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Automobilismo Fórmula 1

Honda admite erro após desastre da Aston Martin no México e promete evitar repetição em 2027

A Honda assumiu a responsabilidade pelo duplo abandono da Aston Martin no GP do México de Fórmula 1. Após o fim de semana desastroso da equipe em 2026, o fabricante japonês reconheceu que subestimou as exigências de refrigeração do Autódromo Hermanos Rodríguez, localizado a aproximadamente 2.250 metros acima do nível do mar.

Fernando Alonso e Lance Stroll tiveram suas corridas encerradas precocemente devido a problemas relacionados à unidade de potência. Os dois pilotos abandonaram na quinta volta das 71 previstas, coroando um fim de semana extremamente difícil para a escuderia de Silverstone.

A situação de Alonso já havia sido comprometida na classificação, quando problemas no conjunto motriz limitaram seu desempenho e o deixaram apenas na 17ª posição do grid. Stroll também enfrentou dificuldades semelhantes durante a corrida, e nenhum dos dois conseguiu completar a prova.

Shintaro Orihara, gerente-geral e engenheiro-chefe da Honda nas pistas, reconheceu que a fabricante japonesa não dimensionou corretamente os desafios impostos pelas condições específicas do circuito mexicano.

Honda subestimou exigências de refrigeração no México

A altitude é um dos principais desafios técnicos do Grande Prêmio da Cidade do México. Com o ar menos denso, a eficiência dos sistemas de refrigeração diminui, enquanto os turbocompressores precisam trabalhar mais para comprimir oxigênio suficiente e garantir o funcionamento adequado do motor.

A Honda sabia que essas condições exigiriam cuidados adicionais, mas acabou encontrando dificuldades maiores do que as previstas, especialmente no circuito de refrigeração do sistema de recuperação de energia (ERS). “Sabíamos que, devido às condições especiais de grande altitude da Cidade do México, enfrentaríamos desafios adicionais em relação à refrigeração quando comparados a outros circuitos”, explicou Orihara.

“Entretanto, descobrimos que o circuito de refrigeração do nosso ERS estava sob uma carga maior do que a esperada, e foi por isso que tivemos de parar o carro em diferentes sessões”, admitiu.

O engenheiro também revelou que o problema não havia apresentado sinais de alerta durante as atividades anteriores à corrida. Mesmo depois de completar diversas voltas nos treinos livres, a falha voltou a aparecer nos momentos mais importantes do fim de semana. “Apesar de termos completado uma série de voltas durante as sessões de treinos, o problema aconteceu na corrida e também durante a classificação”, acrescentou.

A explicação evidencia uma das principais dificuldades enfrentadas pela parceria entre Aston Martin e Honda em 2026. A equipe já vinha convivendo com problemas de confiabilidade e desempenho, e o episódio no México ampliou a pressão sobre o trabalho dos engenheiros.

Problemas da unidade de potência preocupam Aston Martin

O abandono duplo representa mais um capítulo complicado na temporada da Aston Martin com a Honda. Desde o início da campanha, a parceria tem enfrentado dificuldades para encontrar confiabilidade e competitividade.

Durante a pré-temporada, vibrações severas na unidade de potência provocaram danos aos conjuntos de baterias e limitaram o programa de testes da equipe. Ao longo do campeonato, o motor também apresentou desvantagem em potência nas retas em comparação com os fabricantes rivais.

O problema de refrigeração no México acrescentou uma nova preocupação ao cenário. Além de comprometer o resultado esportivo, a falha demonstrou que a Honda ainda precisa compreender melhor o comportamento de seus sistemas em condições extremas.

A altitude do circuito mexicano exige uma preparação específica, principalmente porque a menor densidade do ar afeta tanto a refrigeração quanto o funcionamento do turbo. Para uma equipe que já enfrenta dificuldades com sua unidade de potência, qualquer deficiência adicional pode ter consequências significativas.

Honda promete usar dificuldades como aprendizado para 2027

Apesar do resultado negativo, Orihara afirmou que a Honda pretende transformar os problemas enfrentados no México em informações importantes para o desenvolvimento da próxima unidade de potência.

O engenheiro destacou que cada etapa da temporada representa uma oportunidade de aprendizado para 2027, inclusive quando os resultados ficam muito abaixo das expectativas. “Em cada corrida deste ano, precisamos aprender para 2027, mesmo que sejam lições difíceis”, declarou.

A fabricante pretende aproveitar os dados coletados no México para desenvolver soluções que evitem a repetição das falhas. Entre os pontos que receberão atenção está também o turbo lag, fenômeno relacionado ao atraso na resposta do turbocompressor. “Temos muitos dados que poderemos levar de volta a este circuito no próximo ano, inclusive sobre o turbo lag, e vamos trabalhar nas soluções”, completou Orihara.

A Honda trabalha com a perspectiva de uma reformulação em duas etapas de sua unidade de potência antes das primeiras corridas de 2027. O objetivo é corrigir as limitações identificadas ao longo da atual temporada e oferecer à Aston Martin um conjunto mais confiável e competitivo.

Para a equipe de Silverstone, a recuperação dependerá não apenas do desenvolvimento do carro, mas também da capacidade da parceira japonesa de resolver os problemas que têm comprometido os resultados. O episódio no México deixou claro que ainda há muito trabalho pela frente.

Foto: (Reproducão/MotorSport Images)