A Inglaterra confirmou seu favoritismo no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, ao vencer a República Democrática do Congo de virada por 2 a 1. O confronto, válido pelos 16 avos de final, ofereceu dificuldades em momentos do jogo para a seleção comandada por Thomas Tuchel, que sofreu um gol logo aos seis minutos de partida. Diante de um gol precoce, a Inglaterra se viu em desespero em parte do primeiro tempo, mas recompôs a calma ao longo do duelo e conseguiu a virada. A RD Congo, que chegou ao mata-mata pela primeira vez em sua história, variou a marcação ao longo da partida, alternando entre um bloco médio compacto e um bloco alto com alta pressão, dificultando a saída de jogo da Inglaterra em alguns momentos.
Para a Inglaterra, o resultado garante a classificação para as oitavas de final, onde enfrentará o México no histórico Estádio Azteca. Já a RD Congo se despede do torneio com a cabeça erguida, deixando uma imagem de dignidade e competitividade na Copa do Mundo. O triunfo inglês, embora suado, foi construído com a maturidade de quem soube explorar as brechas do adversário e contou com a genialidade decisiva de seus principais nomes.
A seguir, quatro impressões que ficaram da classificação da Inglaterra sobre a República Democrática do Congo.
O desafio de manter o controle sob pressão
A seleção da Inglaterra parecia sobrecarregada pela expectativa de vitória. O gol de Cipenga, logo no início, funcionou como um choque de realidade que desorganizou o sistema de Tuchel. Durante boa parte da primeira etapa, foi visível a impaciência dos jogadores ingleses, traduzida em faltas duras, passes errados em zonas de construção e dificuldades em fundamentos básicos.
Para uma equipe que sonha com o título da Copa do Mundo, cujo não vence desde 1966, esse desequilíbrio emocional é um ponto de atenção. O fato de terem conseguido a virada apenas na reta final do segundo tempo revela que a seleção ainda precisa demonstrar maior capacidade de gestão de crise quando o cenário da partida não sai conforme o esperado. O confronto contra o México, na altitude e em um ambiente hostil como o Estádio Azteca, será o teste para verificar se essa lição foi aprendida pelo grupo.
Boa apresentação dos defensores da RD Congo
Apesar da vitória da Inglaterra, seria impossível analisar o jogo sem destacar o desempenho de dois jogadores da República Democrática do Congo. O capitão Mbemba não foi apenas o pilar da zaga. Além da grande partida defensiva do jogador, chegando a tirar uma bola praticamente na linha do gol, o jogador foi o autor do passe que originou o gol de Cipenga.
Ao seu lado, o goleiro Mpasi-Nzau protagonizou uma das melhores atuações individuais do torneio até aqui. Com grandes reflexos e um bom posicionamento, ele parou finalizações de Jude Bellingham, Marcus Rashford e do próprio Harry Kane em momentos cruciais. Apesar de ter sofrido dois gols, Mpasi-Nzau pode ser considerado um dos melhores jogadores da partida, impedindo a Inglaterra de vencer por uma margem maior.
A profundidade do elenco comandado por Thomas Tuchel
A vitória inglesa foi, acima de tudo, um triunfo da estratégia de reposição. Thomas Tuchel identificou que o time precisava de maior oxigenação pelas pontas para quebrar a retranca congolesa, mesmo com boas partidas de Madueke e Rashford. As entradas de Anthony Gordon e Bukayo Saka podem ser considerados cruciais para a vitória. Anthony Gordon participou diretamente dos dois gols da virada da Inglaterra, abastecendo Harry Kane, para que ele pudesse botar no fundo da rede.
Essa capacidade de alterar o ritmo do jogo a partir do banco de reservas é um diferencial que poucas seleções no torneio possuem. Mesmo demorando um pouco para substituir sua equipe, Thomas Tuchel aproveitou a qualidade do elenco e realizou boas mexidas no time. Ao final, a substituição de Declan Rice por Stones foi apenas um movimento para proteger o resultado, consolidando a vitória construída justamente pela qualidade da rotação do elenco ao longo do segundo tempo.
Harry Kane é a grande referência técnica da Inglaterra
A presença de Harry Kane foi o fator de desequilíbrio do jogo. O capitão da Inglaterra não se escondeu quando a equipe precisava, buscando o jogo, recuando para ajudar na armação e, na hora da definição, além dos dois gols feitos, colocou o goleiro da RD Congo para trabalhar.
Harry Kane entrega à Inglaterra não apenas gols, mas uma estabilidade mental necessária durante os momentos tensos. Enquanto o tempo passava, ele manteve a compostura, garantindo que a seleção não se perdesse na desesperança.
Créditos da foto de capa: Colin Hubbard/AP