Nassourdine Imavov
Lutas UFC

Imavov pode bater Chimaev? Ex-campeão da categoria acredita que sim

Nassourdine Imavov vive o auge de sua trajetória no UFC. Depois de vitórias sobre Jared Cannonier e, principalmente, um impressionante nocaute sobre Israel Adesanya, o francês consolidou em Paris sua condição de candidato direto ao cinturão dos médios. A vitória dominante sobre Caio Borralho diante de sua torcida não apenas o aproximou do title shot, como também levantou uma questão que começa a ecoar no mundo do MMA: ele pode ser o nome capaz de oferecer um desafio real a Khamzat Chimaev?

Quem acredita nisso é Robert Whittaker, ex-campeão e um dos lutadores que já enfrentaram o atual dono do cinturão. Em participação no MMArcade Podcast, o australiano destacou um ponto específico que pode fazer a diferença: o jiu-jitsu de alto nível. “A única forma que vejo alguém vencendo Chimaev hoje é com um jogo de jiu-jitsu muito refinado”, afirmou. Para Whittaker, Imavov, que já mostrou desenvoltura no grappling, poderia surpreender o campeão caso consiga explorar essas transições no chão.

O estilo sufocante de Chimaev e a possível resposta de Imavov

O título de Chimaev veio com uma performance que reflete bem seu estilo. Contra Dricus Du Plessis, ele aplicou pressão constante, dominando com o wrestling sufocante e anulando as tentativas do sul-africano de impor volume. A narrativa em torno do checheno naturalizado sueco é clara: enquanto a luta estiver sob seu controle físico, poucos conseguem respirar.

No entanto, a carreira de Chimaev já deu sinais de vulnerabilidade. Contra Gilbert Burns, em 2022, ele viveu sua maior batalha. O brasileiro conseguiu não só suportar a pressão, mas também usar seu jiu-jitsu e striking para equilibrar o duelo. A vitória por decisão dividida deixou claro que, diante de adversários técnicos e resilientes, Chimaev pode ser arrastado a terrenos desconfortáveis.

É nesse espaço que entra Imavov. O francês não é apenas um grappler com recursos — sua evolução no striking é notável. A vitória sobre Adesanya, um dos melhores strikers da história dos médios, não foi obra do acaso. Imavov soube encurtar os espaços, aplicar o boxe com precisão e impor ritmo, algo que poucos conseguem diante do nigeriano.

Essa versatilidade o torna um adversário intrigante para Chimaev. Se por um lado ele tem armas para tentar neutralizar o wrestling, por outro pode explorar a trocação caso consiga manter a luta em pé. É esse equilíbrio que faz de Imavov um candidato legítimo a quebrar a aura de invencibilidade que cerca o campeão.

A visão de Whittaker e o debate no topo dos médios

Whittaker, que conhece bem os dois lados da moeda — a força de Chimaev e as exigências de competir entre os melhores da divisão —, foi direto: se Imavov tiver um jiu-jitsu em nível comparável ao de Gilbert Burns, pode abrir uma brecha. Ainda assim, o australiano foi cauteloso ao lembrar da imprevisibilidade do MMA: “Às vezes tudo muda em um detalhe, uma ajoelhada, um golpe no tempo certo. Lutas são engraçadas assim”.

O fato é que a divisão dos médios vive um momento de transição. Depois do domínio de Adesanya e da ascensão de Du Plessis, agora é Chimaev quem dita o ritmo. Mas a fila anda rápido, e o nome de Imavov aparece cada vez mais forte. Sua combinação de juventude, versatilidade e confiança, somada ao apoio da torcida europeia, dá ao UFC o cenário perfeito para construir uma narrativa de choque de estilos.

O que vem a seguir

A dúvida que fica é: o UFC vai entregar essa luta já no próximo passo ou preferirá testar Imavov mais uma vez antes do title shot? A performance em Paris certamente credencia o francês, mas a organização pode optar por colocá-lo em rota de colisão com outro top 5 — talvez o próprio Whittaker ou até Sean Strickland — como uma prova final antes da disputa de cinturão.

De qualquer forma, o que se viu em Paris foi mais do que uma vitória convincente: foi a consolidação de Imavov como protagonista em uma divisão cada vez mais aberta. Se Chimaev representa o poder físico absoluto, Imavov surge como o contraponto técnico, capaz de explorar as frestas que poucos conseguiram até hoje.

No fim das contas, o comentário de Whittaker resume bem o cenário: Chimaev é dominante, mas não intocável. E Imavov pode ser exatamente o tipo de lutador com o arsenal necessário para transformar essa hipótese em realidade.

(Foto: Zuffa LLC)