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Kayla Harrison sai de luta contra Amanda Nunes: o que o UFC pode fazer agora?

O UFC 324 sofreu um duro golpe a menos de duas semanas de sua realização. Kayla Harrison, campeã peso-galo feminino e protagonista da aguardada superluta contra Amanda Nunes, foi obrigada a se retirar do evento após sofrer uma lesão no pescoço durante o training camp. A estadunidense passará por cirurgia e deve ficar afastada por cerca de seis meses, interrompendo um dos maiores planos da organização para o primeiro semestre da temporada.

A ausência de Harrison não afeta apenas o card, mas também o simbolismo do evento. O duelo com Nunes marcaria o retorno da maior campeã da história do MMA feminino ao octógono, além de representar um confronto geracional e comercialmente poderoso. Com a luta cancelada, o UFC agora corre contra o tempo para decidir se mantém Amanda Nunes no evento ou se opta por retirá-la do card até uma nova definição.

Nesse cenário, três possibilidades surgem como alternativas, algumas mais plausíveis, outras mais ousadas, para minimizar o impacto da baixa e preservar o peso do UFC 324.

Amanda Serrano: apelo midiático e risco esportivo

A primeira alternativa é também a mais surpreendente. Amanda Serrano, lenda do boxe mundial e companheira de equipe de Jake Paul, manifestou publicamente interesse em enfrentar Amanda Nunes em cima da hora. Apesar de sua carreira no MMA ser curta, Serrano não é uma completa novata na modalidade: ela possui três lutas profissionais, com dois triunfos por finalização e um empate, além de treinar artes marciais mistas há anos.

Do ponto de vista promocional, o confronto teria enorme apelo. Duas “Amandas”, ambas campeãs, ambas referências históricas em seus esportes, se enfrentando no maior palco do MMA. Para o UFC, seria uma solução criativa, capaz de manter os holofotes sobre o evento mesmo sem o cinturão em jogo.

No entanto, esportivamente, o duelo carrega riscos evidentes. Amanda Nunes enfrentaria uma atleta sem experiência recente no octógono, o que poderia gerar críticas sobre competitividade e mérito esportivo. Além disso, seria uma luta fora de divisão e, provavelmente, sem impacto direto no ranking do peso-galo. Ainda assim, como evento especial, Serrano representa uma alternativa viável do ponto de vista comercial.

Norma Dumont: lógica esportiva e baixo risco

A segunda possibilidade segue um caminho mais tradicional. Norma Dumont, uma das principais contenders do peso-galo, se colocou à disposição para enfrentar Amanda Nunes. Vencedora de seis lutas consecutivas, Dumont vem de triunfo sobre Ketlen Vieira e construiu sua posição de forma consistente dentro da divisão.

Essa opção agrada pelo critério esportivo. Dumont está ativa, em forma e conhece o jogo de MMA de alto nível. Para Nunes, seria uma luta de risco real, contra uma atleta jovem, forte fisicamente e em ascensão. Para o UFC, a vantagem está na legitimidade competitiva e na manutenção do interesse da base mais tradicional de fãs.

Por outro lado, o confronto não carrega o mesmo peso simbólico ou midiático da luta original contra Harrison. Ainda assim, entre todas as alternativas realistas, Norma Dumont é a substituição mais coerente do ponto de vista esportivo.

Poatan x Gane: solução extrema para salvar o evento

A terceira possibilidade é também a mais ousada, e, justamente por isso, a mais comentada nos bastidores. Com o card perdendo sua principal atração feminina, o UFC pode optar por compensar o público com uma superluta entr Alex “Poatan” Pereira contra Ciryl Gane.

Gane vem de luta no UFC 321, mas saiu praticamente ileso, sem grande desgaste físico ou danos significativos. Já Poatan está em pleno camp, treinando regularmente e publicamente manifestando interesse em subir para os pesados. O brasileiro mira um feito histórico: conquistar um terceiro cinturão em categorias diferentes.

A equação depende, sobretudo, da situação de Tom Aspinall. O campeão dos pesados ainda se recupera da grave lesão no olho sofrida justamente contra Gane, e seu retorno permanece indefinido. Caso o UFC opte por um cinturão interino, ou até mesmo por declarar o título vago, Poatan x Gane surge como uma solução explosiva, técnica e comercialmente irresistível.

Embora improvável, essa alternativa representaria uma mudança radical de foco no evento, transformando uma crise em oportunidade. Seria uma aposta alta, mas alinhada ao histórico do UFC de pensar grande quando pressionado.

(Foto: Zuffa LLC)