A França segue construindo uma campanha que reforça cada vez mais sua condição de principal candidata ao título da Copa do Mundo de 2026. A vitória por 3 a 0 sobre a Suécia não representou apenas mais uma classificação tranquila para as oitavas de final, mas também mostrou uma seleção extremamente equilibrada, capaz de unir talento individual, força coletiva e um ataque que vem quebrando recordes históricos.
Mesmo enfrentando uma Suécia organizada, os franceses dominaram praticamente toda a partida, finalizaram 25 vezes e voltaram a mostrar uma eficiência ofensiva que poucas seleções conseguem alcançar. Kylian Mbappé marcou dois gols, Michael Olise distribuiu mais duas assistências e Didier Deschamps viu sua equipe confirmar, mais uma vez, por que é apontada como favorita para conquistar o bicampeonato mundial.
Ao mesmo tempo, a atuação também revelou uma característica que vai além da qualidade técnica. A França demonstrou um grupo extremamente unido, algo que ficou evidente dentro e fora de campo após um momento delicado vivido pelo treinador Didier Deschamps.
Um ataque que mistura talento, números históricos e coletividade

A seleção francesa chega às fases decisivas da Copa do Mundo apresentando um dos ataques mais completos do torneio.
Contra a Suécia, foram 25 finalizações, o maior número registrado pela França em uma partida de Mundial desde 1998. Mesmo desperdiçando algumas oportunidades claras, a equipe voltou a marcar três gols e chegou à impressionante marca de 13 gols em apenas quatro partidas.
Mais do que o volume ofensivo, chama atenção a variedade de protagonistas.
Kylian Mbappé continua sendo a principal referência. O atacante marcou duas vezes contra a Suécia, chegou aos seis gols na competição e igualou Lionel Messi na liderança da disputa pela Chuteira de Ouro.
Além disso, alcançou outro feito histórico ao chegar a 18 gols em Copas do Mundo, ficando apenas um atrás de Messi entre os maiores artilheiros da história da competição. Mbappé também estabeleceu mais um recorde ao marcar dois ou mais gols em sete partidas diferentes de Mundial, marca jamais alcançada por outro jogador.
Mas reduzir o sucesso francês apenas ao camisa 10 seria um erro.
Ousmane Dembélé vive uma Copa extraordinária. O vencedor da Bola de Ouro soma quatro gols e duas assistências, participando diretamente de seis gols franceses.
Michael Olise também se transformou em um dos grandes destaques do torneio.
Com duas novas assistências diante da Suécia, chegou a cinco passes para gol e entrou para um grupo extremamente seleto da história das Copas do Mundo.
Desde 1966, nenhuma dupla ofensiva havia construído uma parceria tão eficiente quanto Dembélé e Mbappé. Dos seis gols construídos entre ambos nesta Copa, quatro nasceram de assistências de Dembélé para Mbappé e outros dois seguiram o caminho inverso.
Olise também entrou para a história ao tornar-se o primeiro jogador desde 1994 a distribuir cinco assistências em uma única edição da Copa do Mundo.
Antes dele, apenas grandes nomes do futebol mundial haviam alcançado essa marca. Pelé lidera essa lista com seis assistências em 1970, enquanto Robert Gadocha, Pierre Littbarski, Diego Maradona e Thomas Habler também registraram cinco assistências em uma única edição do torneio.
Os números mostram que o ataque francês não depende apenas de um jogador. A equipe possui diversas soluções ofensivas, tornando extremamente difícil qualquer marcação individual.
A força coletiva também explica o favoritismo francês

Se o talento ofensivo impressiona, o ambiente interno da seleção talvez seja igualmente importante para explicar o momento vivido pela equipe.
Logo após marcar o primeiro gol contra a Suécia, Mbappé correu diretamente para abraçar Didier Deschamps.
O treinador retornava ao banco de reservas após viajar à França para acompanhar o funeral de sua mãe. Rapidamente, todo o elenco se juntou aos dois em um abraço coletivo que simbolizou o espírito do grupo.
Depois da partida, Deschamps destacou justamente essa união.
Segundo o treinador, o espírito coletivo não garante vitórias sozinho, mas a ausência dele pode fazer uma equipe perder campeonatos.
Aurélien Tchouaméni também revelou que o elenco entrou em campo motivado pelo desejo de proporcionar um momento de felicidade ao treinador em meio ao período difícil vivido por sua família.
Essa conexão entre jogadores e comissão técnica aparece refletida dentro de campo.
A França tornou-se a primeira seleção da história a marcar três ou mais gols em cinco partidas consecutivas de Copa do Mundo, um dado que demonstra não apenas eficiência ofensiva, mas também regularidade.
Diversos ex-jogadores elogiaram o desempenho francês.
Gary Neville afirmou que o quarteto formado por Mbappé, Dembélé, Olise e Barcola representa um pesadelo para qualquer sistema defensivo.
Patrick Vieira foi ainda mais direto ao afirmar que a França mostrou ser “a seleção a ser batida”.
Até Graham Potter, treinador da Suécia, reconheceu que sua equipe foi eliminada pelo melhor time que viu atuar nesta Copa do Mundo.
Deschamps evita euforia antes do mata-mata

Apesar dos elogios e da excelente campanha, Didier Deschamps prefere manter os pés no chão.
Após a classificação, o treinador pediu calma quando foi questionado sobre a possibilidade de conquistar mais um título mundial.
Para ele, a equipe ainda possui margem para evolução e não pode acreditar que tudo está perfeito apenas por causa da boa fase.
Segundo Deschamps, a França fez o necessário para vencer a Suécia, embora tenha iniciado a partida de maneira tímida durante os primeiros minutos e ainda pudesse ter sido mais eficiente antes do intervalo.
Essa postura ajuda a explicar por que a seleção francesa mantém um nível tão alto de competitividade.
Mesmo liderando praticamente todos os indicadores ofensivos da competição e sendo apontada como principal favorita por analistas e ex-jogadores, o treinador insiste em tratar cada fase como um novo desafio.
Agora, o próximo obstáculo será o Paraguai nas oitavas de final.
Caso confirme o favoritismo, a França enfrentará nas quartas de final o vencedor do confronto entre Canadá e Marrocos. Se mantiver o futebol apresentado até aqui, os franceses continuarão sendo a principal referência técnica desta Copa do Mundo. Porém, como faz questão de lembrar Didier Deschamps, talento e estatísticas não conquistam títulos sozinhos. Em torneios eliminatórios, manter a concentração pode ser tão importante quanto marcar gols.
(Foto de capa: by Patrick Smith – FIFA/FIFA via Getty Images)


