A caminhada da Inglaterra na Copa do Mundo começa nesta quarta-feira (18), diante da Croácia, mas nem mesmo a poucas horas da estreia o técnico Thomas Tuchel parece ter definido completamente sua equipe titular.
Se em algumas seleções o time inicial já está praticamente decorado pelos torcedores, no English Team a situação é um pouco diferente. O treinador alemão mantém o costume de deixar decisões para o último momento e chega ao primeiro compromisso do Grupo L com pelo menos quatro posições ainda em disputa.
As dúvidas envolvem setores importantes do campo: um zagueiro, os dois pontas e o meia mais avançado. Nada exatamente simples para quem vai enfrentar uma seleção croata acostumada a competir em grandes torneios.
Bellingham larga na frente, mas Rogers segue vivo
A principal disputa acontece na função de camisa 10. De um lado está Jude Bellingham, uma das maiores estrelas do futebol mundial e peça fundamental do Real Madrid. Do outro, Morgan Rogers, que ganhou espaço ao longo do ciclo e foi presença constante durante as Eliminatórias.
Nos últimos compromissos preparatórios, especialmente na vitória sobre a Costa Rica, Bellingham parece ter recuperado a dianteira na corrida pela titularidade. Além das boas atuações em campo, relatos vindos dos treinamentos indicam que o meia tem impressionado a comissão técnica.
Ainda assim, ninguém dentro da Inglaterra considera a disputa encerrada.
Rogers foi um dos jogadores mais utilizados por Tuchel durante a campanha classificatória e participou de todos os oito jogos das Eliminatórias. O treinador valoriza bastante sua intensidade sem bola e a capacidade de atacar espaços, características que podem ser importantes diante de uma Croácia que costuma controlar a posse.
Por enquanto, a sensação é de que Bellingham começará jogando. Mas quando o assunto é Thomas Tuchel, previsões costumam ser perigosas.
Saka ou Madueke?
Na ponta direita, a discussão é menos técnica e mais física. Bukayo Saka é considerado o titular natural da posição, mas ainda trabalha para recuperar o melhor ritmo após problemas físicos recentes. Por isso, Noni Madueke recebeu oportunidade entre os titulares no amistoso contra a Costa Rica.
O atacante do Arsenal já afirmou publicamente que se sente pronto para atuar, mas também reconheceu que a decisão final está nas mãos do treinador.
Se estiver liberado para suportar uma partida inteira em alta intensidade, Saka provavelmente começará jogando. Caso exista qualquer dúvida da comissão técnica, Madueke aparece como alternativa imediata. E convenhamos: poucas seleções no mundo reclamariam de ter uma disputa desse nível para resolver.
Rashford tenta confirmar retomada
Pelo lado esquerdo do ataque, Marcus Rashford e Anthony Gordon travam outra batalha interessante.
Durante boa parte da temporada, Gordon parecia ter assumido vantagem considerável. O ponta vem acumulando boas atuações e ganhou confiança dentro do grupo inglês. Mas Rashford voltou a entrar forte na disputa.
Segundo informações que circulam dentro da concentração inglesa, o atacante atravessa um dos melhores momentos físicos dos últimos anos. Além disso, seu desempenho nos treinamentos tem chamado bastante atenção da comissão técnica.
Existe também um fator importante: Tuchel sempre demonstrou enorme confiança no jogador. Desde que assumiu a seleção inglesa, o treinador fez questão de demonstrar apoio público ao atacante.
Por isso, mesmo com a evolução de Gordon, a sensação nos bastidores é de que Rashford continua sendo o favorito para iniciar a partida.
Defesa da Inglaterra ainda gera questionamentos
Se o ataque provoca debates, a zaga talvez seja o setor mais imprevisível da equipe.
Durante meses, a impressão era de que Marc Guehi tinha vaga garantida entre os titulares. A dúvida ficaria apenas sobre quem atuaria ao seu lado: John Stones ou Ezri Konsa.
Só que o amistoso da Inglaterra contra a Costa Rica mudou um pouco esse cenário.
Na ocasião, Tuchel escalou Stones e Konsa juntos, deixando Guehi fora da formação inicial. A escolha aumentou ainda mais as especulações sobre quem começará a Copa.
John Stones parece ser o nome mais seguro neste momento. Experiente, acostumado a decisões e com histórico importante pela seleção, o defensor do Manchester City surge como forte candidato a liderar o sistema defensivo.
A grande questão da Inglaterra é descobrir quem será seu parceiro.
Guehi oferece velocidade e boa leitura defensiva. Konsa, por sua vez, vive fase consistente e transmite enorme segurança. A decisão pode acabar sendo tomada apenas nas horas finais antes do confronto.
Base da Inglaterra já está definida
Apesar das dúvidas, a espinha dorsal da Inglaterra parece consolidada.
Jordan Pickford deve iniciar sua terceira Copa do Mundo como goleiro titular. Reece James aparece como dono da lateral direita, enquanto Nico O’Reilly está cotado para fazer sua estreia em Mundiais pelo lado esquerdo.
No meio-campo, Declan Rice e Elliot Anderson formam a dupla responsável por dar equilíbrio à equipe. Mais à frente, tudo indica que Bellingham terá liberdade para criar.
No comando do ataque da Inglaterra, não existe discussão: Harry Kane continua sendo a principal referência ofensiva dos ingleses e uma das maiores esperanças do país para finalmente encerrar a longa espera por um título mundial.
Tuchel deixa suspense até o último minuto
Quem acompanha a carreira de Thomas Tuchel sabe que ele raramente entrega suas cartas antes da hora.
O treinador da Inglaterra costuma definir a escalação final apenas no dia do jogo, depois de refletir durante a noite anterior. É um método que já utilizava em clubes e que segue aplicando na seleção.
Para os jornalistas, é um pesadelo. Para os torcedores ingleses, uma mistura de ansiedade e curiosidade.
O que parece certo é que sete posições já estão praticamente definidas. As outras quatro continuam abertas e podem ser decididas por detalhes mínimos.
Quando a bola rolar contra a Croácia, a Inglaterra entrará em campo como uma das candidatas ao título. Mas, até lá, Thomas Tuchel ainda tem algumas peças importantes para encaixar nesse quebra-cabeça.
Foto: Alex Menendez/Getty Images