Futebol

Camisa pesa? Grêmio elimina o Juventude, mas segue deixando a desejar

O Grêmio sofreu demais, porém, a exemplo do duelo pela Copa do Brasil diante do São Raimundo, superou o adversário nos pênaltis, chegando à sua oitava decisão do Gauchão.

O imortal tricolor está levando a sério o apelido, se salvando de eliminações na bacia das almas. Se por um lado, o time segue vivo em todas as competições, o desempenho deixa a desejar. Se não bastasse, o descontrole do técnico Gustavo Quinteros mostra o desequilíbrio claro na gestão gremista.

A partida foi muito pegada, com cara de futebol gaúcho. Os times demonstraram muito mais transpiração do que inspiração no primeiro tempo, porém, após a expulsão do zagueiro Jemerson, o Grêmio passou a sofrer com a pressão do Juventude, que adiantou as linhas foi com tudo em busca do resultado, após ter perdido o jogo de ida por 1 a 0.

O Ju continuou empurrando o Grêmio para atrás no segundo tempo e, primeiro Adriano Martins, depois Mandaca, aos 39 minutos, anotou o resultado que a torcida no Alfredo Jaconi queria.

Entretanto, na base do abafa, numa bicicleta polêmica, aos 51 minutos, Gustavo Martins salvou o tricolor gaúcho e foi o estopim de uma confusão que culminou na expulsão do técnico Quintero, que agrediu o atacante Ênio. Reginaldo, do Juventude, também foi expulso. Desta forma, com o placar de 2 a 1 para o Juventude, o finalista seria decidido nas penalidades máximas.

Nos pênaltis, o brilho de Tiago Volpi, que já havia sido o responsável por segurar o ataque do Juventude, que martelou a meta gremista, pegou as cobranças de Alan Ruschel e Nenê e contou com o desperdício de Ênio também.

Grêmio marca no fim e se garante na final do Gauchão pela oitava vez consecutiva
Grêmio marca no fim e se garante na final do Gauchão pela oitava vez consecutiva (Imagem: Lucas Uebel / Grêmio FBPA)

Grêmio tem mais sorte do que juízo

O Grêmio, com um elenco mais capacitado que o Juventude, jogou de maneira covarde, sofrendo bastante sem a bola e com uma imensa falta de criatividade no ataque.

Por incrível que pareça, o tricolor viveu de algumas poucas bolas alçadas na área, tornando os zagueiros mais perigosos que os atacantes.

O Campeonato Gaúcho não prima por grande abundância técnica, mas o Grêmio conseguiu se igualar com a média da competição, passando para a final sem convencer seu torcedor.

O peso da camisa pode até explicar a presença gremista na decisão, já que o apoio volume de jogo na base do abafa salvou o time mais uma vez.

Pelo que se viu, caso o Internacional também confirme presença na decisão do Gauchão, chegará na final com um leve favoritismo, pois hoje é um time melhor treinado, mais organizado e com um elenco melhor.

O atraso na montagem do plantel, o período de adaptação e as escolhas duvidosas de Gustavo Quinteros, além das lacunas claras no time em relação às laterais e o setor de criação, fazem o início de temporada do Imortal Tricolor viver muito mais de mística do que de bom futebol.

(Imagem de capa: Luiz Erbes/Agif)