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Gjivai Zechiël: por que Arsenal e Chelsea estão de olho na nova sensação do Feyenoord?

Zechiël precisou sair para voltar diferente

A ascensão de Gjivai Zechiël não aconteceu de maneira linear. O meio-campista de 22 anos precisou deixar o Feyenoord temporariamente para construir o caminho que agora o colocou no radar de dois dos principais clubes da Inglaterra.

Depois de receber poucas oportunidades no time principal, Zechiël foi emprestado ao Sparta Rotterdam e, posteriormente, ao FC Utrecht. Foi especialmente em Utrecht que começou a mostrar que poderia ser mais do que uma promessa da base.

Na temporada 2025/26, o jogador disputou 36 partidas de Eredivisie pelo clube e terminou a competição com nove gols e sete assistências, números que ajudaram a explicar por que o Feyenoord decidiu não tratar seu retorno como uma simples volta de empréstimo.

A evolução também foi reconhecida individualmente. Zechiël foi eleito duas vezes o Talento do Mês da Eredivisie na temporada passada, incluindo em maio, quando se destacou principalmente pela capacidade de criação e pelo volume de passes progressivos.

O mais importante, porém, aconteceu quando ele voltou para Rotterdam. Desta vez, Zechiël não voltou apenas para compor elenco, mas, sim, para disputar espaço.

O Feyenoord finalmente encontrou espaço para ele

O início da temporada poderia ter seguido outro caminho. Giovanni van Bronckhorst inicialmente montou o meio-campo do Feyenoord com outras opções, e uma nova saída por empréstimo ou até uma transferência chegou a parecer possível.

A pré-temporada mudou esse cenário. Zechiël ganhou minutos, respondeu dentro de campo e acabou conquistando uma vaga entre os titulares. A partir daí, a oportunidade deixou de ser provisória.

O jogador passou a fazer parte da estrutura da equipe. E os números ajudam a entender a velocidade dessa transformação.

Em agosto, Zechiël foi eleito o Jogador do Mês da Eredivisie depois de participar diretamente de quatro gols em quatro partidas: marcou três vezes e deu uma assistência. Além disso, participou diretamente de 25 finalizações da equipe, entre chutes próprios e oportunidades criadas para os companheiros.

O reconhecimento não veio apenas pelo número de gols. Veio pelo impacto.

Zechiël começou a aparecer mais perto da área adversária, participar da construção e assumir responsabilidades que normalmente não pertencem a um volante ou meio-campista central em formação.

A transformação é justamente essa. Ele deixou de ser apenas um jogador que ajuda o time a jogar. Começou a ser um jogador que também decide.

O meio-campista que passou a aparecer no último terço

Talvez essa seja a principal característica que explica o interesse de Arsenal e Chelsea.

Zechiël tem características de um meio-campista capaz de atuar em diferentes zonas do campo. Não é simplesmente um jogador de contenção, tampouco depende exclusivamente de estar perto da área para produzir.

Ele consegue participar da saída, avançar com a bola e aparecer no último terço.

A própria Eredivisie destacou sua evolução como um meio-campista box-to-box, ressaltando justamente o aumento de sua presença na área adversária e de sua capacidade de decidir com gols e assistências.

Esse perfil é especialmente valorizado no futebol atual. Um meio-campista que consegue contribuir sem a bola, carregar a posse e ainda chegar à área oferece ao treinador mais possibilidades para construir o sistema.

E Zechiël parece estar desenvolvendo justamente essa combinação.

Não por acaso, ele começou a temporada de maneira muito mais produtiva do que a anterior. Os dados de Opta compilados pelo FBref mostram cinco gols e quatro assistências em sete partidas de Eredivisie nesta temporada.

É uma amostra pequena, naturalmente. Mas é uma amostra difícil de ignorar.

Arsenal e Chelsea enxergam um jogador que ainda pode evoluir

O interesse dos clubes ingleses também precisa ser colocado no contexto correto.

Arsenal e Chelsea monitoram Zechiël, segundo informações repercutidas a partir do CaughtOffside, mas isso não significa que exista uma negociação avançada ou que algum dos dois clubes tenha feito uma proposta. O que existe, neste momento, é acompanhamento do jogador pensando na próxima janela.

E há uma razão para esse monitoramento fazer sentido. Zechiël ainda não chegou ao seu teto.

A idade é um fator importante. Aos 22 anos, ele já acumulou experiência profissional em diferentes contextos, mas ainda está em uma fase na qual uma mudança de ambiente pode acelerar — ou interromper — seu desenvolvimento.

O próprio Feyenoord parece enxergar margem para crescimento.

Em 17 de setembro, o clube anunciou a renovação do contrato do meio-campista até junho de 2029. A extensão também mostra que, depois de uma temporada em que o futuro do jogador parecia menos definido, o cenário mudou completamente.

Agora, o Feyenoord tem mais segurança para decidir o futuro do jogador.

E também mais poder para negociar caso o interesse inglês se transforme em proposta.

A convocação para a Holanda muda o tamanho da história

Se a ascensão no Feyenoord colocou Zechiël no radar internacional, a convocação para a seleção holandesa elevou o patamar da história.

Xavi Hernández, novo técnico da Holanda, incluiu o meio-campista em sua primeira convocação. Zechiël passou a integrar um grupo que reúne jogadores já estabelecidos no futebol europeu e jovens que podem representar uma nova geração da seleção.

A convocação não significa que ele já tenha conquistado um lugar definitivo na equipe. Mas representa uma consequência importante do momento que vive no clube.

Zechiël passou, em pouco mais de um ano, de jogador emprestado para titular do Feyenoord e convocado para a seleção principal. Essa trajetória ajuda a explicar por que Arsenal e Chelsea começaram a olhar para ele.

O que antes era uma aposta de desenvolvimento agora virou um jogador com produção, minutos, responsabilidade e visibilidade internacional.

O próximo passo será provar que não é apenas uma grande sequência

É justamente aqui que a história fica mais interessante. Os números atuais são fortes, mas não podem ser tratados como garantia de que Zechiël se tornará uma estrela da Premier League.

Sete ou oito partidas não definem uma carreira. O desafio agora é manter o nível quando os adversários passarem a conhecê-lo melhor, quando a pressão aumentar e quando a temporada entrar nas fases mais importantes.

O Feyenoord já mostrou que confia nele. A Holanda abriu a porta. Arsenal e Chelsea passaram a observar. Mas a parte mais difícil começa justamente quando o jogador deixa de ser uma surpresa.

Zechiël precisou de empréstimos para encontrar continuidade, voltou ao Feyenoord sem garantia de titularidade e transformou a oportunidade em protagonismo. Agora, precisa fazer o mesmo em um nível ainda maior.

Porque a história que começou com um jovem procurando espaço no próprio clube já chegou a um ponto em que gigantes da Premier League estão olhando para Rotterdam. E, se Gjivai Zechiël continuar evoluindo no mesmo ritmo, talvez a próxima pergunta não seja mais por que Arsenal e Chelsea querem contratá-lo. Será qual deles estará disposto a apostar mais alto para tirá-lo do Feyenoord.

Foto: Reprodução/ESPN