Em sua primeira temporada como técnico da Roma, Gasperini ainda não encantou especialistas e muito menos a torcida. Com sérios riscos de ficar fora do Top 4 da Serie A, a sua permanência no comando técnico no clube italiano é incerta e o experiente treinador tem apenas mais 9 jogos para buscar uma posição melhor no campeonato.
O colapso recente: eliminação na Europa League e defesa vulnerável
A temporada de Gasperini na Roma começou com expectativas altas, após seu sucesso na Atalanta transformando um time de província em potência europeia. No entanto, o primeiro ano na capital italiana corre risco de ser considerado um flop.
A eliminação nas oitavas de final da Europa League para o Bologna (derrota por 4-3 no agregado, com jogo de volta no Olímpico marcado por fragilidade defensiva) eliminou qualquer chance de título continental. Somado ao adeus precoce na Coppa Italia (derrota em casa para o Torino), resta apenas a briga pelo quarto lugar na Serie A, objetivo prioritário para vaga na Champions League e receita financeira.
Os números expõem o problema: em 29 rodadas de campeonato, a Roma soma 10 derrotas, totalizando 14 em 39 jogos considerando todas as competições. Nas últimas cinco partidas oficiais (incluindo Europa League), o time sofreu 12 gols, revelando uma defesa que desmoronou.
Svilar e a linha defensiva, antes sólida, concederam em excesso, especialmente em transições e falhas individuais. Lesões e ausências chave no ataque (Dybala, Soulé, Dovbyk, Ferguson) agravaram a situação, mas o principal ponto fraco foi a falta de consistência defensiva, com sensação de fragilidade geral.
No confronto direto contra a Juventus em 1º de março, a Roma vencia por 3-1, mas cedeu o empate, perdendo a chance de abrir +7 pontos. Desde então, o time caiu para -2 em relação à Juventus e -3 do Como (atual quarto colocado), com a Roma na sexta posição tendo 51 pontos em 29 jogos (16 vitórias, 3 empates, 10 derrotas, saldo de +16 gols).
Por que o quarto lugar é decisivo?
O quarto lugar na Serie A garante vaga direta na Champions League, essencial para o projeto Friedkin de elevar o clube em três anos. Sem isso, o balanço da temporada seria negativo: sem títulos, sem Europa de elite e com investimento no mercado atendendo muitas demandas de Gasperini, mas sem resultados concretos.
A família Friedkin já demonstrou pouca paciência com treinadores desde 2020 (Fonseca, Mourinho, De Rossi, Juric, Ranieri e agora Gasperini: seis em seis anos). Se a Roma não fechar no top-4, as vozes de exoneração ganham força em uma praça exigente.
Gasperini tem mérito em tentar implantar seu estilo de alta pressão e intensidade, mas a adaptação parece incompleta: o time mostrou potencial inicial, mas o crollo recente (sem vitórias em cinco jogos competitivos recentes) compromete o projeto.
Com nove rodadas restantes, a Roma precisa de uma reação imediata para ultrapassar Juventus e Como. Os números atuais (51 pontos, sexta colocação) dão chances para sonhar, mas o histórico de instabilidade defensiva e eliminações precoces pesa contra Gasperini.
Se o objetivo prioritário não for alcançado, o primeiro ano do técnico em Roma pode ser visto como fracasso, abrindo caminho para mudanças drásticas no comando técnico. A pressão é alta, e o tempo é curto para inverter o cenário.
A instabilidade crônica: tempo médio dos últimos técnicos no cargo
Desde a chegada dos Friedkin em 2020, a Roma alternou seis treinadores em seis anos, mostrando pouca paciência com projetos longos. Paulo Fonseca ficou de julho/2019 a junho/2021 (cerca de 2 anos). Já o Special One, José Mourinho, ficou de julho/2021 a janeiro/2024 (2 anos e meio). Daniele De Rossi de janeiro/2024 a setembro/2024 (cerca de 8 meses). Ivan Juric de setembro/2024 a novembro/2024 (apenas 2 meses). Claudio Ranieri de novembro/2024 a junho/2025 (cerca de 7 meses).
Gasperini assumiu em junho/2025 e já enfrenta pressão após menos de um ano. Essa rotatividade reflete a dificuldade em dar tempo para consolidação, e sem o quarto lugar, Gasperini pode ser o próximo a sair precocemente.



