Viktor Gyokeres chegou ao Arsenal cercado de expectativas e com a missão de resolver um problema que o clube enfrentava há algumas temporadas: encontrar um centroavante capaz de assumir protagonismo no ataque. Depois de construir uma reputação importante em Portugal, o sueco desembarcou em Londres com números expressivos e a expectativa de se transformar no camisa 9 de referência da equipe. No entanto, o início desta temporada está sendo diferente do esperado, principalmente pela preferência de Mikel Arteta por Kai Havertz.
Enquanto Gyokeres ainda busca espaço no Arsenal, a situação ganhou novos contornos durante a Data Fifa. O atacante encontrou pela seleção da Suécia o ritmo e a confiança que ainda não conseguiu apresentar com a camisa dos Gunners. Em 165 minutos pela seleção, ele já marcou dois gols, incluindo o gol da vitória contra a Romênia pela UEFA Nations League e outro na vitória por 3 a 1 sobre a Polônia.
Os números mostram uma diferença importante. Pelo Arsenal, Gyokeres ainda não marcou em 207 minutos disputados nesta temporada. Pela Suécia, precisou de apenas 165 minutos para balançar as redes duas vezes. A diferença não significa, por si só, que o atacante esteja necessariamente rendendo melhor em todos os aspectos, mas mostra que ele está conseguindo participar mais diretamente das ações ofensivas quando atua pela seleção.
Havertz continua sendo a primeira escolha de Arteta

A principal dificuldade para Gyokeres conquistar uma sequência como titular está na hierarquia estabelecida por Arteta. Quando está saudável, Kai Havertz é o centroavante preferido do treinador. O alemão ocupa essa posição mesmo tendo passado uma parte considerável dos últimos 18 meses afastado por problemas físicos.
Agora, a situação voltou a exigir atenção. Havertz sofreu uma lesão muscular na coxa enquanto defendia a Alemanha na semana passada. A lesão não é considerada grave, mas ainda não existe uma previsão mais concreta para seu retorno. Isso abre uma possibilidade para Gyokeres justamente em um momento no qual o sueco começa a recuperar confiança.
A utilização do atacante pelo Arsenal nesta temporada ajuda a entender por que seus números ainda são baixos. Na Premier League, Gyokeres recebeu somente 29 minutos dos 450 possíveis mencionados no período analisado. Isso representa uma participação bastante limitada no campeonato e dificulta a criação de ritmo, especialmente para um centroavante que depende de movimentação, confiança e sequência de jogos.
Na Carabao Cup, ele teve uma oportunidade maior e permaneceu durante os 90 minutos contra o Ipswich Town. Mesmo com o Arsenal marcando quatro gols, Gyokeres não conseguiu deixar sua marca. Ele finalizou apenas uma vez e registrou 0,05 de gols esperados, o xG, indicador que mede a qualidade das oportunidades de finalização.
Na Champions League, a situação também foi complicada. Contra o Napoli, Gyokeres foi titular, mas teve apenas nove toques na bola. Para um jogador contratado com a expectativa de ser referência ofensiva, esse número mostra como sua participação na partida foi reduzida.
Por isso, a boa fase pela Suécia chega em um momento importante. Gyokeres está demonstrando que continua tendo capacidade para decidir partidas e aparecer em momentos importantes. O desafio agora é transportar esse desempenho para o futebol de clubes.
Os números da Suécia aumentam a pressão por uma oportunidade

A passagem de Gyokeres pela seleção ganhou ainda mais importância porque Alexander Isak não estava disponível. Sem um dos principais nomes do ataque sueco, Gyokeres assumiu maior responsabilidade ofensiva e respondeu com gols.
Contra a Romênia, marcou o gol que garantiu a vitória sueca. Diante da Polônia, voltou a balançar as redes no triunfo por 3 a 1. Mesmo tendo apresentado um primeiro tempo abaixo do segundo, o atacante conseguiu aparecer novamente e deixar sua marca.
Esse desempenho também ganha peso pelas próprias declarações do jogador. Após a partida contra a Romênia, Gyokeres afirmou de forma direta que queria jogar. A frase resume a situação atual do atacante no Arsenal. Ele precisa de minutos para demonstrar que pode ocupar o posto de titular, mas a preferência de Arteta por Havertz limita justamente essas oportunidades.
Quando chegou ao Arsenal em 2025, Gyokeres carregava números impressionantes do período em Portugal. Foram 97 gols em duas temporadas, marca que ajudou a criar a expectativa de que finalmente o clube havia encontrado o camisa 9 que procurava havia anos.
A primeira temporada, porém, não confirmou completamente essa expectativa. Mesmo tendo sido utilizado 55 vezes, em grande parte devido aos problemas físicos de Havertz, Gyokeres terminou com 21 gols. O número é respeitável, mas existe um dado que chama atenção: ele marcou apenas uma vez contra uma equipe que terminou entre as dez melhores finalizadoras da Premier League e não marcou contra equipes do grupo das cinco primeiras.
Isso ajuda a explicar por que a disputa com Havertz continua aberta apenas parcialmente. Gyokeres possui números importantes, mas ainda precisa mostrar que consegue produzir contra adversários de maior nível e, principalmente, dentro do modelo de jogo do Arsenal.
Leeds será um teste importante para Gyokeres

A próxima sequência do Arsenal pode oferecer uma oportunidade significativa ao sueco caso Havertz continue fora. Quando o futebol de clubes retornar, os Gunners enfrentarão o Leeds United, uma equipe que apresentou uma defesa bastante sólida no início da temporada.
O Leeds sofreu apenas três gols em cinco partidas e aparece entre as defesas menos vazadas da divisão. Isso transforma o confronto em um teste relevante para Gyokeres. Caso seja escolhido por Arteta, ele terá pela frente uma equipe que oferece poucas oportunidades e exigirá eficiência para transformar as chances criadas em gols.
É justamente nesse cenário que a fase pela Suécia pode fazer diferença. Gyokeres chega ao período de retorno do futebol de clubes com dois gols em 165 minutos pela seleção, enquanto ainda busca seu primeiro gol da temporada pelo Arsenal após 207 minutos.
Os números, portanto, mostram dois momentos diferentes do mesmo jogador. Pela Suécia, Gyokeres encontrou espaço, sequência e participação ofensiva. Pelo Arsenal, recebeu menos minutos e teve dificuldades para entrar no jogo. A ausência de Havertz pode mudar temporariamente essa dinâmica.
A oportunidade, precisará ser aproveitada dentro de campo. A boa fase pela seleção coloca Gyokeres em uma posição mais favorável para reivindicar minutos, mas o atacante ainda precisa transformar essa confiança em desempenho pelo Arsenal. O próximo período da temporada poderá mostrar se os gols pela Suécia foram apenas uma boa sequência internacional ou o começo de uma mudança na disputa pela posição de camisa 9.
(Foto de capa: Linnea Rheborg/UEFA/Getty Images)



