A França confirmou sua classificação às oitavas de final da Copa do Mundo ao vencer a Suécia por 3 a 0, em mais uma atuação convincente na competição. Mbappé, com dois gols, e Barcola balançaram as redes, enquanto Olise voltou a ser um dos principais destaques da equipe ao participar diretamente da construção das jogadas ofensivas.
Mais do que garantir a vaga, a partida reforçou algumas características que a seleção francesa vem apresentando desde o início do Mundial. A equipe segue mostrando muita força coletiva, conta com uma dupla que pode decidir jogos praticamente sozinha e ainda confirmou que chega ao mata-mata como uma das grandes favoritas ao título. Ao mesmo tempo, a eliminação também deixou algumas respostas sobre o atual nível da Suécia diante das principais seleções da competição.
A seguir, quatro impressões que ficaram da vitória da França sobre a Suécia.
A França mostra cada vez mais força na Copa do Mundo
A vitória sobre a Suécia não representa apenas mais uma classificação da França. O resultado reforça uma campanha que, até aqui, coloca a seleção entre as equipes que mais convenceram na Copa do Mundo. Desde a estreia, os franceses vêm mantendo um nível muito alto de desempenho, sem grandes oscilações e sempre conseguindo transformar o domínio em gols.
A caminhada começou com uma vitória por 3 a 1 sobre Senegal. Depois veio o 3 a 0 diante do Iraque e, na última rodada da fase de grupos, um triunfo por 4 a 1 sobre a Noruega, garantindo a liderança do Grupo I com nove pontos, dez gols marcados e apenas dois sofridos. Agora, diante da Suécia, o roteiro voltou a se repetir, com mais uma vitória por três gols de diferença.
O dado chama atenção. Em quatro partidas disputadas na Copa do Mundo, a França marcou pelo menos três gols em todas elas. Poucas seleções conseguem manter uma regularidade ofensiva desse tamanho em um torneio tão equilibrado.
É claro que os desafios tendem a aumentar conforme o mata-mata avança. Ainda assim, o conjunto apresentado até aqui fortalece ainda mais uma equipe que já chegava cercada de expectativas. Campeã em 2018 e vice em 2022, a França mostra novamente que possui elenco, repertório e desempenho para brigar pelo título.
Mbappé e Olise podem resolver jogos praticamente sozinhos
A França tem um coletivo muito forte, mas a conexão entre Mbappé e Olise acrescenta um diferencial que poucas seleções possuem. Contra a Suécia, os dois voltaram a se entender muito bem e participaram diretamente da construção dos três gols franceses.
Olise foi o responsável por acelerar diversas jogadas ofensivas. O meia encontrou espaços entre as linhas da defesa sueca, levou perigo em finalizações de média distância e mostrou mais uma vez a qualidade para encontrar passes decisivos. Foi dele a assistência para Barcola ampliar o placar no começo do segundo tempo e também o lançamento preciso que deixou Mbappé cara a cara com o goleiro no terceiro gol.
Ao lado de Olise apareceu Mbappé, que segue sendo um dos jogadores mais decisivos da Copa do Mundo. O atacante marcou duas vezes, acertou quatro finalizações no gol e voltou a transformar praticamente todas as oportunidades claras em perigo para o adversário. No primeiro gol, o craque mostrou toda sua qualidade individual ao driblar a marcação antes de finalizar com categoria. Depois, aproveitou perfeitamente o passe de Olise para fechar o placar.
O mais interessante é que essa parceria vai além dos números. Enquanto Olise costuma ser o jogador que encontra soluções para fazer a França chegar ao ataque, Mbappé continua sendo o atleta que transforma essas jogadas em gols. Neste cenário, mesmo se a seleção encontrar dificuldades coletivas em algum momento do mata-mata, ter dois jogadores capazes de decidir praticamente sozinhos pode fazer toda a diferença.
A França tem repertório e não vive apenas dos seus craques
Embora Mbappé e Olise tenham sido os protagonistas da classificação, a atuação também mostrou que a França está longe de depender apenas de seus dois principais nomes. O time criou oportunidades de diferentes maneiras e contou com boas participações de praticamente todo o setor ofensivo.
Barcola foi um dos destaques. Ainda no primeiro tempo, em um dos ataques de perigo dos franceses, o jogador mostrou qualidade quando saiu da esquerda para o meio e levou perigo em uma finalização por cima do gol. Depois, apareceu muito bem dentro da área para marcar o segundo gol da França e, alguns minutos depois, quase voltou a balançar as redes após deixar dois marcadores no chão em uma bela jogada individual.
Dembélé também participou bastante da construção ofensiva. Foi dele a troca de passes com Olise no escanteio curto que terminou no primeiro gol de Mbappé. Além disso, Rabiot também apareceu infiltrando na área e inclusive obrigou Zetterström a fazer uma boa defesa na partida. Koundé por sua vez surgiu como elemento surpresa e participou da jogada que terminou na bola na trave de Mbappé. Até Digne tentou surpreender em uma finalização de longa distância.
Isso mostra que a França consegue atacar por diferentes setores do campo. Há movimentação, infiltrações, aproximação entre os jogadores e várias alternativas para chegar ao gol. Quando Mbappé recebe mais atenção da marcação, outros atletas conseguem aparecer. Enquanto isso, quando Olise encontra espaço por dentro, a equipe acelera naturalmente.
Esse repertório torna a seleção francesa ainda mais difícil de ser enfrentada. Afinal, neutralizar apenas uma peça não parece suficiente para diminuir o poder ofensivo do time.
A Suécia voltou a mostrar dificuldades diante de uma grande seleção
A campanha sueca na Copa do Mundo teve momentos positivos, mas também deixou claro que a equipe ainda encontra muitas dificuldades quando enfrenta seleções do mais alto nível.
Na fase de grupos, a Suécia empatou com o Japão, goleou a Tunísia por 5 a 1 e depois sofreu uma derrota por 5 a 1 para a Holanda. Agora, diante da França, voltou a ser dominada e acabou eliminada sem conseguir ameaçar o adversário de forma consistente.
O principal problema parece ser a diferença de rendimento conforme o nível dos oponentes aumenta. Contra Holanda e França, as duas seleções de maior tradição que encontrou no torneio, a Suécia sofreu oito gols e teve muitas dificuldades para competir durante os 90 minutos.
Isso não significa falta de talento. Gyökeres e Isak continuam sendo jogadores capazes de decidir partidas e até conseguiram participar das primeiras chegadas suecas no confronto. No entanto, conforme a França assumiu o controle da partida, ambos passaram a receber poucas bolas em condições de criar perigo.
No fim das contas, a impressão deixada pela Suécia é de um time com boas peças individuais, mas que ainda depende de um conjunto mais forte para conseguir enfrentar grandes adversários.
Créditos da foto de capa: AFP.