A Roma de Gian Piero Gasperini está voando. Quinze pontos dos dezoito possíveis, empatada em primeiro lugar com o Napoli na Serie A. As duas equipes não se juntam na liderança da tabela após a sexta rodada desde a temporada 1989/90, um fato que certamente fará os torcedores sorrirem. No reinício, a Internazionale chegará ao Olímpico, e será um verdadeiro teste para os Giallorossi, que estão tendo um forte início de temporada. Esta é uma diferença enorme em relação à temporada passada, quando o time capô aos 15 pontos na classificação somente após a décima quinta rodada.
O trabalho de Gian Piero Gasperini está à vista de todos. A Roma ainda não está tão brilhante quanto o treinador gostaria, mas é eficaz e sólida na defesa. Sofreu dois gols e ninguém na Série A fez melhor. Sua pressão já está evidente e a equipe está melhorando a cada dia. Tendo chegado em meio ao ceticismo generalizado em um clube que nunca gostou dele no passado, ele conseguiu mudar a opinião de todos em apenas três meses. Sua maior conquista é a capacidade de se adaptar à equipe.
Do mesmo modo, o técnico Gian Pero Gasperini está tendo sucesso na capital italiana, após alcançar seu auge na Atalanta nos últimos anos, incluindo a conquista inédita da UEFA Europa League, e o grupo está seguindo o exemplo. Ele também tem sido brilhante na gestão de alguns problemas espinhosos, como Lorenzo Pellegrini, que passou de jogador com as malas nas mãos a titular da Roma. O camisa 7 voltou a jogar em alto nível e até deixou sua marca no aguardado primeiro clássico da temporada contra a Lazio.
Diante desse cenário, a Roma pode melhorar nos próximos dias, de olho na liderança da Serie A. A janela de transferências satisfez apenas parcialmente Gasperini, que espera algumas contratações em janeiro. Além disso, Leon Bailey estará disponível novamente a partir da partida contra a Inter. O jamaicano se machucou em seu primeiro treino com os giallorossi e pode representar um ponto de virada para o ataque. Mas as melhorias que todos esperam são em termos de jogo. Os conceitos de Gasperini não são fáceis de assimilar e, com o tempo, a equipe pode evoluir ainda mais.
Nem tudo que reluz é ouro, e a Roma também enfrenta problemas. Principalmente em relação aos seus dois centroavantes. Dovbyk e Ferguson marcaram apenas um gol entre eles. O irlandês ficou afastado após uma excelente pré-temporada, enquanto o ucraniano recuperou a titularidade após o gol contra o Verona. Mas as atuações de ambos ainda são muito inconsistentes, e algo mais é necessário. O outro problema diz respeito ao banco, que ainda conta com poucos jogadores para Gasperini. Os reservas estão tendo pouco impacto, mas há tempo para melhorar.

Gasperini já transformou a Roma: confira os bastidores de uma reviravolta
Em poucos meses de trabalho, Gian Piero Gasperini ressuscitou a Roma. Com a equipe atualmente no topo da Série A, o técnico milita entre elogios e expectativas, mas seus méritos vão além do simples resultado: ele redesenhou mentalidades, trouxe solidez e acendeu aspirações numa torcida que esperava por uma nova identidade.

Da desconfiança ao protagonismo
Quando Gasperini assumiu a Roma, enfrentava duas dificuldades imediatas: uma torcida cética, muitos não acreditavam que ele poderia transformar o time num concorrente de elite — e uma estrutura de elenco nem sempre afinada ao seu estilo de jogo. Após a vitória sobre a Fiorentina, em entrevista, ele afirmou: “Alguns não nos dão crédito, nós seguimos melhorando.” Mesmo admitindo que ainda falta estabilizar certas fases da equipe, Gasperini tem deixado claro que não se trata apenas de resultados imediatos, mas de uma projeção de longo prazo com sustentação técnica e física.
Pilares da nova Roma
Defesa compacta, base de sustentação: A Roma de Gasperini é hoje a melhor defesa da competição, com apenas dois gols sofridos até agora: um dado que salta aos olhos. A solidez defensiva vai além do mérito individual: há leitura de jogo, cortes no momento certo e uma estrutura de linha de retaguarda que reduz os espaços para o adversário. Em termos de xG (“gols esperados” sofridos), a Roma aparece entre as equipes mais seguras da liga.
Grupo reativo e mentalmente preparado: Sua Roma enfrenta momentos adversos sem desmoronar. Na partida contra a Fiorentina, esteve em desvantagem, mas soube reagir: Gasperini fez ajustes táticos no intervalo, inseriu jogadores de maior toque e controle (como Dybala e Pellegrini) para “congelar” o adversário e evitar riscos maiores. Falando de “episódios”, o técnico também relativizou sorte ou azar, atribuindo ao acaso momentos pontuais, mas reforçando que o mérito coletivo prevaleceu.
Um motor ofensivo: Matías Soulé: Nenhuma transformação completa sem protagonistas ofensivos. Soulé, jovem e versátil, tornou-se peça central no ataque da Roma: em muitas partidas aparece com bons números não apenas em gols, mas em assistências e participação global nas jogadas ofensivas. Ele assume, assim, a função de catalisador da evolução ofensiva, ainda que o time como um todo precise encontrar consistência na zona de frente.
As sombras que ainda persistem
A construção de uma identidade sólida não elimina desafios. A Roma, embora já tenha 15 pontos em 6 rodadas e esteja no pelotão de ponta, mostra fragilidades no setor ofensivo: as estatísticas indicam que os atacantes tradicionais ainda não “decolaram” segundo os algoritmos de xG criados por análises modernas. Em outras palavras, o time marca pouco, mas pontua bem — uma combinação que pode não se sustentar diante de rivais mais qualificados ou quando as lesões baterem.
O próximo teste e o olhar ambicioso
No retorno da pausa do calendário e com a Roma agora sediada na liderança (empatada com o Napoli), o teste que se aproxima é o duelo com a Internazionale, um confronto direto que poderá confirmar se a transformação de Gasperini é duradoura ou provisória. O treinador, por sua vez, mantém os pés no chão: ele ressalta que o crédito do momento não é tão alto quanto se imagina e que há muito trabalho pela frente.
(Foto: Getty Images)