A Inglaterra começou sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 com vitória, gols e algumas respostas importantes para Thomas Tuchel — mas também deixou questionamentos que provavelmente continuarão acompanhando a seleção nas próximas semanas. O triunfo por 4 a 2 sobre a Croácia garantiu os primeiros três pontos no Grupo L, colocou os ingleses em boa posição logo na largada e reforçou o potencial ofensivo da equipe, mas o roteiro do jogo mostrou que ainda existe trabalho a ser feito até transformar favoritismo em consistência.
Durante boa parte do primeiro tempo, os ingleses alternaram momentos de controle com períodos de desconforto. Harry Kane abriu vantagem duas vezes, mas a Croácia conseguiu responder nas duas oportunidades e deixou evidente que a Inglaterra ainda está distante do equilíbrio que apresentou durante as Eliminatórias, competição em que havia passado sem sofrer gols. Só depois do intervalo a equipe encontrou estabilidade e passou a transformar superioridade técnica em domínio real dentro da partida.
No fim, o placar acabou transmitindo uma sensação de tranquilidade maior do que o jogo realmente teve.
Inglaterra cresce após intervalo e muda completamente o ritmo da partida
Os primeiros 45 minutos mostraram uma Inglaterra eficiente quando chegava ao ataque, mas pouco dominante.
Mesmo com dois gols marcados por Kane, os ingleses produziram pouco volume ofensivo e finalizaram poucas vezes com perigo real. Ao mesmo tempo, a defesa demonstrou fragilidades que chamaram atenção, especialmente porque o setor vinha sendo tratado como um dos pontos fortes da equipe antes do início do torneio.
A decisão de Thomas Tuchel de deixar Marc Guehi fora da escalação inicial gerou comentários antes mesmo da bola rolar, e durante o primeiro tempo algumas dessas dúvidas pareceram ganhar força.
A Croácia conseguiu encontrar espaços importantes entre linhas e explorou especialmente os movimentos de Ivan Perisic atacando profundidade. Foi justamente em uma dessas jogadas que surgiu o segundo gol croata, mantendo o jogo completamente aberto.
Só que a conversa no intervalo claramente mudou o cenário.
A Inglaterra voltou com outro comportamento. A intensidade aumentou, o volume ofensivo cresceu e o time passou a recuperar bolas mais rapidamente. Os números ajudam a explicar essa transformação: depois de criar pouco antes do intervalo, os ingleses multiplicaram as finalizações certas na etapa final e passaram a ocupar o campo ofensivo com muito mais frequência.
O gol de Jude Bellingham logo na volta do intervalo teve peso enorme para mudar emocionalmente a partida.
Depois disso, o time controlou melhor o ritmo e Marcus Rashford apareceu saindo do banco para fechar o placar.
Harry Kane confirma momento extraordinário e amplia legado pela Inglaterra
Se havia expectativa sobre quem seria o grande nome inglês na estreia, Harry Kane tratou de encerrar o debate rapidamente.
O atacante voltou a mostrar por que se transformou em uma das figuras mais consistentes do futebol internacional nos últimos anos. Os dois gols marcados diante da Croácia não serviram apenas para colocar a Inglaterra em vantagem — eles também colocaram o camisa 9 em mais um capítulo histórico.
Com os gols, Kane chegou aos 10 marcados em Copas do Mundo e igualou Gary Lineker como maior artilheiro inglês da história do torneio.
A marca ganha ainda mais peso porque foi alcançada em apenas 12 partidas disputadas.
O primeiro gol teve um pequeno drama. Dominik Livakovic defendeu inicialmente a cobrança de pênalti, mas o lance precisou ser repetido após invasão, e Kane converteu na segunda tentativa com tranquilidade.
Já o segundo apareceu de uma forma clássica para o atacante: movimentação dentro da área e imposição física para finalizar de cabeça após cruzamento de Declan Rice.
Além dos gols, Kane liderou estatísticas ofensivas importantes e terminou o confronto como principal referência do setor ofensivo.
E considerando que ainda restam partidas na fase de grupos, a tendência é que seus números continuem crescendo.
Bellingham aproveita oportunidade e responde confiança de Tuchel
Outro personagem importante da estreia foi Jude Bellingham.
Antes da partida existia expectativa sobre quem ocuparia a faixa central mais avançada do meio-campo, principalmente porque Thomas Tuchel havia utilizado outras alternativas durante parte do ciclo classificatório.
Mas o treinador escolheu Bellingham.
E o meia respondeu.
A atuação teve muito mais do que o gol marcado. O jogador do Real Madrid participou constantemente da construção, procurou jogo o tempo inteiro e voltou a mostrar uma característica que virou marca da carreira: conduções agressivas rompendo linhas.
Foi justamente em uma dessas chegadas que apareceu o gol que recolocou a Inglaterra em vantagem.
Além da participação ofensiva, Bellingham também entregou intensidade sem bola, vencendo disputas e ajudando na pressão após perda.
Depois de uma Eurocopa de 2024 que terminou cercada por expectativas não totalmente atendidas, o meia começa esta Copa dando sinais de que quer assumir outro protagonismo.
A Inglaterra saiu da estreia com três pontos, bons sinais ofensivos e alguns alertas defensivos.
Mas se o objetivo era começar a competição com vitória e deixar claro que continua entre as candidatas ao título, o primeiro passo foi dado.
Foto: Getty Images