Na noite deste domingo (30), o Fortaleza recebeu o Atlético-MG no Castelão em duelo atrasado válido pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em um confronto extremamente importante para a briga contra o rebaixamento, o Leão do Pici entrou em campo na busca da terceira vitória seguida em meio à uma incrível recuperação liderada por Martín Palermo contra o descenso para a Série B, enfrentando um Galo pouco inspirado, mas que ainda acredita na classificação para a Libertadores pelo Brasileirão.
O embate foi equilibrado e intenso, mas de pouquíssimo futebol. Com um gol solitário de Tomás Pochettino, o time da capital cearense não sofreu contra um time muito pobre de ideias e de tática comandado por Jorge Sampaoli, e conquistou importantíssimos três pontos que deixam a equipe mais do que viva na luta contra o rebaixamento.
Fortaleza tem início melhor, mas futebol praticado é sofrível
Desde o apito inicial, foi possível perceber um padrão muito similar entre as duas equipes no sentido de posicionamento em campo: tanto o Fortaleza quanto o Atlético-MG entraram em campo com seus atletas muito espaçados, praticamente fixos em suas respectivas funções, com exceção de Guilherme Arana, que trabalhava bastante pelo meio, e Pochettino, que flutuava entre as duas alas do processo de criação da equipe tricolor.
Com pouca movimentação e consequentemente poucas associações rápidas, o embate entre as duas equipes pode ser definido em um “jogo de transição”. O Atlético, com maior porcentagem da posse, tentava criar e conseguia chegar no último terço, mas em praticamente todas as ocasiões desperdiçou uma possível chance de finalização por conta de decisões equivocadas – o Fortaleza aproveita para sair em contra-ataque, chegava em boa situação, mas também tomava decisões erradas antes da conclusão da jogada, resultando em um verdadeiro “pêndulo” de ações em campo durante os 90 minutos.
O Fortaleza tinha suas particularidades que contribuíram para o insucesso diante do gol de Everson: apenas os três homens de ataque (Barero, Breno Lopes e Herrera) apareciam como opções de passe durante jogadas de contra-ataque. O apoio dos meias, seja de Pochettino ou Pierre, demorava muito para alcançar o último terço, e o Galo tinha maior facilidade para conseguir marcar e interceptar uma tentativa de passe entre os três atacantes.
O time mineiro, por outro lado, viu Hulk ter uma atuação desastrosa como referência ofensiva da equipe – o camisa 7 não conseguiu dar continuidade às jogadas e o apoio de atletas como Igor Gomes ou Bernard era facilmente interceptado pela defesa do Pici, que defendia bem as alas e forçava o Galo a tentar o jogo pelo meio.
Leão encontra gol em rara jogada bem trabalhada
A primeira grande chance do confronto apareceu aos 34 minutos, em uma das poucas jogadas bem trabalhadas do Fortaleza na partida. Barero infiltrou na grande área e tabelou com Breno Lopes, finalizando forte e vendo Everson realizar a defesa. E a segunda jogada bem trabalhada do Leão surgiu pouco tempo depois, aos 41′, e desta vez, resultou em gol.
Em jogada que iniciou no volante Pierre, Breno Lopes recebeu na esquerda, partiu em profundidade e cruzou rasteiro para Barero – apesar da bola ter achado o atacante, a força do passe foi um pouco “desproporcional”, mas o paraguaio teve muita qualidade em deixar de primeira para Pochettino, que entrava na grande área e virou o pé na hora da finalização para deslocar Everson e acertar seu canto direito.

Pouco antes do fim da primeira etapa, o Atlético ficou perto de gol de empate, em uma jogada que vai contra justamente a “passividade” e a inflexibilidade posicional vista durante todo o confronto. Em uma boa jogada de Alexsander tentando a infiltração na grande área, a bola acabou sobrando para Ruan, zagueiro, que finalizou e viu Breno fazer uma ótima defesa.
Atlético parece ainda menos intenso no segundo tempo e Fortaleza administra
Na segunda etapa, o time de Sampaoli pareceu ainda mais deficiente no setor de criação e o Fortaleza passou a ter ainda mais chances em jogadas de contra-ataque. O treinador argentino tentou aumentar a qualidade de passe, drible e velocidade com a entrada de atletas como Savarino, Scarpa e Biel, mas com um esquema bastante “engessado”, os substitutos pouco agregaram no setor ofensivo. O Leão teve uma amplitude de chances para aumentar o marcador, mas Moisés e Deyverson foram atingidos pelo infame “preciosismo” na hora de concluir.
Até mesmo a pressão derradeira do Atlético-MG pareceu ser de pouca intensidade, e o Fortaleza não teve muita dificuldade em segurar a vantagem até o apito final.