Dean Huijsen não é mais apenas uma promessa. Aos 19 anos, o zagueiro do Real Madrid já começa a ser tratado como o novo “xerife” da seleção espanhola. Desde que estreou no minuto 41 do amistoso entre Espanha e Países Baixos, em março, ele não saiu mais do time titular de Luis de la Fuente. Atuou no jogo de volta contra os holandeses em Mestalla, foi peça-chave nas semifinais e na final da Final Four diante de França e Portugal e repetiu a dose na Bulgária, usando a camisa 5 e assumindo o papel de líder silencioso, mas evidente, da defesa.
Em Sofia, Huijsen jogou como se o bastão de comando fosse dele desde sempre. Sem pedir licença, sem cerimônia, encarnou um papel que parecia natural. E não foi apenas presença: estatisticamente, ele esteve entre os protagonistas. Foi o segundo jogador espanhol com mais toques na bola, 116 ao todo, ficando atrás apenas de Pedri, que teve 142. Nos passes, o mesmo nível: acertou 98 de 104 tentativas, um aproveitamento de 94%. Em qualquer equipe que domina 78% de posse de bola, como fez a Espanha, é natural que um zagueiro tenha números altos. Mas Huijsen foi além do óbvio.
Um zagueiro que joga como meia
O diferencial do jovem está na ousadia no último terço de campo. Huijsen foi o jogador espanhol com mais passes nessa zona, com 25 – cinco a mais que o próprio Pedri. Ou seja, é um defensor que, quando o jogo pede, se comporta como um meio-campista, ajudando a construir perto da área adversária. A torcida do Real Madrid, que já pôde vê-lo em campo por três rodadas da LaLiga, começa a se acostumar com essa imagem: um zagueiro que circula próximo ao gol rival, olhando de igual para igual os defensores adversários, participando ativamente da criação.
Na LaLiga, os números reforçam essa impressão. Huijsen é o segundo jogador com mais passes e mais passes progressivos do campeonato – 262 e 187 respectivamente –, novamente atrás apenas de Pedri. Em Sofia, ele também brilhou numa de suas especialidades: os lançamentos longos. Acertou seis de sete tentativas, incluindo um passe cirúrgico para Lamine Yamal que originou o primeiro gol do jogo. No torneio espanhol, já soma 23 lançamentos precisos em 27 tentativas, o que o torna o melhor jogador de linha nesse fundamento, num ranking em que geralmente só aparecem goleiros.
Para se ter uma ideia do impacto, o próximo atleta de linha na lista é Bartra, com 21 acertos em 34 tentativas. Até o goleiro Leo Román, do Mallorca, que tem os mesmos 23 lançamentos longos certos de Huijsen, precisou de 72 tentativas para chegar a esse número. São estatísticas que, sozinhas, já explicam por que tanto Madrid quanto a seleção espanhola veem no garoto uma joia rara.
Segurança atrás, ousadia na frente
Esse ímpeto ofensivo, porém, não compromete seu trabalho defensivo. Na Bulgária, Huijsen foi o jogador espanhol com mais ações defensivas: sete ao todo. Le Normand e Cubarsí, que atuaram apenas um tempo cada, somaram duas cada um. Não houve ataque que não passasse pelos seus pés, e quase nenhuma jogada defensiva em que ele não estivesse envolvido. É um equilíbrio raro: saber quando subir, mas também quando se impor atrás.
Luis de la Fuente sabe que tem um nome praticamente certo no centro da zaga para os próximos anos. A dúvida, na verdade, é quem vai ser o parceiro de Huijsen. O garoto parece já ter se consolidado. Com personalidade, qualidade técnica e um entendimento do jogo que foge ao padrão para alguém da sua idade, ele rapidamente assumiu um papel que costuma levar anos para se conquistar. A impressão é que a seleção da Espanha ganhou não só um zagueiro para o presente, mas um líder para o futuro.
Essa combinação de serenidade defensiva e iniciativa ofensiva é o que faz de Huijsen um caso especial. É um zagueiro moderno, moldado para o futebol que se joga hoje: confortável na saída de bola, agressivo sem imprudência, técnico sem perder a simplicidade. Em um contexto de renovação da Roja, ele surge como um pilar em torno do qual o time pode se reorganizar para voltar a competir de igual para igual com as grandes seleções.
Dean Huijsen, o novo rosto da defesa espanhola
Para o Real Madrid, essa ascensão meteórica também tem peso. Ver um jogador tão jovem, formado para ser referência defensiva e já encantando com a camisa da seleção, reforça a ideia de que o clube está montando um elenco para o futuro. Para a Espanha, é uma injeção de confiança: depois de anos procurando zagueiros com esse perfil, surge um nome que parece unir o melhor de dois mundos – a solidez clássica e a modernidade no trato da bola.
Huijsen já é tratado como “novo xerife” da Roja. O apelido não é exagero: sua forma de jogar impõe respeito, e sua capacidade de organizar o jogo desde trás dá à Espanha uma nova dimensão tática. Se ele mantiver essa evolução, será questão de tempo para se tornar não só um titular absoluto, mas também um dos líderes técnicos e emocionais da equipe. O futuro da zaga espanhola parece ter encontrado um dono – e o nome dele é Dean Huijsen.