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Copa do Mundo Seleção Brasileira

Haaland destrói o Brasil e deixa cada vez menos argumentos para quem ainda tenta diminuí-lo

Durante anos, cada sequência de gols de Erling Haaland foi acompanhada por uma nova explicação para diminuir seus números. A cada argumento derrubado, outro aparecia. Contra o Brasil, em uma das partidas de maior peso da Copa do Mundo, o norueguês entregou mais uma atuação que torna esse debate cada vez mais difícil de sustentar.

Haaland não apenas marcou duas vezes. O centroavante venceu duelos contra alguns dos melhores defensores do mundo, participou do trabalho coletivo e apareceu justamente quando a Noruega mais precisava. Diante de Gabriel Magalhães, Marquinhos e Alisson, o camisa 9 mostrou diferentes formas de decidir e reforçou sua condição de principal referência da posição no futebol atual.

Contra uma defesa de elite, Haaland mostrou todo o seu repertório

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(Photo by Al Bello/Getty Images)

Um dos argumentos mais utilizados para diminuir Haaland sempre esteve relacionado ao nível dos adversários. O norueguês marcaria muitos gols contra equipes menores, mas encontraria dificuldades quando enfrentasse defensores de primeira linha.

A atuação contra o Brasil atingiu diretamente essa ideia.

Do outro lado estavam jogadores acostumados ao mais alto nível do futebol mundial. Gabriel chegou à Copa depois de ser campeão da Inglaterra e finalista da UEFA Champions League. Marquinhos acumulou títulos e experiência em grandes partidas como capitão do PSG, clube vencedor das duas últimas edições da principal competição europeia. No gol, Alisson continua entre os nomes mais reconhecidos da posição.

Nada disso impediu Haaland.

O norueguês marcou de cabeça, utilizando uma de suas maiores virtudes. Com 1,95 metro, força física e capacidade de atacar a bola, o centroavante transforma cruzamentos em situações de enorme perigo. Não basta apenas disputar o lance com ele. O defensor precisa acompanhar sua movimentação, suportar o contato físico e ainda conseguir competir pelo alto.

Depois, Haaland mostrou outra característica.

O segundo gol veio em uma grande finalização de fora da área. A jogada mostrou que limitar o espaço dentro da área não é suficiente para retirar sua influência. O camisa 9 também pode decidir quando recebe a bola mais distante do gol.

A variedade das duas finalizações ajuda a explicar por que é tão difícil marcá-lo.

Haaland pode atacar a profundidade utilizando sua velocidade, disputar fisicamente contra os zagueiros, finalizar rapidamente dentro da área, ganhar pelo alto ou utilizar a potência do chute. O defensor precisa encontrar respostas para diferentes problemas durante a mesma partida.

Contra o Brasil, nem jogadores do mais alto nível conseguiram fazer isso.

As antigas críticas perderam força com o passar dos anos

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A trajetória de Haaland foi acompanhada por uma sequência curiosa de tentativas de relativizar seus números.

Quando começou a marcar com frequência, o argumento era o nível dos adversários.

Depois, passou a existir a ideia de que seria fácil fazer gols jogando pelo Manchester City. O raciocínio ignorava um detalhe simples. Muitos atacantes atuaram em grandes equipes, cercados por jogadores de enorme qualidade, sem conseguir produzir números semelhantes.

Outra crítica dizia que Haaland não aparecia nos jogos importantes.

Sua atuação em uma final da UEFA Champions League contra a Inter de Milão foi frequentemente utilizada como exemplo. O norueguês não marcou e, para parte das análises, isso bastava para classificar sua partida como ruim.

A função de um centroavante não pode ser analisada apenas pelo número de vezes em que ele toca na bola.

Um jogador como Haaland muda o comportamento de toda uma defesa. Sua presença pode obrigar os zagueiros a recuar, impedir que a última linha avance e abrir espaços para os companheiros. Mesmo quando não finaliza, a preocupação criada por seus movimentos interfere na organização adversária.

Christian Vieri, um dos grandes centroavantes de sua geração, já havia chamado atenção para esse tipo de trabalho ao analisar Haaland.

O problema é que, para alguns críticos, nem isso parecia suficiente.

Surgiu então outro argumento: as defesas atuais seriam mais fracas e, por isso, os atacantes marcariam mais gols.

A lógica volta a encontrar o mesmo problema.

Se marcar atualmente é tão fácil, por que todos os atacantes não apresentam os números de Haaland?

Muito mais do que um jogador parado dentro da área

(Photo by Maddie Meyer – FIFA/FIFA via Getty Images)

Outra crítica repetida ao longo da carreira do norueguês afirma que ele participa pouco do jogo coletivo.

A atuação contra o Brasil também mostrou uma realidade diferente.

Nos momentos mais delicados entre o primeiro e o segundo gol, Haaland ajudou a Noruega a manter sua estrutura durante a pressão. O centroavante orientou movimentos, participou da organização sem a bola e trabalhou para evitar que a equipe se partisse.

Também colaborou defensivamente.

Isso não significa que Haaland precise se transformar em um meio campista ou recuar constantemente para participar da construção. Seu maior valor continuará estando próximo do gol adversário.

Existe uma tendência no futebol atual de exigir que o camisa 9 faça tudo.

O centroavante precisa marcar, criar, pressionar, recuar, distribuir passes, participar da construção e ainda apresentar grande volume de ações com a bola. Essa análise, muitas vezes, esquece a função mais importante da posição.

O camisa 9 precisa fazer gols.

Haaland faz isso melhor do que qualquer outro centroavante atualmente.

Seu estilo também exige uma análise diferente. Ele não precisa tocar dezenas de vezes na bola para influenciar uma partida. Muitas vezes, são necessários poucos segundos para mudar completamente o resultado.

Uma corrida no momento correto.

Um movimento entre dois zagueiros.

Uma disputa pelo alto.

Uma finalização.

Contra o Brasil, essas ações foram suficientes para transformar uma partida de enorme dificuldade em mais uma demonstração de sua capacidade.

A Copa do Mundo derruba mais uma desculpa

Foto: Getty Images

O desempenho de Haaland ganha ainda mais importância pelo palco em que aconteceu.

Durante muito tempo, existia uma limitação inevitável em qualquer discussão sobre seu lugar entre os grandes jogadores. A Noruega não conseguia disputar os principais torneios e o atacante não tinha a oportunidade de mostrar seu futebol em uma Copa do Mundo.

Agora, essa realidade mudou.

E diante de uma das seleções mais tradicionais do planeta, o norueguês não se escondeu.

Ele enfrentou uma defesa formada por jogadores de elite, venceu duelos físicos, superou Alisson duas vezes e participou do esforço coletivo. Fez exatamente aquilo que tantas críticas diziam que ele não conseguiria fazer.

Não foi contra uma equipe pequena.

Não foi uma partida sem importância.

Não foi apenas o resultado do domínio do Manchester City.

Haaland decidiu em uma Copa do Mundo contra o Brasil.

É possível discutir preferências de estilo. Alguns podem gostar mais de centroavantes técnicos, outros de jogadores que saem constantemente da área e participam da criação. O futebol permite diferentes interpretações.

Os números e as atuações, no entanto, tornam cada vez mais difícil negar o tamanho de Haaland.

As críticas mudaram ao longo dos anos porque os argumentos anteriores foram sendo derrubados. Quando diziam que ele só marcava contra equipes pequenas, passou a decidir contra adversários mais fortes. Quando afirmavam que dependia do Manchester City, respondeu pela Noruega. Quando questionavam sua capacidade nos grandes momentos, apareceu em um dos maiores palcos possíveis.

Contra o Brasil, Haaland não precisou responder a ninguém com palavras.

Fez de cabeça. Fez de fora da área. Trabalhou sem a bola. Ajudou seus companheiros e liderou sua seleção.

Para quem ainda tenta diminuir um dos melhores centroavante do mundo, o problema é simples: as desculpas estão acabando mais rápido do que os gols de Haaland.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique