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Futebol Copa do Mundo

Inglaterra tem seis caminhos para eliminar a Noruega e seguir viva na Copa do Mundo; entenda

A Inglaterra chegou às quartas de final da Copa do Mundo de 2026 sem convencer totalmente, mas também sem grandes sustos. A equipe comandada por Thomas Tuchel superou seus desafios até aqui e agora encara um teste de outro nível: a surpreendente e perigosa Noruega, que vem embalada por uma campanha histórica e sonha em alcançar uma semifinal inédita.

Do outro lado estará um dos ataques mais letais do torneio. Erling Haaland vive mais uma Copa do Mundo digna de videogame, Martin Odegaard comanda a criação e jogadores experientes como Julian Ryerson e Alexander Sørloth completam uma seleção que perdeu o status de zebra faz tempo.

Para a Inglaterra, a classificação passa por muito mais do que simplesmente marcar Haaland. O confronto promete ser decidido nos detalhes, e existem alguns fatores que podem fazer toda a diferença para Harry Kane e companhia continuarem sonhando com o título mundial.

A missão impossível? Tentar parar Erling Haaland

Se existe uma pergunta que assombra qualquer defesa atualmente, ela é simples: como parar Erling Haaland?

A resposta, aparentemente, ninguém encontrou.

Durante a entrevista coletiva antes da partida, Morgan Rogers resumiu bem o desafio. Questionado sobre como a Inglaterra pretendia neutralizar o camisa 9, respondeu em tom bem-humorado: “Alguém já conseguiu parar o Haaland? Acho que nunca conseguiram. Mas vamos tentar.”

A brincadeira esconde uma enorme preocupação.

O atacante marcou 27 gols nas últimas 14 partidas oficiais pela Noruega e balançou as redes em todos esses compromissos. Na Copa do Mundo, já soma sete gols em quatro jogos e pode alcançar uma marca histórica caso volte a marcar diante da Inglaterra.

O curioso é que Haaland participa relativamente pouco do jogo. Ele registra apenas 24,8 toques na bola por 90 minutos, um dos menores índices entre todos os jogadores que atuaram pelo menos 300 minutos na competição.

Só que basta uma bola.

Dos seus 18 chutes na Copa, 17 aconteceram de primeira. Ele praticamente não precisa dominar para finalizar. Sua capacidade de aparecer exatamente no lugar certo transforma qualquer cruzamento ou passe em uma chance real de gol.

Por isso, talvez o segredo não seja marcar Haaland individualmente durante os 90 minutos, mas impedir que a bola chegue limpa até ele.

Martin Odegaard precisa ser desconectado do ataque

Se Haaland é quem finaliza, Martin Odegaard normalmente é quem aperta o botão de iniciar a jogada.

O meia do Arsenal é o cérebro da seleção norueguesa.

Ele distribuiu assistências nas três primeiras partidas da Copa, figura entre os principais garçons do torneio e lidera a Noruega em passes para dentro da área adversária.

Além disso, destaca-se pela capacidade de quebrar linhas defensivas mesmo quando pressionado por marcadores.

Esse tipo de passe é justamente o que mais incomoda qualquer sistema defensivo.

Caso a Inglaterra consiga reduzir os espaços de Odegaard e impedir que ele pense o jogo com tranquilidade, automaticamente diminuirá bastante o número de oportunidades criadas para Haaland. Em outras palavras: às vezes vale mais fechar a torneira do que tentar secar o chão depois.

Atacar também será obrigatório

Pensar apenas na defesa pode ser um erro fatal. A Noruega mostrou durante toda a Copa que também deixa espaços importantes na própria defesa.

Embora tenha construído uma campanha excelente, a equipe sofreu nove gols nos cinco primeiros jogos do torneio. O ataque resolveu muitos problemas, mas a defesa esteve longe de transmitir total segurança.

Existe, inclusive, um padrão interessante observado até aqui. Boa parte dos gols sofridos pelos noruegueses nasceu de cruzamentos vindos pelo lado direito da defesa. Iraque, Senegal e França exploraram exatamente esse setor para marcar. Isso pode favorecer bastante a estratégia inglesa.

A Inglaterra lidera, ao lado do Egito, o número de gols de cabeça nesta Copa do Mundo. Quatro das bolas na rede surgiram dessa maneira, e três nasceram justamente de cruzamentos pelo lado esquerdo do ataque.

Caso Anthony Gordon seja escalado, sua velocidade e qualidade para levantar bolas na área podem se tornar uma das principais armas inglesas.

E considerando que Harry Kane continua sendo um dos melhores finalizadores do planeta, qualquer cruzamento bem executado representa perigo imediato.

O calor da Flórida também entra em campo

Nem sempre o adversário veste uniforme. A partida será disputada às cinco da tarde, na Flórida, com temperatura prevista de aproximadamente 33°C. O problema é que, por causa da umidade extremamente elevada, a sensação térmica pode ultrapassar os 40°C.

Isso muda completamente a dinâmica do jogo. Desde que assumiu a Inglaterra, Thomas Tuchel vem defendendo um estilo baseado na intensidade típica da Premier League.

A equipe pressiona alto, recupera bolas rapidamente e tenta sufocar os adversários desde o início das jogadas.

Os números comprovam essa característica. A Inglaterra aparece entre as seleções que mais pressionam nesta Copa e só fica atrás da Espanha entre os times ainda vivos na competição.

Só que manter esse ritmo durante 90 minutos em condições climáticas tão pesadas pode cobrar um preço alto.

Será necessário saber quando acelerar e quando diminuir o ritmo para recuperar energia mantendo a posse de bola. Em partidas como essa, inteligência física vale quase tanto quanto qualidade técnica.

Ganhar a segunda bola pode decidir o confronto

Outro aspecto fundamental será o duelo físico. A Noruega utiliza frequentemente lançamentos longos para Alexander Sørloth e Haaland, aproveitando a força aérea da dupla para ganhar terreno rapidamente.

O goleiro Orjan Nyland costuma procurar Sorloth logo na saída de bola, transformando essa ligação direta em uma das principais características ofensivas da equipe.

A Inglaterra, por sua vez, apresenta ótimos números nos duelos individuais.

Os ingleses possuem um dos melhores índices de sucesso em disputas físicas e também aparecem entre os líderes em bolas aéreas vencidas. Mas vencer apenas a primeira disputa não basta.

O verdadeiro segredo está em conquistar a segunda bola.

É exatamente aí que Jude Bellingham, Declan Rice e Elliot Anderson podem fazer enorme diferença. Os três se destacam justamente pela capacidade de recuperar posses logo após divididas, impedindo que a Noruega transforme essas jogadas diretas em ataques perigosos.

A experiência inglesa pode pesar nos momentos decisivos

Existe ainda um fator que não aparece nas estatísticas. A experiência. Desde que Gareth Southgate assumiu a seleção após a Eurocopa de 2016, a Inglaterra virou presença constante nas fases finais dos grandes torneios.

Chegou à semifinal da Copa de 2018, disputou duas finais consecutivas de Eurocopa e agora volta às quartas de final de um Mundial.

Grande parte desse elenco já sabe exatamente como administrar a pressão de jogos eliminatórios.

Jordan Pickford, por exemplo, poderá se tornar o jogador inglês com mais partidas em Copas do Mundo, ultrapassando Peter Shilton caso entre em campo.

Harry Kane, Declan Rice, Jude Bellingham e outros nomes importantes também já viveram partidas desse tamanho. Enquanto isso, a Noruega disputa pela primeira vez uma fase de quartas de final em um grande torneio internacional.

É claro que talento não falta aos escandinavos. Muito pelo contrário. Mas existe uma diferença enorme entre sonhar com uma campanha histórica e lidar, pela primeira vez, com a pressão de estar a apenas dois jogos de uma final de Copa do Mundo.

A Inglaterra espera justamente usar essa bagagem para transformar pequenos detalhes em vantagem.

Porque, diante de um adversário liderado por Haaland, ninguém espera um jogo tranquilo. A missão da Inglaterra passa por controlar Odegaard, explorar as fragilidades defensivas dos noruegueses, sobreviver ao calor da Flórida e fazer valer a experiência acumulada em anos de campanhas consistentes.

Se conseguir cumprir essas seis tarefas, a Inglaterra de Thomas Tuchel terá boas chances de continuar vivo na busca por um título mundial que a torcida inglesa espera há 60 anos. Caso contrário, a Noruega pode continuar escrevendo um dos capítulos mais surpreendentes desta Copa do Mundo.

Foto: Al Bello/Getty Images