O Napoli voltou a mostrar força, consistência e personalidade na temporada, e a vitória por 2 a 1 sobre a Juventus no Estádio Diego Armando Maradona, com dois gols de Hojlund e um de Yildiz, consolidou ainda mais essa imagem.
A equipe dirigida por Antonio Conte alcançou a terceira vitória consecutiva, sendo a segunda em um confronto direto, repetindo o bom desempenho que apresentou contra a Roma na semana passada. Além disso, mantém-se invicta em casa em 2025, feito exclusivo entre os clubes das cinco principais ligas europeias, e reassume momentaneamente a liderança isolada da Serie A, abrindo um ponto de vantagem sobre a Inter, que ainda entrará em campo.
Do outro lado, para o muito vaiado ex-treinador Luciano Spalletti, que agora comanda a Juventus, o jogo representou mais um teste de maturidade que a Velha Senhora não passou, evidenciando deficiências já recorrentes: dificuldade na criação vertical, problemas para administrar resultados e fragilidade na defesa aérea.
O jogo
Às vésperas do duelo, os dois treinadores precisaram lidar com ausências importantes, ao todo eram 13 desfalques somando as duas equipes, muitos deles potenciais titulares. Conte reorganizou o meio-campo e escalou Elmas no lugar de Lobotka, mantendo o restante do time que superou a Roma.
Spalletti, por sua vez, optou por uma abordagem mais surpreendente: abriu mão de um centroavante de referência, usou Cabal novamente como titular pela esquerda e montou uma estrutura que alternava entre defesa de três e quatro jogadores, com Yildiz e Conceição revezando como falso 9 e McKennie exercendo marcação individual sobre McTominay.
Desde os primeiros minutos, o Napoli assumiu o domínio territorial e técnico da partida. A equipe de Conte foi intensa nos duelos, ocupou o campo de ataque com frequência e rapidamente empurrou a Juventus para perto da própria área. O lado direito napolitano foi o setor que mais desequilibrou, com Di Lorenzo, Neres e Beukema criando superioridade numérica sobre Cabal e Koopmeiners.
Aos seis minutos, David Neres recuperou uma bola perdida pelo colombiano e gerou o escanteio que resultaria na primeira grande chance: cruzamento preciso para McTominay, que cabeceou para fora por muito pouco.
O ritmo intenso do Napoli deixava claro que o gol poderia sair a qualquer momento, e de fato não demorou. A jogada começou novamente pelos pés de Neres, que recebeu às costas de Cabal, driblou Koopmeiners dentro da área e serviu Hojlund, que antecipou Kelly e marcou, encerrando um jejum de mais de dois meses.
A Juventus mostrava pouca capacidade de reação. O ritmo lento de circulação, a previsibilidade nas tentativas de verticalização e a dificuldade crônica nas bolas paradas deixavam o time vulnerável. Até o intervalo, os números escancaravam o domínio do Napoli: apenas um toque dos jogadores da Juve dentro da área adversária, nenhuma finalização no alvo e apenas dois chutes de longa distância, ambos sem qualquer precisão.
Enquanto isso, o Napoli somava quatro finalizações certas e repetia jogadas perigosas, quase todas iniciadas por Neres, que foi o protagonista do primeiro tempo. Somente a boa atuação de Di Gregorio impediu que a vantagem fosse maior.
Na volta do intervalo, Spalletti tentou reorganizar sua equipe. Sacou Cabal, deslocou Cambiaso pela esquerda e colocou Jonathan David como referência, mas o cenário não mudou de imediato. O Napoli seguia mais confortável, criando as melhores chances. Logo aos quatro minutos, Hojlund recebeu lançamento de Neres, ganhou do marcador e exigiu nova defesa de Di Gregorio.
A Juventus respirava com dificuldade, até que surgiu um raro momento de execução limpa: Yildiz articulou jogada iniciada por recuperação no meio, tabelou com Conceição, abriu para McKennie e atacou o espaço entre Buongiorno e Olivera, recebendo de volta para finalizar com precisão no canto, empatando o jogo aos 59 minutos.
O gol mexeu com o emocional das equipes. Conte fez alterações para tentar dar mais gás ao time, e Spalletti respondeu com novas peças ofensivas. A partida ficou mais estudada, com a Juventus tentando controlar espaços e o Napoli mostrando dificuldade de retomar o mesmo ritmo do início. Mas o futebol, muitas vezes, é decidido em detalhes. E foi justamente em um detalhe que a Juventus voltou a falhar:
Di Lorenzo cruzou pela direita, McKennie tentou interceptar e acabou devolvendo a bola para o centro da área, onde Hojlund apareceu novamente, livre para cabecear e definir o jogo.
O apito final confirmou uma vitória justa do Napoli, que se mantém vivo e forte na briga pelo bicampeonato italiano, algo que nem mesmo a equipe de Maradona conseguiu alcançar. Já a Juventus volta a Turim com mais dúvidas do que respostas, enquanto Spalletti, inquieto à beira do campo, sabe que o caminho para a Champions será árduo se problemas tão evidentes continuarem a aparecer.
(Foto: Getty Images)


