Tottenham Igor Tudor
Futebol Premier League

Igor Tudor entra para história como pior técnico do Tottenham na Premier League; entenda

A passagem de Igor Tudor pelo Tottenham entrou para a história da Premier League, mas não pela brevidade (embora com a duração de apenas sete jogos), e sim pelo impacto muito negativo deixado em um intervalo mínimo de tempo. Anunciado em fevereiro de 2026, o técnico croata assumiu um clube já em crise, ocupando a 16ª colocação e acumulando uma sequência preocupante de jogos sem vitória.

Ainda assim, havia margem para reação: restavam 12 rodadas e uma distância relativamente segura em relação à zona de rebaixamento. A expectativa era de um “efeito imediato” comum a mudanças de comando, algo recorrente em trabalhos anteriores de Tudor no futebol italiano, mas o cenário rapidamente se deteriorou.

Em pouco mais de seis semanas (cerca de 43 dias), Tudor não conseguiu vencer sequer uma partida de liga. No período, o Tottenham somou apenas um ponto em cinco jogos da Premier League, registrando o pior desempenho do período entre todos os clubes da competição. Ao fim de sua passagem, o Tottenham já flertava seriamente com o descenso, com probabilidade de rebaixamento saltando de 3,2% para quase 26%, segundo modelos estatísticos da Opta.

Embora não tenha sido o mandato mais curto da história da liga, os números colocam seu trabalho como um dos mais desastrosos. Ele se tornou o primeiro treinador do clube a comandar ao menos dois jogos do campeonato sem conquistar uma vitória, superando negativamente até períodos historicamente turbulentos da instituição.

Erros técnicos e decisões questionáveis marcam o Tottenham

Parte significativa do fracasso está associada às escolhas do próprio treinador. Tudor promoveu alterações constantes na escalação e utilizou jogadores fora de suas posições habituais, o que comprometeu o funcionamento coletivo. Alguns dos principais jogadores como Conor Gallagher e Pedro Porro foram deslocados para funções pouco usuais, enquanto jovens como Archie Gray foram utilizados em múltiplos papéis sem estabilidade tática. Essa falta de coerência refletiu diretamente em campo: um time desorganizado, com dificuldades tanto na construção ofensiva quanto na recomposição defensiva.

É importante destacar que Tudor encontrou um ambiente já fragilizado, pois o Tottenham já vinha de uma sequência ruim sob o comando anterior de Thomas Frank, além de lidar com uma grave crise de lesões e queda de confiança no elenco. Ainda assim, sua passagem não apenas falhou em estabilizar o cenário, como agravou a situação, pois ao deixar o cargo, o Tottenham ocupava a 17ª posição, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, acumulando uma longa sequência sem vitórias na liga.

O período também foi marcado por dificuldades fora das quatro linhas. Tudor enfrentou um momento pessoal delicado com a morte de seu pai durante sua curta estadia no clube, o que naturalmente impactou o ambiente. Além disso, foram muitas as críticas à gestão de grupo e à adaptação ao futebol inglês, apontando falta de familiaridade com a intensidade e as particularidades da Premier League. Em paralelo, a diretoria foi questionada pela escolha de um treinador sem experiência no campeonato em um momento tão crítico.

Ou seja, a temporada 2025/26 já era caótica para o Tottenham antes mesmo da chegada de Tudor com mudanças estruturais, incluindo troca de comando técnico e instabilidade administrativa, além da saída de peças importantes do elenco.

Imagem: Getty Images