Erling Haaland está vivendo um sonho na Copa do Mundo e talvez o melhor momento de toda a sua trajetória no futebol. Com sete gols em quatro partidas, o atacante do Manchester City liderou a surpreendente campanha da Noruega até as quartas de final do Mundial de 2026, feito inédito para o país. Mas nem tudo foi tão simples assim.
Dois anos antes de virar o principal nome da competição ao lado de Lionel Messi, Haaland era alvo de duras críticas dentro da própria Noruega. O camisa 9 foi acusado de agir com arrogância, recebeu ataques da imprensa local e precisou pedir desculpas publicamente após um episódio que marcou sua relação com a seleção nacional. O curioso é que justamente aquela noite desastrosa acabou servindo como ponto de partida para a fase mais dominante de sua carreira vestindo a camisa norueguesa.
A noite que colocou Haaland no centro da polêmica
A seleção da Noruega chegou aos últimos anos carregando uma enorme frustração. Apesar de contar com uma geração talentosa formada por nomes como Martin Ødegaard, Alexander Sørloth e o próprio Erling Haaland, o país seguia sem conseguir transformar qualidade individual em resultados.
Os noruegueses não disputavam uma grande competição desde a Eurocopa de 2000 e acumulavam eliminações nas qualificatórias. A sensação era de que havia talento de sobra, mas faltava algo para transformar a equipe em protagonista.
Leia Também:
Copa do Mundo: confira a seleção das quartas de final do torneio
Erling Haaland explode na Copa do Mundo e se torna fenômeno mundial além da Premier League; veja
Copa do Mundo 2026: os quatro momentos que fizeram o torneio entrar para a história
Espanha mostra sua força e expõe problemas da França; confira as impressões do jogo
O momento mais complicado aconteceu em 13 de outubro de 2024, durante a Liga das Nações. Jogando em Linz, a Noruega sofreu uma goleada por 5 a 1 para a Áustria em uma atuação considerada desastrosa.
O placar já era pesado por si só, mas a forma como aconteceu aumentou ainda mais a revolta. A Áustria dominou completamente a partida, terminou com 62% de posse de bola e acertou dez finalizações no alvo. A Noruega praticamente desapareceu do jogo após o intervalo, sofrendo três gols em apenas 17 minutos.
Como se a atuação não bastasse, veio o episódio que gerou ainda mais repercussão.
O silêncio após a derrota aumentou a revolta
Naquela partida, Haaland usava a braçadeira de capitão por conta da ausência de Martin Ødegaard, lesionado. Naturalmente, a expectativa era de que ele fosse falar com a imprensa após uma derrota tão pesada. Mas isso não aconteceu.
O atacante deixou o estádio sem conceder entrevistas, assim como outros jogadores importantes da equipe. A decisão provocou uma avalanche de críticas da imprensa norueguesa.
Comentaristas afirmaram que um capitão precisa assumir responsabilidades justamente nos momentos mais difíceis. O canal público NRK classificou a atitude como inaceitável, enquanto o jornal VG destacou em sua manchete que o capitão havia se recusado a falar.
Representantes da associação de jornalistas esportivos da Noruega também criticaram o comportamento do atacante, afirmando que o silêncio poderia transmitir uma imagem de arrogância justamente em um momento no qual o torcedor esperava explicações.
Foi, sem dúvidas, um dos períodos mais complicados da imagem pública de Haaland em seu país.
Pedido de desculpas mudou completamente a história
Diferentemente de muitos atletas que preferem ignorar críticas, Haaland resolveu agir rapidamente.
Pouco depois da derrota, o atacante publicou uma mensagem nas redes sociais assumindo o erro.
Além de pedir desculpas pela atuação coletiva, reconheceu que deveria ter conversado com os jornalistas logo após a partida. Antes da Data Fifa seguinte, reforçou novamente que sua postura havia sido equivocada.
A mensagem era simples, mas teve grande impacto.
Mais importante do que o discurso foi o que aconteceu dentro de campo.
Haaland prometeu que a Noruega buscaria seis pontos nos dois compromissos seguintes da Liga das Nações. A promessa foi cumprida e com sobras.
A seleção venceu a Eslovênia por 4 a 1 fora de casa, goleou o Cazaquistão por 5 a 0 e viu seu camisa 9 marcar um hat-trick. Parecia que toda a frustração acumulada havia sido transformada em combustível. Às vezes, um pedido de desculpas resolve mais do que mil coletivas.
Os números impressionam desde aquela derrota
Se Haaland já era conhecido mundialmente por sua capacidade de fazer gols, os números pela seleção ganharam outra dimensão depois daquela noite em Linz.
Desde então, a Noruega venceu 14 partidas oficiais consecutivas, todas contando com pelo menos um gol do atacante.
No período, Haaland balançou as redes 28 vezes em 17 jogos internacionais, marcando em 15 dessas partidas.
É uma sequência que reforça sua condição de um dos atacantes mais letais do futebol mundial.
Sua evolução também vai além dos gols. O camisa 9 passou a demonstrar mais liderança dentro do grupo, assumindo responsabilidades e se tornando uma das principais referências da equipe comandada por Ståle Solbakken.
Copa do Mundo confirma o auge de Haaland
Toda essa evolução encontrou seu auge justamente na Copa do Mundo de 2026.
Com sete gols em quatro jogos, Haaland colocou a Noruega entre as oito melhores seleções do planeta pela primeira vez na história.
A atuação diante do Brasil, nas oitavas de final, simbolizou o momento extraordinário vivido pelo atacante.
No primeiro gol, mostrou toda sua força física ao vencer Gabriel pelo alto e abrir o placar de cabeça. Já no segundo, acertou uma finalização precisa da entrada da área, exibindo uma técnica que muitas vezes acaba ficando escondida atrás da fama de centroavante finalizador.
É justamente essa combinação de potência, velocidade, posicionamento e qualidade técnica que faz de Haaland um atacante tão difícil de ser marcado.
A campanha da Noruega também representa uma mudança histórica para um país que passou mais de duas décadas distante das grandes competições internacionais.
Depois de tantos anos de frustrações, a seleção finalmente encontrou seu protagonista.
Mais do que empilhar gols, Haaland mostrou que também aprendeu com os próprios erros. A noite em que foi duramente criticado pela imprensa norueguesa poderia ter deixado uma marca negativa em sua carreira internacional. Em vez disso, tornou-se o ponto de virada para uma sequência impressionante de vitórias, gols e recordes.
Hoje, enquanto conduz a Noruega à melhor campanha de sua história em uma Copa do Mundo, o camisa 9 prova que grandes jogadores não são definidos apenas pelos momentos de glória, mas também pela forma como respondem quando tudo parece dar errado.
Leia Também:
Copa do Mundo: confira a seleção das quartas de final do torneio
Erling Haaland explode na Copa do Mundo e se torna fenômeno mundial além da Premier League; veja
Copa do Mundo 2026: os quatro momentos que fizeram o torneio entrar para a história
Espanha mostra sua força e expõe problemas da França; confira as impressões do jogo