A temporada 2024/25 foi histórica para o Girona. O time catalão brigou pelo título de La Liga, garantiu vaga na Champions League e se consolidou como um dos projetos mais interessantes do Grupo City na Europa. Porém, a nova temporada não começou nada como o planejado. A estreia em La Liga foi desastrosa, com uma derrota em casa para o Rayo Vallecano, que deixou no ar uma sensação preocupante: será que o projeto ambicioso já está perdendo força?
O jogo no Estadi Montilivi começou morno, sem grandes chances para nenhum lado, até que o Rayo decidiu mudar o ritmo. Aos 18 minutos, a equipe visitante pressionou em bloco alto, como costuma fazer, e colheu um prêmio inesperado. O goleiro Gazzaniga tentou sair jogando com os pés, mas errou feio o passe. Jorge De Frutos aproveitou a falha e empurrou para as redes, marcando o primeiro gol da La Liga 2025/26.
A situação piorou rapidamente para o Girona. Dois minutos depois, De Frutos, que foi escalado como centroavante improvisado por Iñigo Pérez, venceu um duelo contra Krejci, deixou o zagueiro para trás e deu passe açucarado para Álvaro García fazer 2 a 0. Era um início de jogo que ninguém esperava, nem o próprio Rayo, que parecia jogar com a confiança de um time acostumado a competições europeias.
E se a tarde de Gazzaniga já estava complicada, ela se transformou em pesadelo aos 30 minutos. O goleiro tentou driblar De Frutos dentro da área, perdeu a bola e cometeu pênalti, recebendo cartão vermelho direto. Isi Palazón cobrou com categoria e ampliou para 3 a 0 ainda no primeiro tempo. Para o Girona, a sensação era de que o jogo já estava perdido antes do intervalo.
Reação tímida e lampejos positivos
Na volta do segundo tempo, o técnico Míchel fez mudanças para tentar reorganizar o time, e elas surtiram efeito imediato. Mesmo com um jogador a menos, o Girona passou a encontrar mais espaços e conseguiu diminuir o placar com um golaço individual de Tsygankov, que deixou defensores para trás e serviu Joel Roca.
O jovem atacante, que voltou ao clube após empréstimo ao Mirandés, aproveitou bem sua oportunidade. Roca mostrou personalidade, movimentação e faro de gol, se colocando como um nome que pode ganhar relevância ao longo da temporada.
Míchel também colocou em campo Thomas Lemar, emprestado pelo Atlético de Madrid, e o francês conseguiu dar mais fluidez ao jogo, controlando melhor a posse e distribuindo passes de qualidade. Montilivi, por alguns minutos, esqueceu do placar e vibrou com as jogadas do meia, que parece ter chegado para ser titular.
Mesmo com a desvantagem numérica, o Girona ainda teve duas boas chances para encostar no placar: um cabeceio de Krejci que passou por cima do gol e uma finalização de Portu bloqueada por Ciss. Mas a falta de contundência e a organização defensiva do Rayo impediram qualquer reação mais séria.
Um problema maior do que apenas uma derrota
Perder na estreia em casa, tomando três gols no primeiro tempo e com falhas individuais tão graves, não é só um tropeço. É um sinal de que o Girona pode estar longe do nível que apresentou na última temporada. E no contexto de um projeto que envolve o Grupo City, isso gera mais do que frustração: levanta dúvidas sobre planejamento, elenco e até sobre a capacidade de manter a competitividade em alto nível.
O elenco perdeu peças importantes no mercado de verão e as reposições demoraram para chegar. A falta de reforços no ataque, por exemplo, ficou evidente. Só no dia da partida é que o clube anunciou Fran Pérez como novo reforço, mas ele não esteve disponível para jogar. Enquanto isso, Míchel precisou improvisar e lidar com soluções de última hora.
A derrota também escancara a dependência que o time tinha de alguns jogadores-chave que já não estão mais no elenco. Além disso, disputar a Champions League exige rodagem e profundidade no plantel, algo que o Girona ainda não parece ter.
Se na temporada passada a equipe surfou na confiança e na sintonia coletiva, nesta o desafio será muito maior: equilibrar o calendário pesado, lidar com lesões, manter a competitividade no campeonato e ainda tentar avançar na Europa. Um cenário em que qualquer vacilo pode ter efeito em cadeia.
O que esperar daqui para frente pro Girona
Para o Grupo City, o Girona representa não só uma vitrine para jovens talentos, mas também uma oportunidade de fixar o projeto em uma das ligas mais competitivas do mundo. Uma temporada ruim pode minar essa imagem e afetar a valorização de jogadores.
O próximo passo do time é tentar uma resposta rápida. Jogos como o contra o Rayo não podem se repetir, especialmente em casa, onde a campanha passada foi quase impecável. Ajustar o sistema defensivo, garantir segurança na saída de bola e ter mais eficiência no ataque serão prioridades imediatas.
A torcida, que se acostumou com vitórias e atuações empolgantes, também terá papel importante. O ambiente de Montilivi precisa se manter positivo, mesmo com um início complicado, para que a pressão não acabe pesando demais sobre um elenco que já enfrenta desafios extras.
Em resumo, o Girona começa a temporada com um alerta ligado. A derrota para o Rayo não define o que será o ano, mas mostra que o caminho não será fácil. Para um projeto que se acostumou a surpreender, talvez este seja o momento de provar que não vive apenas de um bom momento, mas que tem estrutura para sustentar o sucesso no longo prazo.