A final da Copa do Mundo de 2026 colocará frente a frente Espanha e Argentina, mas o duelo entre as duas seleções também reserva uma curiosidade pouco conhecida. Os técnicos Luis de la Fuente e Lionel Scaloni compartilham uma história que começou muito antes de chegarem à decisão do Mundial.
Em 2017, quando Scaloni ainda dava os primeiros passos na carreira de treinador, ele teve De la Fuente como professor durante o curso da Licença UEFA Pro, a principal certificação para técnicos na Europa.
Agora, nove anos depois, mestre e aluno disputam o maior título do futebol mundial, cada um liderando sua seleção em busca da taça.
Scaloni foi aluno de Luis de la Fuente
Após encerrar a carreira como jogador, Lionel Scaloni viveu um período de incerteza sobre o futuro no futebol.
Foi nesse momento que decidiu realizar o curso da Licença UEFA Pro promovido pela Federação Espanhola. Entre os responsáveis pelas aulas estava Luis de la Fuente, que lecionava o módulo de técnica e, paralelamente, comandava a seleção sub-19 da Espanha.
Scaloni terminou o curso com uma das melhores notas da turma e, posteriormente, reconheceu a importância do treinador espanhol em sua formação como técnico.
Desde então, os dois mantiveram uma relação de respeito e admiração mútua.
Caminhos diferentes até a final
Apesar da ligação criada nas salas de aula, De la Fuente e Scaloni seguiram trajetórias bastante distintas até chegarem ao topo do futebol mundial.
Luis de la Fuente construiu praticamente toda a carreira dentro da Federação Espanhola. Depois de passar por clubes das divisões inferiores e enfrentar um período longe do futebol, recebeu uma oportunidade para dirigir a seleção sub-19 da Espanha.
A partir dali, acumulou títulos nas categorias de base, comandou equipes sub-21, olímpicas e, em 2022, assumiu a seleção principal.
Boa parte do atual elenco espanhol passou pelas mãos do treinador ainda na adolescência. Jogadores como Rodri, Unai Simón, Pedri, Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Marc Cucurella e Martín Zubimendi cresceram sob sua orientação.
Esse conhecimento aprofundado do grupo ajudou De la Fuente a construir uma equipe baseada na confiança, na continuidade e no espírito coletivo.
Scaloni apostou na união do elenco argentino
Já Lionel Scaloni teve uma transição mais rápida para o comando da seleção argentina.
Após trabalhar como auxiliar de Jorge Sampaoli, assumiu a equipe principal em 2018, pouco depois da Copa do Mundo da Rússia.
Na época, sua nomeação gerou desconfiança pela pouca experiência como treinador.
Com o passar dos anos, porém, Scaloni transformou a Argentina em uma das seleções mais fortes do mundo.
Mais do que aspectos táticos, o treinador ficou conhecido por criar um ambiente de forte união entre os jogadores.
Reuniões informais, churrascos, momentos de convivência e uma comissão técnica formada, em grande parte, por ex-jogadores ajudaram a fortalecer o ambiente interno da seleção.
Família e valores marcam os dois treinadores
Mesmo com trajetórias diferentes, De la Fuente e Scaloni possuem diversas características em comum.
Os dois costumam destacar a importância da família, da humildade e do trabalho coletivo na construção de suas equipes.
No caso do treinador espanhol, esses valores aparecem também na convivência diária com os atletas. Durante a Eurocopa de 2024, por exemplo, De la Fuente fez questão de confirmar que seus familiares haviam chegado em segurança ao estádio momentos antes da decisão.
Já na atual Copa do Mundo, emocionou ao abraçar um fotógrafo da Federação Espanhola após saber que a mãe dele havia falecido durante uma partida.
Scaloni também costuma colocar o lado humano acima dos resultados. Após conquistar a Copa América e a Copa do Mundo, revelou que passou a fazer acompanhamento psicológico para lidar com a pressão e os impactos emocionais das conquistas.
Continuidade virou marca das duas seleções
Outro ponto de semelhança entre os treinadores é a aposta na continuidade dos projetos.
Luis de la Fuente manteve a confiança em jogadores que acompanha desde as categorias de base da Espanha, preservando uma identidade construída ao longo de vários anos.
Scaloni adotou postura semelhante ao manter a base da seleção argentina mesmo após derrotas importantes, como a eliminação para o Brasil na Copa América de 2019.
A decisão foi recompensada pouco tempo depois com os títulos da Copa América e da Copa do Mundo.
Em ambos os casos, a força do grupo passou a ser considerada mais importante do que o brilho individual de qualquer jogador.
Professor e aluno disputam o maior título do futebol
Agora, os dois treinadores escrevem mais um capítulo dessa história.
Luis de la Fuente busca conquistar a Copa do Mundo depois de já ter levado a Espanha ao título da Eurocopa, enquanto Lionel Scaloni tenta defender o troféu conquistado pela Argentina na edição anterior.
Mais do que um confronto entre duas das melhores seleções do planeta, a decisão também simboliza o reencontro entre um professor e seu antigo aluno.
Independentemente do resultado, ambos já protagonizam uma das histórias mais curiosas desta Copa do Mundo. Depois de viverem momentos de incerteza em suas carreiras, De la Fuente e Scaloni conseguiram reconstruir seus caminhos no futebol e agora disputam, frente a frente, o título mais importante do esporte.
Foto: Fotos:JUAN MABROMATA / AFP e RONALDO SCHEMIDT / AFP
