Nos últimos anos, o mercado da bola ganhou novos protagonistas no futebol. Primeiro foi a China, depois a Arábia Saudita tomou conta dos noticiários com cifras quase irreais, levando muitos jogadores da Europa. Mas, enquanto todo mundo olhava para o Oriente Médio, um velho conhecido foi crescendo em silêncio, e hoje tem feito bastante barulho: o futebol turco. A pergunta que muita gente se faz é simples e direta: como os clubes da Turquia conseguem pagar salários tão altos e ainda investir pesado em contratações?
Salários milionários atraem estrelas
Se tem algo que chama atenção logo de cara no futebol turco, são os ingressos fora da curva. A Super Lig virou destino atraente para jogadores que querem ganhar muito dinheiro sem sair do radar europeu, grande fruto da paixão do país pelo esporte, sem contar nas enormes rivalidades.
O maior símbolo dessa nova fase é Victor Osimhen. O Galatasaray abriu o cofre, pagou cerca de 75 milhões de euros ao Napoli e oferece ao atacante um salário de 22 milhões de euros por temporada, contando bônus. Para os padrões europeus, é coisa de Premier League e Champions League. Para o futebol turco, é histórico, e acaba que não é absurdo para um jogador desse nivel, em pleno auge físico e técnico.
E Osimhen não está sozinho. O Fenerbahce, por exemplo, paga 20 milhões de euros por ano a Jhon Duran, que veio do Al Nassr. Milan Skriniar e Marco Asensio, também no Fener, recebem entre 8 e 10 milhões de euros. Do outro lado da cidade, o Galatasaray garante cifras semelhantes para Leroy Sané, que decidiu dizer adeus ao Bayern de Munique para atuar na Turquia.
No Besiktas, a realidade não é muito diferente: Rafa Silva recebe cerca de 6 milhões de euros, enquanto Orkun Kokcu fica na casa dos 5 milhões. São valores que superam o que muitos jogadores ganhariam em clubes médios da Europa.
De Guendouzi a Frattesi: o dinheiro convence
O poder financeiro do futebol turco não se limita a estrelas já consolidadas. Ele também serve para convencer jogadores em plena idade competitiva a embarcar no projeto turco, e esses últimos episódios estão sendo importantíssimos pra essa realidade.
O Fenerbahce fechou com Matteo Guendouzi por cerca de 30 milhões de euros, pagando ao francês 4 milhões por temporada, bem acima dos 2,5 milhões que ele recebia na Lazio. Se falava bastante sobre uma saída do profissional para outros lugares do Velho Continente, porém, não houve um caminho traçado para tal. Uma movimentação semelhante a Milinkovic-Savic, que hoje se encontra no Al-Hilal.
O Galatasaray foi ainda mais agressivo para tirar Davide Frattesi da Inter: 5 milhões por ano, quase o dobro do contrato original. Nome que estava sendo cotado para atuar em outros times de ponta da Itália, sem esquecer de uns interessados da Premier League, como o Tottenham. No futebol moderno, discurso pesa. Mas dinheiro pesa mais.
Durante muito tempo, o futebol turco era conhecido por pagar salários altos e investir pouco em transferências. Isso mudou. Na tentativa de voltar a ocupar posições mais importantes no cenário europeu, os times da Turquia se apresentaram mais agressivos para fazer bonito no contexto mundial, sem deixar de lado a oportunidade de crescer ainda mais na competição nacional.
Além dos 75 milhões por Osimhen, o mercado recente mostra que Guendouzi custou 30 milhões, Singo mais de 30 milhões, Dorgeles Nene 18 milhões, e Kerem Akturkoglu 22 milhões. O Galatasaray não ficou atrás: cerca de 28 milhões pelo goleiro Ugurcan Cakir, e o Besiktas vai gastar 25 milhões para ficar com Kokcu ao fim da temporada.
O que antes era exceção agora virou rotina no futebol turco.
Instant team: ganhar agora
Qual é a lógica disso tudo? Estratégia conhecida como “instant team”. Clubes como Galatasaray e Fenerbahce montam elencos fortes para vencer agora, sem se preocupar tanto com o futuro. Não são peças joviais e talentosas chegando na Turquia para defender os times, estamos falando de equipes que pensam no imediatismo, no hoje.
Resultado:
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Um abismo competitivo entre os quatro grandes e o resto da liga.
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Um acúmulo de dívidas que, em 2025, já passou de 1,14 bilhão de euros entre Galatasaray, Fenerbahce, Besiktas e Trabzonspor.
O futuro do futebol turco
Hoje, o futebol turco ocupa um espaço curioso no mapa do futebol global. Não tem o poder financeiro da Arábia Saudita, mas oferece salários competitivos. Não tem o prestígio das grandes ligas, mas garante visibilidade, torcida apaixonada e pressão de jogo grande.
Para muitos jogadores, a Turquia virou o meio-termo perfeito: dinheiro alto, futebol competitivo e menos cobrança midiática do que na Premier League ou na Serie A.
Mas a grande questão é até quando esse modelo aguenta. Por enquanto, Galatasaray, Fenerbahce e companhia seguem gastando sem medo. Mas, como o futebol já mostrou várias vezes, uma hora a conta chega. E quando chega, não costuma pedir desconto.
Foto: IHA

