Tenis

Coco Gauff domina Pegula e conquista Cincinnati pela segunda vez

Coco Gauff voltou ao topo em Cincinnati. A americana venceu Jessica Pegula por 6/2 e 6/4 neste domingo e conquistou pela segunda vez o WTA 1000 de Cincinnati, repetindo o título de 2023. Em uma final totalmente americana, Gauff foi superior desde os primeiros games, controlou a maior parte das trocas e confirmou a conquista sem precisar de um terceiro set.

O título tem um peso especial para Gauff. Aos 22 anos, a americana finalmente abriu sua lista de troféus em 2026 e chega ao US Open, que começa na próxima semana, com um enorme ganho de confiança. Foi também o 12º título de simples da carreira da tenista.

A final ainda teve um ingrediente especial. Gauff e Pegula são grandes amigas e antigas parceiras de duplas. As duas chegaram a disputar oito finais juntas entre 2022 e 2023, conquistando cinco títulos. No confronto de simples, Pegula levava vantagem por 5 a 4 antes da decisão, mas Gauff havia vencido o encontro mais recente, nas quartas de final de Wimbledon.

A vitória desta vez foi bem mais tranquila. Gauff entrou em quadra agressiva, aproveitou os problemas de Pegula e rapidamente construiu uma vantagem que colocou a decisão sob seu controle. A adversária ainda tentou reagir, principalmente no segundo set, mas a campeã soube administrar a pressão e fechar a partida.

Gauff atropela no início e constrói vantagem importante

O primeiro set praticamente definiu o roteiro da final. Gauff começou em ritmo muito alto e conseguiu quebrar o serviço de Pegula duas vezes logo nos primeiros games. A americana abriu 5 a 0 e deixou a adversária em uma situação extremamente complicada.

Pegula, que havia chegado à decisão depois de uma verdadeira batalha contra Iga Swiatek, demorou a encontrar respostas. Na semifinal, a terceira cabeça de chave precisou de quase três horas para superar a atual campeã de Cincinnati por 7/5, 4/6 e 6/4. O desgaste daquela partida acabou aparecendo diante de uma Gauff muito mais agressiva e consistente.

Depois de ficar em desvantagem por 5 a 0, Pegula finalmente conseguiu reagir. A americana confirmou o saque e reduziu a diferença para 5/2, dando uma pequena esperança de recuperação.

Só que Gauff não permitiu que o set escapasse. A quarta colocada do ranking voltou a pressionar o saque da compatriota e conseguiu novamente a quebra para fechar a parcial em 6/2. Em poucos minutos, Gauff havia transformado uma final que prometia equilíbrio em uma disputa sob seu domínio.

O desempenho foi particularmente importante porque Pegula é uma das jogadoras mais consistentes do circuito. A americana costuma se destacar pela capacidade de controlar os pontos, variar as direções e manter um nível alto durante longos períodos. Contra Gauff, porém, encontrou uma adversária que conseguiu tomar a iniciativa antes que seu jogo pudesse se estabelecer.

A campeã também mostrou evolução em um dos aspectos que mais haviam causado problemas em sua temporada anterior: o saque. Gauff havia trabalhado intensamente para modificar o movimento do serviço depois de reconhecer que aquele fundamento estava prejudicando seu jogo. A própria americana explicou recentemente que fez mudanças importantes para tornar o saque mais confiável e reduzir a pressão que sentia durante as partida.

Em Cincinnati, essa evolução apareceu justamente em uma semana de enorme importância.

Pegula reage, mas Gauff não deixa o título escapar

O segundo set começou praticamente como o primeiro. Gauff voltou a pressionar desde o primeiro game e conseguiu abrir vantagem rapidamente. Pegula, entretanto, não repetiu a passividade do início da decisão.

A americana passou a arriscar mais nos retornos e encontrou maneiras de incomodar a adversária. Gauff chegou a abrir vantagem e ficou muito perto de encerrar a partida quando passou a sacar para o título.

Foi aí que Pegula protagonizou sua última tentativa de reação. Com dois retornos vencedores, a terceira colocada do ranking conseguiu diminuir a diferença para 5/4 e colocou pressão sobre Gauff. A partida, que parecia encaminhada para um fechamento tranquilo, ganhou alguns minutos de tensão.

A campeã, porém, não se desorganizou. Gauff voltou a pressionar no game seguinte e conseguiu quebrar novamente o serviço de Pegula. A vitória veio por 6/2 e 6/4, depois de aproximadamente uma hora e 15 minutos de partida.

Análise: Gauff foi superior em praticamente tudo

A principal diferença da final esteve na capacidade de Gauff de controlar os pontos. Pegula chegou à decisão em excelente fase. A americana havia vencido Amanda Anisimova nas quartas de final em uma partida apertada e depois eliminado Swiatek, então campeã de Cincinnati, em outro duelo de três sets. Era uma campanha que mostrava resistência física e mental.

O problema foi que, contra Gauff, Pegula não teve tempo para transformar sua consistência em vantagem. A campeã atacou desde o início, buscou a bola mais cedo e utilizou a potência do forehand para abrir a quadra. Quando Pegula tentava alongar as trocas, Coco conseguia acelerar. Quando a adversária procurava variar, a campeã tinha velocidade suficiente para recuperar posições e continuar no controle.

Outro ponto decisivo foi a eficiência de Gauff nos momentos em que teve a oportunidade de pressionar o saque rival. A americana abriu 5 a 0 no primeiro set e conseguiu uma quebra logo no começo do segundo. Pegula até encontrou uma reação no final, mas a vantagem construída anteriormente foi suficiente para Coco administrar a partida.

O resultado também encerra um pequeno ciclo na história do confronto entre as duas. Pegula havia vencido cinco dos nove encontros anteriores, enquanto Gauff tinha conseguido triunfos importantes, incluindo a final de Wuhan em 2025 e a vitória nas quartas de Wimbledon em julho de 2026. Antes da final, Pegula tinha uma vantagem de 5 a 4 no confronto direto.  Agora, a rivalidade está ainda mais equilibrada. Mais importante para Gauff, porém, é o momento em que essa vitória acontece.

O Cincinnati Open era o último grande torneio antes do US Open e reuniu duas das principais tenistas americanas da atualidade em uma final histórica. Foi a primeira decisão feminina de simples totalmente americana em Cincinnati desde 1970, quando Rosie Casals derrotou Nancy Richey.

Gauff aproveitou a oportunidade para transformar uma temporada que ainda não tinha terminado decolando em uma preparação ideal para Nova York. A campeã de 2023 do US Open agora volta ao torneio em casa com confiança renovada. O título em Cincinnati não garante nada no Grand Slam, mas muda completamente o cenário psicológico.

Depois de meses buscando uma grande conquista, Gauff finalmente encontrou a resposta.

(Foto: Divulgação/Cincinnati Open)