Na Premier League, a briga por uma vaga na Champions League está se transformando, cada vez mais, em uma corrida que ninguém quer ganhar. Pelo segundo ano consecutivo, tudo indica que os cinco primeiros colocados da liga garantirão vaga na próxima edição do torneio. Ainda assim, o cenário segue indefinido, mas muito mais por tropeços do que por méritos.
Derrotas inesperadas e a falta de regularidade vêm impedindo que os principais candidatos se consolidem. E isso abre espaço para um cenário improvável: times fora do radar entrando de vez na disputa. Hoje, clubes como Everton, Brentford e até Fulham e Brighton ainda aparecem como candidatos reais.
A forma vai pela janela
Enquanto o Arsenal caminha para o título, com o Manchester City como único perseguidor mais consistente, a disputa pelas vagas restantes virou um cenário instável. Hoje, três posições seguem com uma vaga indefinida: Manchester United (55 pontos), Aston Villa (51) e Liverpool (49)
O grande entrave é que nenhum deles consegue manter uma sequência confiável. Apenas Arsenal e City estão invictos nos últimos seis jogos. Abaixo disso, a irregularidade domina.
Os Red Devils somam 23 pontos nos últimos 10 jogos e vive boa fase sob o comando de Michael Carrick. Ainda assim, o empate, sob muitas polêmica de arbitragem, com o Bournemouth freou a tentativa de aproximação ao topo.
Os Villans, que chegaram a embalar oito vitórias seguidas, perderam fôlego e, agora, acumulam três derrotas consecutivas.
Já os Reds vivem um cenário ainda mais preocupante. A equipe de Arne Slot já soma 10 derrotas na liga — algo que não acontecia desde 2015/2016 — e desperdiçou a chance de ultrapassar o Villa após perder para o Brighton.
Everton reaparece no cenário

Se há uma história que chama atenção, é a do Everton. O clube não disputa a Champions desde 1970/71 e teve participações esporádicas em competições europeias nas últimas décadas: a mais recente em 2017/18, na Liga Europa.
Dessa vez, em 2025/2026, os Toffees aparecem em 8° lugar, apenas três pontos atrás do top 5. Sob o comando de David Moyes, o time saiu de uma luta contra o rebaixamento para uma disputa por vaga europeia. E o próprio treinador reconhece o peso da situação.
“Só de estarmos nessa disputa já é incrível. Há um ano, lutávamos contra o rebaixamento. Se conseguirmos, o impacto na torcida será enorme.”
Brentford e o fator surpresa

Outro caso simbólico é o do Brentford. Apontado como candidato ao rebaixamento no início da temporada, o clube virou a narrativa sob o comando de Keith Andrews. Antes do empate com o Wolverhampton, o clube exibiu no estádio previsões pessimistas da pré-temporada e ela foram encerradas com a provocação: “Calem a boca!”.
Dentro de campo, a resposta veio com desempenho sólido o suficiente para colocar os Bees na briga por vagas europeias. Só que ainda assim, o empate recente mostrou o quanto cada ponto faz falta.
“Está tudo muito apertado. Fizemos um trabalho incrível para chegar até aqui, mas será preciso um esforço gigantesco para manter esse nível”, afirmou Andrews.
O retrato da disputa

A realidade hoje é simples: ninguém embala, se impõe e todos deixam pontos pelo caminho. Isso transforma a corrida por uma vaga na Champions em um cenário, ao mesmo tempo. aberto e perigoso. Em meio à instabilidade dos favoritos, basta uma sequência curta para mudar completamente a tabela.
Mais do que prestígio, a vaga na Champions representa impacto direto no planejamento esportivo e financeiro dos clubes. E, neste momento, a disputa não parece ser decidida por quem joga mais, e sim por quem errar menos na reta final.
Créditos da foto de capa: Richard Martin-Roberts/CameraSport