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País de Gales sonha com Copa de 2026 embalado pelas famosas “Noites de Cardiff”; Confira

Há algo de quase místico quando o País de Gales atua sob os holofotes do Cardiff City Stadium. Do hino nacional entoado sem acompanhamento ao canto apaixonado da torcida e à maneira como essa atmosfera pulsante impulsiona os jogadores a se superarem, são momentos capazes de tocar o coração. A seleção galesa vai precisar de um pouco dessa energia especial ao encarar a Macedônia do Norte nesta terça-feira (18), precisando da vitória para garantir o segundo lugar no grupo das Eliminatórias da Copa do Mundo e assegurar o direito de jogar em casa a semifinal da repescagem em março.

Caso o triunfo não venha, o jogo decisivo ocorrerá fora de seus domínios, contra um rival de peso — possivelmente a tetracampeã mundial Itália — aumentando ainda mais a pressão que Craig Bellamy, técnico da seleção, descreve como “enorme”. Esse será o objetivo diante da Macedônia do Norte: acrescentar mais uma noite inesquecível ao repertório de grandes atuações em Cardiff. No Grupo J das Eliminatórias Europeias, o País de Gales aparece em terceiro lugar com 13 pontos, três atrás da líder Bélgica.

As ausências de Ben Davies, Aaron Ramsey e Danny Ward, lesionados, fazem com que esta equipe galesa não tenha nenhum remanescente do elenco que alcançou a semifinal da Euro 2016. Por isso, é simbólico relembrar uma partida em que boa parte da atual geração esteve presente, mas País de Gales começou mal sua trajetória rumo à Eurocopa 2020, somando apenas três pontos nos três primeiros jogos sob o comando de Ryan Giggs, ex-Manchester United, mas embalou no momento certo.

Ninguém representou melhor esse timing do que Ramsey, que retornou de múltiplas lesões a tempo de disputar as duas últimas rodadas em novembro de 2019 — entrando no segundo tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Azerbaijão e sendo titular na partida decisiva contra a Hungria. O ex-jogador de Arsenal e Juventus marcou os dois gols no triunfo de País de Gales por 2 a 0, garantindo a vaga direta, em uma noite tão emocionante no Cardiff City Stadium que deixou o normalmente reservado Giggs às lágrimas.

Há paralelos claros entre o duelo desta terça-feira contra a Macedônia do Norte e a visita da Bélgica a Cardiff em novembro de 2021, quando Gales novamente lutava pela vantagem de decidir em casa uma repescagem para a Copa do Mundo. Já sem chance de classificação direta diante dos belgas — como ocorre agora — os galeses precisavam vencê-los para assegurar o segundo lugar. A Bélgica saiu na frente com Kevin De Bruyne, mas o estádio explodiu quando Kieffer Moore empatou para a equipe de Rob Page.

Com outros resultados favorecendo o País de Gales, o empate por 1 a 1 bastou para garantir a semifinal em casa, algo que se mostraria determinante. A repescagem da Copa do Mundo, disputada no Cardiff City Stadium, ficaria marcada para sempre. O confronto contra a Áustria, em março de 2022, virou um dos capítulos mais emocionantes da história do futebol galês — e, em certo sentido, da própria cultura do país. Antes do apito inicial, o lendário Dafydd Iwan apresentou seu hino de protesto Yma O Hyd.

Emocionado ao ouvir mais de 30 mil vozes cantando em galês, inclusive torcedores que não dominavam o idioma, ajudou a criar um clima eletrizante que ganhou ainda mais força quando Gareth Bale marcou dois gols espetaculares, selando a vitória por 2 a 1. Pouco depois, outra atuação mágica do ex-astro do Real Madrid — garantindo o triunfo por 1 a 0 — levou País de Gales à sua primeira Copa do Mundo em 64 anos. A campanha rumo a Eurocopa 2024 parecia desmoronar após derrotas consecutivas para Armênia e Turquia no verão de 2023.

Assim, quando receberam a favorita Croácia em Cardiff, em outubro, Page estava pressionado, e a torcida apreensiva. A resposta veio com uma das maiores atuações recentes da equipe, dominando completamente os semifinalistas da Copa do Mundo diante de um público fervoroso. Harry Wilson marcou os dois gols do triunfo por 2 a 1, na sua 50ª partida pela seleção, reacendendo o sonho da vaga direta. Bastava vencer Armênia e Turquia, mas os empates nos dois jogos deixaram Gales novamente dependente da repescagem.

Jogando mais uma vez o mata-mata da repescagem em Cardiff — após uma vitória contundente por 4 a 1 sobre a Finlândia na semifinal — a seleção de País de Gales acabou caindo para a Polônia nos pênaltis, perdendo de forma dolorosa a chance de disputar o Eurocopa 2024. Três meses mais tarde, dois resultados vexatórios em amistosos: 0 a 0 contra Gibraltar e derrota por 4 a 0 para a Eslováquia — decretaram o fim da passagem do técnico Rob Page na seleção britânica.

Mesmo assim, a vitória contra a Croácia segue como uma lembrança marcante. Para substituí-lo, assumiu o ex-companheiro Craig Bellamy, que iniciou sua jornada como treinador da seleção com a melhor sequência inicial de um técnico galês: nove jogos sem perder. Sua primeira missão foi a disputa da UEFA Nations League, e a equipe conquistou uma improvável promoção à elite da competição após uma goleada por 4 a 1 sobre a Islândia, em novembro — somada à vitória de Montenegro sobre a Turquia. Gales esteve atrás no marcador no primeiro tempo, mas virou com autoridade: dois gols de Liam Cullen, um de Brennan Johnson e outro de Harry Wilson.

O estádio vibrou intensamente, com torcedores entoando o nome de Montenegro e cantando músicas festivas em homenagem à equipe. Desde então, os torcedores tiveram poucos motivos para celebrar em Cardiff, e Bellamy ainda busca sua primeira vitória realmente marcante como treinador. Ele precisará de ao menos dois triunfos para guiar o País de Gales à Copa do Mundo do próximo ano. O ideal é que a vitória sobre a Macedônia do Norte nesta terça-feira seja a primeira de três nos próximos quatro meses — e mais uma entre as muitas noites memoráveis que a seleção espera viver na capital.

Foto: Getty Images

País de Gales mantém vivo o sonho da Copa de 2026 e aposta tudo na repescagem

O País de Gales ainda alimenta o sonho de estar na Copa do Mundo de 2026. Após uma campanha oscilante nas Eliminatórias Europeias, a repescagem surge como a última chance de transformar a paixão da torcida em um retorno ao palco global. Inspirado pelas históricas “Noites de Cardiff”, o time acredita que o ambiente do Cardiff City Stadium pode novamente ser o elemento decisivo.

Sob o comando de Craig Bellamy, a equipe chega ao mata-mata consciente de que o percurso é curto, mas exigente. Problemas ofensivos e resultados irregulares tiraram Gales da disputa direta, mas o desempenho como mandante — um trunfo recorrente — reforça a sensação de que a classificação permanece ao alcance. Os jogadores destacam a força emocional que sentem ao atuar diante dos torcedores, vendo a repescagem como uma oportunidade de converter essa energia em vantagem competitiva.

Ainda assim, o obstáculo é significativo. A repescagem europeia costuma reunir adversários de alto nível, e qualquer falha pode ser fatal no formato eliminatório. A preparação da equipe se concentra no fortalecimento defensivo e na eficiência nas transições, aspectos considerados fundamentais para enfrentar rivais mais organizados taticamente. Bellamy insiste na necessidade de maturidade, controle dos momentos críticos e, principalmente, eliminação dos erros individuais que custaram pontos cruciais na fase anterior.

O componente emocional também tem peso determinante. Para os torcedores, a repescagem representa quase um último ato de resistência, reafirmando a identidade de um povo habituado a contrariar expectativas. Para muitos, a vaga no Mundial teria valor histórico, simbolizando a evolução do futebol galês na última década.

Assim, entre prudência e esperança, Gales entra na repescagem acreditando firmemente que a classificação ainda é possível. Impulsionada pela energia de Cardiff e por um grupo que se recusa a desistir, a seleção encara o mata-mata como um teste final de superação — e uma oportunidade real de figurar entre as 48 equipes da Copa do Mundo de 2026.

(Foto: Getty Images)