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Inglaterra e seus camisas 9: onde foram parar os outros atacantes do English Team?

Durante décadas, a Inglaterra contou com grandes centroavantes em suas história no futebol. Alan Shearer, Andy Cole, Michael Owen e Robbie Fowler fizeram parte de uma geração capaz demonstrar a verdade realidade e naturalidade de um goleador. Entretanto, os tempos mudaram, a posição de camisa nove clássico começou a encontrar dificuldades para sobreviver, chegando aos dias atuais…

Hoje, se você olhar a lista de atacantes disponíveis para a seleção inglesa, vai encontrar Harry Kane… e praticamente mais ninguém. O craque do Bayern de Munique segue acumulando gols na Alemanha, mas, ao redor dele, o deserto é evidente. Daria até para imaginar a possibilidade de todos os outros terem se sacrificado em prol da principal estrela da Inglaterra na próxima Copa, e com grandes chances de ser na seguinte.

Inglaterra se vê em frangalhos quando o assunto é atacantes

Nada melhor do que dados para mostrarem a verdade realidade da posição de camisa nove da Inglaterra. Nesta temporada da Premier League, apenas oito atacantes ingleses entraram em campo até agora. E o número de gols é assustadoramente baixo.

Danny Welbeck, do Brighton, lidera o grupo com seis gols em 11 partidas, uma quantidade respeitável, mas que ganha um tom melancólico quando se percebe que ele já tem 34 anos, estamos falando de um experiente jogador que possui uma vasta carreira pelo Campeonato Inglês. Logo atrás vem Callum Wilson, do Newcastle, com dois gols em oito jogos, e sim, mais um jogador que está longe de merecer espaço no English Team de Thomas Tuchel.

Depois disso, o rendimento despenca absurdamente. Ollie Watkins, Dominic Calvert-Lewin e Eddie Nketiah têm apenas um gol cada, somando juntos mais de 25 partidas disputadas. Quando o assunto chega em Liam Delap, Dominic Solanke e Ashley Barnes é necessário dizer que ainda não marcaram em 2025. Ou seja: entre oito atacantes, só dois balançaram as redes mais de uma vez.

E os números históricos não deixam dúvidas sobre o tamanho da queda. Em 2019/20, os centroavantes da Inglaterra marcaram 149 gols na Premier League. Dois anos depois, foram 98. Em 2023/24, o número caiu para 96, e na última temporada despencou para 67. Agora, com apenas 11 gols até o momento, a projeção é de 38 gols ao final do campeonato, menos da metade do que Shearer ou Andy Cole faziam sozinhos em 1990.

Menos minutos, mais estrangeiros e o fim das duplas de ataque

O declínio dos atacantes ingleses não é apenas técnico, mas também estrutural. De acordo com o ex-jogador e hoje comentarista Chris Sutton, o problema começa na falta de oportunidades dos profissionais do país. Entre os oito nomes citados, só Welbeck, Watkins e Calvert-Lewin começaram mais de três partidas como titulares. Nketiah, Solanke e Barnes sequer iniciaram uma partida na posição de centroavante.

Sutton também aponta mudanças táticas como causa direta. “Nos anos 1990, praticamente todos os times jogavam com dois atacantes. Hoje, a maioria joga com um só e, quase sempre, ele é estrangeiro”, explicou o ex-artilheiro.

Basta olhar para os principais clubes da Inglaterra: o Manchester City tem Haaland, o Newcastle contava com Isak, hoje quem possui o sueco é o Liverpool, mas também tem Hugo Ekitiké,que é francês, o Arsenal apostava em Gabriel Jesus, no momento já possui o também atleta da Suécia, Viktor Gyokeres e o Manchester United recorria ao dinamarquês Højlund, por agora conta com a presença de Benjamin Sesko, da Eslovênia, ou até o brasileiro Matheus Cunha em certas ocasiões. Nenhum deles é inglês. A Premier League continua cheia de artilheiros, só não são da casa.

A nova geração da Inglaterra não quer ser centroavante

O ex-capitão Alan Shearer, maior goleador da história da Premier League, acredita que a crise também vem da formação dos jovens. “Ninguém quer jogar de centroavante mais. Os garotos preferem ser pontas, driblar, construir o jogo. O camisa 9 clássico, que apanha dos zagueiros e toca poucas vezes na bola, perdeu espaço”, afirmou em entrevista à BBC.

O futebol moderno prioriza mobilidade e participação na criação das jogadas. A nova geração da Inglaterra não pensa em coisas diferentes de ser o próximo Phil Foden ou Bukayo Saka, muito menos seguir os passos de Shearer, que com o passar do tempo, foi considerado um perna de pau por muitos. Até Michael Owen reconheceu que, se surgisse hoje, provavelmente seria escalado como ponta-esquerda, e não como centroavante puro.

Nas categorias de base, o reflexo é claro: a seleção sub-21 inglesa disputou a última Euro sem levar nenhum centroavante de origem. E o único jogador sub-23 com perfil de “nove” é Divin Mubama, emprestado ao Stoke City.

Harry Kane se apresenta no melhor momento possível

A Inglaterra não possui uma enorme lista de camisas noves em seu elenco, ou na sua geração, mas enquanto isso, contam com a presença de um dos melhores jogadores da atualidade. Simplesmente Harry Kane vive tempos áureos com o Bayern de Munique, onde está imparável, e com certeza, essa realidade influenciará a Inglaterra em seus próximos passos, ainda mais com a Copa do Mundo como próximo importante destino.

A grande questão é: o que acontece se Kane se machucar antes do próximo mundial?
Tuchel certamente iria no caminho de improvisar Rashford, Bowen ou Foden, mas todos são, essencialmente, pontas ou meias-ofensivos. Não dá para imaginar esse cenário ocorrendo, sem ser um problema para a Inglaterra, não ter seu principal centroavante disponível.

Chris Sutton ironizou recentemente: “Se você é um atacante inglês e consegue chutar a bola em linha reta, já tem boas chances de ir para a seleção”.

Foto: Getty Images