrando qualidades táticas e conquistando vitórias além da motivação extra. Com a esperada derrota do Santos na 32ª rodada, o Leão poderia subir ainda mais na tabela de classificação caso superasse seu adversário no Clássico-Rei, mas o Ceará aproveitou uma brecha e buscou o empate aos 45′ do segundo tempo, transformando um resultado mediano (considerando as circunstâncias atuais) em uma grande decepção.
Fortaleza não aproveitou imposição ofensiva e saiu com gosto amargo
Sem temer seu adversário e tentando impor sua filosofia de jogo, o técnico do Fortaleza adotou uma postura muito ousada com quatro atacantes (tendo Bareiro e Breno mais avançados, além de Moisés e Herrerra nas pontas) e viu seu time render bem também sem a bola, com os quatro jogadores tendo muita efetividade também nas disputas sem bola. As principais jogadas do Ceará foram neutralizadas no meio-campo com Viña não conseguindo encontrar espaços para circular, graças às marcações firmes de Pierre e Lucas Sasha.
Essa estratégia mais ofensiva impediu que o Ceará ficasse tranquilo e ainda permitiu que o prêmio viesse antes do intervalo, com o Fortaleza abrindo o placar nos acréscimos. Breno Lopes acertou um cruzamento absolutamente perfeito para Adam Bareiro, que testou firme na grande área e abriu o placar de forma espetacular.
O problema foi que toda essa postura mais agressiva no primeiro tempo acabou dando espaço para uma postura mais conservadora no segundo tempo, recuando as linhas para apostar no contragolpe desde o retorno do intervalo, sendo que o Fortaleza estava rendendo mais para buscar o segundo gol do que sofrer o empate, tanto que Herrera quase aproveitou uma falha da defesa adversária, parando em defesa de Bruno Ferreira. Além da postura ter sido modificada, as alterações de Palermo fizeram o Leão do Pici perder todo aquele impacto ofensivo, com apenas Lucero ficando isolado quando atletas do meio-campo foram acionados, deixando a posse de bola totalmente nos pés do Ceará.
Essa postura excessivamente defensiva acabou custando caro para o Fortaleza justamente na reta final da partida, aos 45′ do segundo tempo, quando Marcos Victor levantou uma bola na área de forma até atrapalhada, mas suficiente para Pedro Raúl encontrar e testar de primeira para garantir o empate no clássico e atrapalhar muito os planos de seu rival.
Fortaleza precisa ser mais agressivo daqui para frente
O Fortaleza poderia ter ficado somente três pontos para deixar a zona de rebaixamento caso tivesse mantido a vitória e certamente colocaria pressão ainda mais forte em cima de Juventude (29pts) e Santos (33pts), mas o empate cedido nos acréscimos deixou o Leão com 29 pontos somados ao todo, enquanto o Vitória aparece fora do Z-4 com 34pts. Neste fim de semana, o duelo será diante do Grêmio e mais uma batalha se desenha para impedir o descenso, e a lição que fica é a necessidade de maior agressividade nos momentos decisivos da temporada.
Imagem: AGIF