O artilheiro extraordinário Erling Haaland finalmente terá a oportunidade de disputar seu primeiro grande torneio internacional no próximo verão, depois de conduzir a Noruega à Copa do Mundo. O atacante do Manchester City, atualmente com 25 anos, alcançou esse feito de maneira impressionante: anotou 16 gols em oito partidas das Eliminatórias Europeias — balançando as redes ao menos uma vez em cada confronto. Com esse desempenho, tornou-se o maior goleador do torneio continental. Na vitória por 4 a 1 sobre a Itália, no San Siro, no último domingo, marcou duas vezes, garantindo à seleção nórdica um lugar no Mundial da Fifa, que será realizado no Canadá, Estados Unidos e México.
Essa será apenas a quarta participação da Noruega em uma Copa do Mundo e o primeiro grande torneio desde a Euro 2000. O desempenho de Haaland pela seleção é simplesmente assombroso — assim como ocorre no Manchester City, onde lidera a artilharia da atual temporada da Premier League. Em 48 jogos com a camisa de seu país, ele já marcou 55 gols. Ele também se tornou apenas o sexto jogador da história a atingir 50 gols em menos de 50 partidas por uma seleção nacional, algo que ninguém conseguia havia 53 anos. O recorde norueguês anterior pertencia a Jorgen Juve, autor de 33 gols, marca que resistiu durante nove décadas.
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, Erling Haaland acumulou 16 gols e duas assistências em apenas oito partidas — o dobro de qualquer outro atleta na Europa. É também o maior artilheiro entre todos os continentes, mesmo competindo com jogadores que disputam o dobro de jogos nas fases classificatórias. Já faz mais de um ano que o atacante não passa em branco pela Noruega. Contando também seu desempenho pelo Manchester City, já anotou 32 gols em 20 jogos nesta temporada.
Mas a campanha histórica da Noruega não se resume ao brilho do seu centroavante. O capitão Martin Odegaard, de 26 anos, liderou o torneio em assistências, com sete passes decisivos. O meio-campista do Arsenal já soma 67 partidas pela seleção desde que estreou aos 15 anos. Após uma geração inteira sem disputar torneios de grande porte, os torcedores escandinavos voltam a experimentar o entusiasmo de ver seu país em uma competição internacional — com Haaland como o grande ícone dos novos vikings.
Antes de confirmar a vaga em 2026, a Noruega havia participado das Copas de 1938, 1994 e 1998, além da Euro 2000. Alf Inge Haaland, pai de Erling, esteve presente no Mundial de 1994. O atacante do City já declarou que superar o pai sempre foi uma motivação pessoal. Alfie nunca conquistou troféus por clubes como Nottingham Forest, Leeds ou Manchester City, enquanto Erling já venceu a Tríplice Coroa pelos Citizens na temporada 2022/23, além de títulos na Áustria e na Alemanha. Jogar uma Copa do Mundo era, até então, a única conquista relevante em que o pai levava vantagem.

Em grande fase na Noruega e no Manchester City, Haaland evita entrar para a lista de azarados
A classificação para a Copa do Mundo de 2026, no Canadá, nos Estados Unidos e no México, impede que Haaland seja incluído na lista de grandes jogadores que jamais disputaram o torneio. Três vencedores da Bola de Ouro, por exemplo, nunca chegaram ao Mundial.
Ao contrário do norueguês, George Weah — que brilhou por Monaco, PSG, Milan e Chelsea — defendia a Libéria, país que jamais disputou uma Copa. George Best, lendário ponta do Manchester United e frequentemente citado entre os maiores da história, representou a Irlanda do Norte nas décadas de 1960 e 1970, quando a seleção não conseguiu se classificar.
Além deles, Alfredo Di Stéfano, mito do Real Madrid, jogou por Argentina, Colômbia e Espanha, mas jamais disputou um Mundial. Ele perdeu a Copa de 1962 por lesão, assim como outro multicampeão que não participou do torneio — László Kubala, ícone do Barcelona, que também atuou por Tchecoslováquia e Hungria.
Por fim, Gunnar Nordahl, maior artilheiro da história do Milan com 221 gols, tampouco jogou uma Copa pela Suécia, já que o país proibia a participação de atletas profissionais na seleção. O mesmo destino tiveram as lendas galesas Ryan Giggs e Ian Rush, que nunca atuaram em Mundiais.

Haaland e a Noruega: a força imparável que mira voos mais altos na Copa do Mundo de 2026
O atacante Erling Haaland não apenas recolocou a Noruega em uma Copa do Mundo após quase 30 anos — tornou-se também o símbolo de uma seleção que chega ao torneio disposta a romper barreiras. Depois de liderar a campanha europeia com atuações decisivas, o atacante do Manchester City passa agora a canalizar sua influência para um propósito maior: transformar a Noruega em uma candidata real a surpreender no Mundial de 2026.
O impacto imediato de seu protagonismo elevou o patamar da equipe. A confiança cresceu ao longo da campanha, impulsionada pela eficiência e pela imposição física de Haaland, que se consolidou como referência dentro e fora de campo. No vestiário, assume uma postura mais vocal e participativa, consciente do peso que sua presença confere ao time no cenário internacional.
Em campo, a estratégia é clara: transformar o poder ofensivo do camisa 9 na arma central da equipe. A Noruega trabalha para montar um sistema que potencialize seu jogo na área, com pontas agressivos, transições rápidas e volume suficiente para criar oportunidades constantes. A comissão técnica aposta na combinação entre a força de Haaland, a inteligência criativa de Martin Odegaard e a experiência de jogadores mais veteranos para manter o equilíbrio.
O grupo acredita ainda que um torneio sediado em três países pode oferecer vantagens a uma seleção em ascensão. As longas viagens e as mudanças de ambiente, que tradicionalmente pesam sobre equipes mais conservadoras, podem ser administradas com naturalidade por um elenco jovem, habituado ao ritmo variável do futebol europeu e guiado por um líder em plena maturidade.
Além disso, Haaland já afirmou recentemente que a Noruega chega ao Mundial “sem temer ninguém” e com o objetivo de “competir até o fim”. Essa confiança se apoia sobretudo em seu desempenho regular nos grandes palcos. Chegando ao torneio na melhor fase da carreira, acumulando recordes na Inglaterra e mantendo um nível raríssimo entre centroavantes europeus, ele se torna peça essencial para decisões em fases eliminatórias — território no qual a Noruega nunca teve um protagonista tão dominante.
Seus gols não representam apenas participação: representam ambição. A Noruega sabe que não está entre as favoritas, mas conta com uma arma capaz de mudar qualquer jogo. E, em Copas do Mundo, ter um goleador de elite costuma ser o primeiro passo para transformar sonhos improváveis em campanhas inesquecíveis. A missão agora é converter a força imparável de Haaland em um capítulo histórico para o país.
(Foto: Getty Images)