Lewis Hamilton talvez não tenha sido o piloto que mais motivos teve para perder o sono depois do GP do Azerbaijão. Ainda assim, o britânico deixou Baku cercado por uma combinação incômoda de resultados abaixo do esperado, críticas à Ferrari e uma nova especulação envolvendo Christian Horner.
A possibilidade de Horner assumir um cargo na Ferrari continua sendo, por enquanto, apenas uma hipótese. O ex-chefe da Red Bull afirmou recentemente que teria interesse em voltar à Fórmula 1 e citou especificamente a Ferrari como uma equipe pela qual estaria disposto a trabalhar novamente como funcionário.
A situação ganhou ainda mais atenção porque Hamilton, justamente, tem uma história bastante conhecida com Horner e a Red Bull. O britânico, porém, não parece interessado em alimentar a especulação. Quando questionado pela Sky Sports sobre os comentários de Horner e se ainda acreditava que a Ferrari estava no caminho certo sob o comando de Frédéric Vasseur, Hamilton respondeu de maneira direta: “Sim.”
Apesar da resposta, o ambiente ao redor da Ferrari continua sendo acompanhado de perto.
Horner coloca a Ferrari novamente no centro da especulação
Em entrevista ao The Times, Horner afirmou que não precisa trabalhar novamente para garantir sua situação financeira, mas admitiu que ainda tem vontade de retornar à Fórmula 1. O detalhe que chamou atenção foi a possibilidade de ele voltar não apenas como investidor ou proprietário, mas como funcionário de uma equipe. E, segundo o próprio Horner, a Ferrari seria uma exceção.
A especulação não surgiu completamente do nada. A Ferrari já teria conversado com Horner em diferentes momentos no passado. Em 2010, por exemplo, houve relatos de uma tentativa de levá-lo de Milton Keynes para Maranello em uma operação que também envolveria Adrian Newey. Agora, porém, não existe indicação concreta de que a Ferrari esteja preparando uma mudança no comando.
Horner também está prestes a iniciar uma turnê promocional de seu novo livro, Drive, e a repercussão em torno de uma possível ida para a Ferrari naturalmente mantém seu nome em evidência. Do lado da equipe italiana, Vasseur deixou claro que não está confortável com o assunto. “Sr. Horner está procurando emprego. Todo mundo sabe disso. Em todos os lugares”, afirmou o francês.
O chefe da Ferrari também reclamou do impacto da especulação no ambiente interno. “Não é fácil trabalhar com esse clima e essa atmosfera e responder 25 vezes por dia à mesma pergunta. Para mim e para todos na equipe, isso é uma falta de serenidade.”
Hamilton não parece interessado em uma mudança de comando
Apesar de todo o barulho, Hamilton deixou clara sua posição quando teve a oportunidade de comentar o assunto. A resposta positiva sobre Vasseur indica que o heptacampeão mundial não está publicamente defendendo uma mudança no comando da Ferrari.
O alemão Timo Glock, ex-piloto de Fórmula 1 e atualmente comentarista da Sky Germany, também questionou a lógica de uma eventual troca. Segundo Glock, Vasseur foi responsável por devolver estrutura e organização à Ferrari, e iniciar uma nova mudança no comando poderia significar mais uma ruptura no processo de reconstrução da equipe. O cenário, portanto, permanece essencialmente especulativo. Horner demonstrou interesse em retornar à F1, mas não há confirmação de negociação para que ele assuma o lugar de Vasseur.
Baku voltou a expor a frustração de Hamilton
Se a situação envolvendo Horner não parece incomodar Hamilton neste momento, seu desempenho com a Ferrari é uma questão diferente. O britânico chegou a Baku ocupando a terceira posição no campeonato, 20 pontos à frente do companheiro Charles Leclerc. A temporada de 2026 também trouxe resultados capazes de responder a parte das críticas que Hamilton recebeu após seu primeiro ano na Ferrari.
Em Barcelona, por exemplo, ele conseguiu vencer uma corrida mesmo depois de completar 40 anos. Ainda assim, existe um padrão que vem se repetindo nas últimas etapas: Hamilton apresenta momentos de irritação pelo rádio durante as corridas e, posteriormente, detalha diante das câmeras os problemas enfrentados pela Ferrari, antes de ressaltar que está tudo bem dentro da equipe.
Em Baku, a lista de reclamações voltou a crescer. Hamilton apontou a falta de velocidade de reta da Ferrari, citou uma largada ruim e afirmou que a equipe precisa evitar enganar a si própria. O piloto também observou que McLaren e Red Bull conseguiram evoluir mais durante a temporada. Ao resumir seu domingo, classificou a corrida como “bastante ruim”.
Pneus também se tornaram um problema para Hamilton
A dificuldade não ficou restrita à velocidade máxima. Hamilton também teve problemas para colocar os pneus na temperatura ideal durante a corrida. A questão já havia aparecido no sábado, quando o piloto demonstrou irritação com o comportamento dos compostos.
“Esses pneus estúpidos”, reclamou Hamilton após a classificação, antes de defender que a Fórmula 1 deveria voltar a ter pneus com um comportamento melhor. As declarações mostram que, apesar da evolução de Hamilton em relação à temporada anterior, ainda existe uma lista considerável de aspectos da Ferrari que incomodam o piloto. E o problema é que parte dessas dificuldades não pode ser resolvida rapidamente.
Ferrari precisa reduzir a distância para Mercedes
A Ferrari pode ter capacidade para evoluir significativamente seu carro do ponto de vista aerodinâmico, mas existe outro obstáculo: a unidade de potência. O próprio Vasseur já reconheceu que diminuir a diferença para a Mercedes nesse departamento deve exigir mais tempo.
Isso coloca Hamilton diante de uma questão importante para o restante de sua passagem pela Ferrari. O britânico continua entre os principais pilotos do grid e ainda está em terceiro no campeonato, mas precisa de um carro capaz de disputar regularmente as vitórias se quiser transformar sua busca pelo oitavo título em uma possibilidade concreta.
Depois de Baku, essa tarefa parece mais complicada. Por enquanto, Hamilton continua apoiando publicamente Vasseur e permanece comprometido com a Ferrari. As especulações sobre Horner seguem sem confirmação, enquanto o desempenho da equipe continua sendo o principal fator esportivo a observar.
Baku, no entanto, deixou uma mensagem clara: mesmo com resultados melhores em 2026, a relação entre Hamilton e Ferrari ainda passa por uma fase de adaptação e o britânico continua cobrando respostas dentro da equipe.
Foto: (Reprodução/ CNN Brasil)


