Nesta sexta-feira (19), o Marrocos precisou de apenas um minuto para balançar as redes, vencer a Escócia por 1 a 0 em Boston e assumir provisoriamente a liderança do Grupo C da Copa do Mundo. O resultado não apenas coroou o bom futebol dos africanos, mas também chegou a embolar a chave, transferindo toda a pressão matemática para a seleção brasileira, que enfrentaria o Haiti logo na sequência.
Apesar do placar mínimo, o jogo foi dividido em dois recortes muito distintos: um primeiro tempo de grande domínio marroquino, no qual o marcador poderia ter apontado uma vantagem bem maior, e uma segunda etapa de pura imposição física e “abafa” escocês. Sobrevivendo à pressão europeia com muita maturidade defensiva, os marroquinos mostraram que o brilhantismo recente não é obra do sobrenatural e que seguem sendo um adversário incômodo no cenário mundial.
Veja a seguir, quatro impressões sobre a vitória de Marrocos contra a Escócia.
A blitz marroquina e o decisivo gol relâmpago
Se a seleção brasileira passou maus bocados com a velocidade marroquina na partida de estreia, a Escócia sentiu o golpe de forma ainda mais letal e precoce. Os africanos entraram em campo com uma rotação muito acima da apresentada pelos europeus. Com apenas um minuto de bola rolando, a rápida transição entre Brahim Díaz e Saibari furou a defesa adversária antes mesmo de os escoceses se encontrarem no gramado.
Em competições de tiro curto, um gol no minuto inicial muda totalmente a dinâmica psicológica e tática de um duelo. A Escócia, historicamente mais confortável em jogar na retranca – esperando o adversário para explorar uma bola parada -, viu seu plano se deteriorar rapidamente.
Uma vez obrigados a sair para o jogo bem antes do previsto, os escoceses cederam justamente o que os marroquinos queriam: um campo aberto para fazer rápidas transições. Essa blitz desde o começo já consolida como a grande marca da seleção marroquina no Mundial.
O perigo de manter o adversário vivo
Depois de marcar o gol com Saibari, o Marrocos lutou, persistiu, mas não conseguiu ser eficaz para ‘matar’ a partida ainda no primeiro tempo e ampliar seu saldo de gols no Grupo C. Tal inércia abriu caminhos para a Escócia se reorganizar pouco antes do intervalo e ameaçar a área africana com tamanho perigo para o goleiro Bono.
Os gols perdidos por El Khannouss, com direito a milagre do goleiro em um deles no segundo tempo, mostraram uma seleção marroquina com dificuldades de dominar o adversário retraído em seu campo defensivo e um ponto a ser acertado pelo técnico Mohamed Ouhabi para o mata-mata. A pressão mudou de lado de uma etapa para outra, e por pouco não custou um resultado que viria a ser importante para os africanos na sequência do Mundial.
A garra escocesa esbarra na resistência de Marrocos
Abatida pelo gol sofrido com menos de dois minutos de jogo, a Escócia mudou de postura às vésperas do intervalo, e mostrou garra em busca de uma reação. No entanto, baseada em chuveirinhos, escanteios, força física e pedidos de pênalti, a seleção europeia não teve repertório técnico suficiente para construir um cenário a seu favor.
Do outro lado, o Marrocos provou que, além da velocidade de seu ataque e meio de campo, sabe se defender com segurança e se adaptar ao que o adversário propor. Ao ‘fechar a casinha’ e resistir à pressão física europeia com sua linha defensiva e o goleiro Bono, os africanos mostraram que podem sonhar alto, mas ainda precisam se organizar para construir um jogo mais vantajoso e sem sustos.
O tabuleiro do Grupo C e a pressão jogada para o Brasil
Após vencer a Escócia com um único gol e ultrapassá-la na liderança do grupo com 4 pontos, o Marrocos jogou toda a pressão para a seleção brasileira, que jogaria em seguida na Filadélfia e demandaria de dois gols ou mais para ficar com o primeiro lugar. Tal necessidade foi alcançada pela Amarelinha contra o Haiti depois de um 3 a 0, mas ainda deixou o posicionamento do Grupo C aberto para a terceira e última rodada, que acontece na próxima quarta-feira.
Ao estacionar nos 3 pontos, a Escócia virá para o jogo contra o Brasil encarando o confronto como uma verdadeira final de Copa do Mundo, e dependendo do saldo de gols caso vença e queira avançar para a fase eliminatória como líder de seu chaveamento. Já Marrocos, apesar da vitória magra e de deixar de ser o primeiro colocado com a vitória brasileira, chega com um tabuleiro mais fácil ao enfrentar um Haiti que estará apenas cumprindo tabela e sem chances de pegar 16 avos, mantendo a vida do Brasil complicada.
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