Depois de anos de domínio nacional e conquistas internacionais, o Manchester City vive uma de suas temporadas mais turbulentas sob o comando de Pep Guardiola. A classificação para a próxima Champions League ainda não está assegurada, algo impensável até pouco tempo para o atual tricampeão inglês, e o empate sem gols diante do já rebaixado Southampton na última rodada é o retrato de um time que perdeu parte de sua identidade dominante.
No entanto, o maior obstáculo que Guardiola terá pela frente não está nos gramados das últimas rodadas, mas sim na sala de planejamento da próxima janela de transferências: substituir Kevin De Bruyne.
O craque belga já comunicou que não renovará seu contrato com o City, que se encerra em 30 de junho. Aos 33 anos, De Bruyne prepara-se para uma nova experiência – possivelmente no Napoli – enquanto Guardiola se debruça sobre a missão de reorganizar um setor que, por anos, teve no camisa 17 sua principal referência criativa, técnica e tática.
A saída de De Bruyne representa o encerramento de um ciclo e abre espaço para uma reformulação profunda no meio-campo do City. Nomes como Ilkay Gündogan, que já deixou o clube, e Bernardo Silva, frequentemente ligado a transferências, indicam que o setor viverá uma transformação significativa.
Guardiola quer Tijjani Reijnders
Nesse contexto, Pep Guardiola identificou em Tijjani Reijnders, do Milan, uma das peças fundamentais para renovar o meio-campo. O holandês, que se destacou nesta temporada pela consistência, qualidade técnica e versatilidade, é visto como o sucessor ideal de Gündogan, mas também pode preencher parte do vazio deixado por De Bruyne. Reijnders já declarou que De Bruyne é seu ídolo, o que acrescenta um simbolismo interessante à possível transferência.
Contudo, a operação não será simples. O jogador renovou com o Milan até 2030, com salário ajustado para 3,5 milhões de euros por temporada. Além disso, o clube italiano o considera peça essencial para o futuro e só aceitaria uma proposta irrecusável – o que não impediu o City de iniciar os primeiros contatos exploratórios com seu entorno. A torcida do Milan gosta muito do jogador, e perder ele irá doer.
Florian Wirtz
Paralelamente, Guardiola tem outro nome de peso no radar: Florian Wirtz, astro do Bayer Leverkusen. Com apenas 21 anos, o alemão foi protagonista na histórica campanha invicta do clube na Bundesliga, somando 16 gols e 15 assistências na temporada. Wirtz é apontado por Guardiola como um talento capaz de assumir a função de meia central criativo, e poderia ser moldado para desempenhar um papel semelhante ao de De Bruyne, inclusive recuando para organizar o jogo desde a base do meio-campo. No entanto, o Bayer só aceita vendê-lo por uma quantia próxima a 150 milhões de euros, valor que o City não hesitaria em pagar, caso o jogador manifeste o desejo de deixar a Alemanha.
Morgan Gibbs-White
Como alternativa, surge ainda o inglês Morgan Gibbs-White, destaque do Nottingham Forest, com 6 gols e 10 assistências. O jogador de 24 anos ajudou a recolocar o time entre os protagonistas da Premier League, e seu estilo também agrada a Guardiola.
Mais do que encontrar um substituto técnico, Guardiola enfrenta o desafio de reconstruir a espinha dorsal de sua equipe. De Bruyne não era apenas um jogador decisivo, mas o reflexo da filosofia do treinador catalão em campo: inteligência, leitura tática, poder de decisão e entrega total. Encontrar alguém que preencha esse papel exige mais do que recursos financeiros – exige visão, adaptação e, acima de tudo, paciência.
Essa pode ser, portanto, a transição mais delicada desde que Guardiola chegou ao Manchester City. E a maneira como ele lidar com essa nova fase poderá determinar o rumo de sua era no clube.