O empate por 0 a 0 entre Internacional e Grêmio no Gre-Nal 452 não foi apenas mais um resultado sem gols. Foi um retrato fiel de dois times limitados, previsíveis e, sobretudo, sem soluções ofensivas. Em um dos clássicos mais intensos do futebol brasileiro, o que se viu no Beira-Rio foi um jogo travado, pobre tecnicamente e com pouquíssima criatividade, algo que acende um alerta importante para a sequência do Campeonato Brasileiro.
Desde o início, o duelo foi marcado por muito estudo e quase nenhuma ousadia. A primeira etapa teve raríssimas chances reais, com destaque apenas para uma jogada em que Borré finalizou e exigiu boa defesa de Weverton. Fora isso, praticamente nada aconteceu. O segundo tempo seguiu o mesmo roteiro: muita disputa física, interrupções constantes e um vazio criativo preocupante.
Os números e a percepção geral reforçam a crítica: o Internacional teve apenas três chegadas mais perigosas em 90 minutos, enquanto o Grêmio criou basicamente uma chance clara em bola parada. Isso não é apenas pouco, é sintoma de um problema estrutural nos dois lados.
O grande ponto em comum entre as equipes foi a incapacidade de transformar posse em perigo. O Internacional até tentou controlar o jogo, mas sua circulação de bola foi lenta e previsível. Faltou agressividade entre linhas e infiltração e sobrou dependência de jogadas individuais. Alan Patrick, principal articulador, teve lampejos, mas ficou isolado em um sistema que pouco favorece movimentos coordenados.
Já o Grêmio apresentou um cenário ainda mais preocupante. A equipe praticamente abdicou de propor jogo e apostou em transições que nunca se concretizaram. Mesmo quando teve espaços, faltou qualidade no último passe e presença ofensiva. O time terminou o clássico sustentando um empate que pouco agrega e ainda com um jogador a menos nos minutos finais após a expulsão de Viery.
O problema não é apenas técnico, mas também conceitual. Ambos os times parecem não ter repertório ofensivo. Não há variação de jogadas, não há mecanismos claros para furar defesas fechadas, e tudo depende de erros do adversário. Quando esses erros não acontecem, como no Gre-Nal, o resultado é um jogo estéril.

Gre-Nal apresenta deficiências claras dos dois lados
No caso do Internacional, a principal deficiência está na transição ofensiva. O time até consegue chegar ao terço final, mas não sabe o que fazer com a bola. Falta movimentação coordenada, aproximação e presença de área. Além disso, há uma lentidão excessiva na construção, que permite ao adversário sempre se recompor.
Outro ponto crítico é a previsibilidade. O Inter insiste em jogadas pelos mesmos corredores e não consegue surpreender. Isso torna a equipe fácil de ser marcada, especialmente em jogos grandes.
Já o Grêmio sofre com um problema ainda mais básico: a criação. O time tem enorme dificuldade para construir jogadas desde o meio-campo. Falta um organizador claro, alguém que dite o ritmo e consiga conectar defesa e ataque. Sem isso, o time vive de bolas paradas ou jogadas esporádicas.
Além disso, há pouca presença ofensiva. Os atacantes ficam isolados, e o time raramente consegue colocar vários jogadores em situação de finalização. Isso explica o baixíssimo número de chances criadas.
O resultado do Gre-Nal manteve os dois clubes com 13 pontos, estacionados no meio baixo da tabela, longe da briga na parte de cima e ainda sem a tranquilidade de quem pode ignorar a zona de rebaixamento.
Mais do que a posição, preocupa o desempenho. Times que produzem tão pouco ofensivamente tendem a sofrer ao longo do campeonato, especialmente em uma competição longa e equilibrada como o Brasileirão. A tendência, se não houver evolução, é de campanhas irregulares e flertes perigosos com a parte de baixo da tabela.
O Grêmio, por exemplo, já acumula uma sequência sem vitórias e vê a pressão aumentar sobre sua comissão técnica. O Internacional, por sua vez, perde a chance de se afirmar em casa e demonstra dificuldades em assumir protagonismo.
O que precisa mudar imediatamente para a dupla Gre-Nal
Para o Internacional, a prioridade deve ser acelerar o jogo e diversificar o ataque. Isso passa por maior mobilidade dos jogadores de frente, melhor ocupação de espaços e, principalmente, treinar mecanismos ofensivos que não dependam apenas de talento individual.
Já o Grêmio precisa, antes de tudo, encontrar um modelo de jogo. É urgente definir uma ideia clara de construção ofensiva, seja com um meia mais criativo ou com ajustes táticos que aproximem os setores. Sem isso, o time continuará inofensivo.
Além disso, ambos precisam aumentar a intensidade sem a bola, mas com inteligência. O Gre-Nal teve muita disputa física, mas pouca qualidade e intensidade sem organização não resolve.
O Gre-Nal 452 não foi apenas um jogo ruim. Foi um diagnóstico. Mostrou que, hoje, nem Internacional e tampouco Grêmio têm nível de competitividade ofensiva para brigar por algo relevante no Brasileirão.
Se não houver evolução rápida, principalmente na criação e na capacidade de gerar chances, o cenário para a dupla Gre-Nal é claro: uma temporada de mediocridade, marcada por irregularidade e, no pior dos casos, pela luta contra a parte de baixo da tabela.
(Imagem de capa: Ricardo Duarte / Internacional)