Japão
Copa do Mundo Seleção Brasileira

Impressões de Japão x Suécia: confira o que esperar do próximo adversário do Brasil

O empate por 1 a 1 entre Japão e Suécia definiu o futuro das duas seleções na Copa do Mundo, mas também deixou importantes conclusões para a sequência da competição. Em um duelo de muita intensidade tática, o Japão mostrou ser uma equipe extremamente versátil, capaz de adaptar seu estilo de jogo conforme a necessidade da partida. Já a Suécia evidenciou um problema que pode custar caro no mata-mata: a dificuldade do meio-campo em abastecer uma das melhores duplas de ataque do torneio.

Além disso, o confronto reforçou o peso que os goleiros terão na próxima fase. Tanto Zetterstrom quanto Suzuki foram decisivos em momentos importantes e mantiveram suas seleções vivas durante os 90 minutos. Com o Japão tendo pela frente o Brasil e a Suécia enfrentando França ou Noruega, a atuação dos arqueiros pode voltar a ser determinante para sonhar com uma classificação.

A maturidade tática do Japão impressiona

japao x suecia copa do mundo
Foto: FIFA

Um dos principais destaques da seleção japonesa foi a capacidade de mudar completamente sua forma de jogar sem perder organização. Poucas equipes conseguem executar diferentes propostas dentro da mesma partida, e o Japão mostrou maturidade para fazer exatamente isso.

Nos momentos em que buscou atacar, a equipe encontrou boas combinações de passes curtos, tabelas rápidas e infiltrações entre os defensores suecos. O gol marcado por Maeda resume bem essa característica. A jogada passou por uma troca de passes precisa, teve o pivô de Ueda e terminou com uma infiltração perfeita de Maeda, mostrando um ataque coletivo muito bem treinado.

Quando o cenário do jogo pedia mais controle, os japoneses também responderam positivamente. A equipe terminou o primeiro tempo com 57% de posse de bola e utilizou seus meio-campistas para administrar o ritmo da partida. A circulação da bola diminuiu a intensidade da Suécia e obrigou os europeus a correrem atrás da posse, dificultando a construção de ataques.

Após sofrer o empate, o Japão apresentou uma terceira versão dentro do mesmo jogo.

A seleção recuou suas linhas, compactou o sistema defensivo e aceitou entregar a posse de bola para a Suécia. Em vez de continuar pressionando, priorizou fechar os espaços e impedir que os suecos encontrassem infiltrações pelo corredor central.

Essa capacidade de alternar entre atacar, controlar e defender mostra uma seleção preparada para enfrentar diferentes estilos de adversário. Contra o Brasil, por exemplo, dificilmente conseguirá dominar a posse de bola durante longos períodos. A organização defensiva demonstrada diante da Suécia pode ser justamente a principal arma para tentar equilibrar o confronto.

A Suécia possui grandes atacantes, mas falta quem os faça jogar

japão x suecia
(Photo by Lars Baron/Getty Images)

Se o Japão saiu fortalecido pela versatilidade, a Suécia deixou uma preocupação evidente.

A dupla formada por Viktor Gyokeres e Alexander Isak talvez seja uma das mais qualificadas desta Copa do Mundo. Ambos vivem grande fase e possuem características complementares, mas praticamente não conseguiram participar da partida.

O principal motivo foi o desempenho do meio-campo.

Bernhardsson, Stroud, Ayari e Bergvall encontraram enormes dificuldades para quebrar as linhas defensivas japonesas. O quarteto até conseguiu manter certa circulação da bola, mas faltou criatividade para encontrar passes entre os espaços e conectar o meio aos atacantes.

Os números ajudam a explicar esse cenário.

Os quatro meio-campistas produziram apenas cinco passes decisivos durante toda a partida, um número muito baixo para uma equipe que precisava vencer para buscar a segunda colocação do grupo F.

Como consequência, Gyokeres e Isak passaram boa parte do jogo isolados.

As melhores oportunidades da Suécia não nasceram de construções coletivas. O gol de Elanga surgiu graças a uma excelente jogada individual pela direita, enquanto outra grande chance apareceu depois de um erro do Japão na saída de bola, quando Isak recuperou a posse próximo da área.

Ou seja, a seleção sueca dependeu muito mais de erros do adversário ou da qualidade individual de seus jogadores do que propriamente da criação do seu meio-campo.

Esse pode ser um problema ainda maior contra França ou Noruega, seleções que costumam conceder poucos espaços.

Zetterstrom e Suzuki podem decidir o futuro das duas seleções

Suzuki japão
(Photo by Sebastian Frej/Getty Images)

Se houve um setor que saiu valorizado após o empate, foi o dos goleiros.

Zetterstrom foi um dos jogadores mais importantes da Suécia durante a partida. Embora tenha terminado o confronto com apenas duas defesas, ambas aconteceram em momentos extremamente importantes.

A principal delas veio aos 44 minutos do primeiro tempo, quando Nakamura finalizou com força após bela jogada coletiva japonesa. O goleiro sueco fez uma defesa espetacular e evitou que sua equipe fosse para o intervalo em desvantagem justamente quando o Japão vivia seu melhor momento.

A intervenção manteve a Suécia viva na partida e permitiu que a equipe reagisse poucos minutos depois do intervalo.

Do lado japonês, Suzuki teve uma atuação ainda mais decisiva.

O goleiro encerrou o jogo com quatro defesas, sendo duas delas diante de Alexander Isak.

Na primeira, apareceu rapidamente após um erro na saída de bola do Japão para impedir a virada sueca. Já nos acréscimos, voltou a salvar sua equipe ao defender uma cabeçada de Isak praticamente à queima-roupa, garantindo o empate que confirmou a segunda colocação do Grupo F.

As atuações dos dois arqueiros podem representar um sinal importante para a sequência da Copa.

O Japão enfrentará o Brasil, dono de um dos ataques mais forte do torneio. Já a Suécia terá pela frente França ou Noruega, seleções que também apresentam enorme qualidade ofensiva.

Em confrontos eliminatórios, nos quais um único lance costuma definir o classificado, contar com goleiros capazes de decidir partidas pode fazer toda a diferença. Japão e Suécia mostraram neste empate que, se desejam surpreender na fase de mata-mata, possuem dois nomes confiáveis para sustentar suas esperanças quando a pressão aumentar.

(Foto de capa: Alex Slitz/Getty Images)

author
Kaique