A Inglaterra garantiu classificação para a próxima fase da Copa do Mundo ao vencer o México por 3 a 2, em um duelo marcado por alternâncias de domínio, cinco gols e muita pressão no Estádio Azteca. Mesmo atuando diante de mais de 80 mil torcedores mexicanos e jogando com um atleta a menos desde os nove minutos do segundo tempo, a equipe comandada por Thomas Tuchel mostrou eficiência nas duas áreas e contou com grande atuação de Jude Bellingham para construir a vitória.
O meio-campista foi o principal nome da partida ao marcar duas vezes ainda na primeira etapa, aproveitando momentos de superioridade inglesa em um confronto que começou equilibrado. Harry Kane também deixou sua marca, convertendo um pênalti na etapa complementar, enquanto Julián Quiñones e Raúl Jiménez descontaram para o México, que pressionou até os minutos finais, mas não conseguiu evitar a eliminação.
O jogo
Empurrado pela torcida, o México iniciou a partida em ritmo intenso e tentou impor pressão sobre a saída de bola inglesa. A estratégia funcionou nos primeiros minutos, quando os donos da casa conseguiram controlar a posse e criar as primeiras oportunidades da partida.
A melhor delas surgiu em cruzamento para Raúl Jiménez, que se antecipou à marcação e cabeceou com força na primeira trave. Jordan Pickford, porém, fez grande defesa e evitou o gol mexicano logo no início.
A Inglaterra encontrou dificuldades para estabelecer seu jogo nos primeiros minutos, mas soube suportar a pressão inicial e, aos poucos, passou a controlar melhor a posse de bola. A equipe de Thomas Tuchel passou a explorar os espaços deixados pelos mexicanos nas transições e encontrou o caminho do gol em duas jogadas muito parecidas.
Aos 36 minutos, Declan Rice iniciou a construção ainda no campo defensivo e acionou Bukayo Saka pela direita. O atacante venceu Gallardo na velocidade e cruzou para Jude Bellingham aparecer livre na segunda trave e abrir o placar.
O México ainda assimilava o golpe quando sofreu novo castigo. Apenas dois minutos depois, a Inglaterra recuperou a bola no campo ofensivo, Harry Kane recebeu pela direita da área e cruzou rasteiro para Bellingham completar novamente para as redes, ampliando a vantagem.
Mesmo em situação complicada, os anfitriões não perderam a organização. Aos 42 minutos, após cobrança de falta pela esquerda, a defesa inglesa afastou parcialmente e Julián Quiñones aproveitou a sobra para finalizar com força e diminuir a diferença antes do intervalo.
O gol manteve o confronto completamente aberto para a segunda etapa.
Logo no início do segundo tempo, a Inglaterra sofreu um duro revés. Aos nove minutos, Jarell Quansah acertou entrada forte em Gallardo. Após revisão do VAR, o árbitro alterou a decisão inicial e aplicou cartão vermelho direto ao defensor inglês.
Com um jogador a mais, o México aumentou o volume ofensivo e passou a ocupar o campo de ataque com ainda mais frequência. No entanto, foi a Inglaterra quem voltou a marcar.
Após lançamento longo, Harry Kane brigou pela bola com a defesa mexicana e encontrou Anthony Gordon infiltrando na área. O atacante foi derrubado por Rangel, e o árbitro assinalou pênalti. Kane assumiu a cobrança e bateu com firmeza para fazer o terceiro gol inglês.
O México voltou a diminuir pouco depois. Em nova intervenção do VAR, a arbitragem identificou falta de Harry Kane sobre Gutiérrez dentro da área. Raúl Jiménez converteu a penalidade e recolocou os mexicanos definitivamente na partida.
Os minutos finais foram marcados por pressão intensa dos donos da casa. A Inglaterra recuou suas linhas, reforçou a marcação da área e passou a defender a vantagem. O México acumulou cruzamentos e bolas paradas, mas encontrou dificuldades para criar oportunidades realmente claras diante da boa organização defensiva inglesa.
A última grande chance surgiu já nos acréscimos, quando Alvarado cruzou pela direita, a bola atravessou a área e Stones desviou antes da finalização mexicana. A bola saiu muito perto da trave, encerrando a tentativa de reação dos anfitriões e confirmando a classificação da Inglaterra.
Eficiência ofensiva e solidez defensiva sustentam classificação da Inglaterra
A Inglaterra talvez não tenha controlado a partida durante a maior parte do tempo, mas mostrou uma característica importante em confrontos eliminatórios: soube identificar os momentos certos para acelerar e foi extremamente eficiente nas oportunidades que criou.
Mesmo pressionada durante o início do jogo, a equipe manteve a organização defensiva e encontrou espaços nas transições rápidas. Os dois gols marcados por Jude Bellingham nasceram justamente da capacidade inglesa de acelerar pelos lados e atacar uma defesa mexicana desorganizada após perder a posse de bola.
Bellingham voltou a confirmar o excelente momento vivido na competição. Além dos dois gols, participou ativamente da circulação ofensiva, aproximou-se dos atacantes e apareceu constantemente entre as linhas para oferecer opção de passe. Sua leitura dos espaços foi determinante para transformar o equilíbrio inicial em vantagem no placar.
Harry Kane também teve papel importante, mesmo sem grande volume de finalizações. Além do gol de pênalti, participou diretamente da construção do segundo gol e serviu como referência para aliviar a pressão quando a Inglaterra precisou jogar mais recuada após a expulsão de Quansah.
A expulsão do zagueiro representou o principal teste para a equipe de Thomas Tuchel. Com um homem a menos durante praticamente toda a segunda etapa, a Inglaterra reorganizou rapidamente seu sistema defensivo, baixou suas linhas e passou a proteger a entrada da área com bastante disciplina. O México teve mais posse de bola e ocupou o campo ofensivo, mas encontrou dificuldades para criar oportunidades em jogadas trabalhadas.
Jordan Pickford também merece destaque. O goleiro voltou a ser decisivo em momentos importantes, especialmente na defesa sobre Raúl Jiménez ainda nos minutos iniciais, quando o placar permanecia empatado. Em partidas eliminatórias, intervenções desse tipo costumam alterar completamente o rumo do jogo.
Pelo lado mexicano, a eliminação deixa uma sensação de oportunidade desperdiçada. A equipe produziu um bom volume ofensivo, pressionou principalmente nos primeiros minutos e voltou a competir mesmo depois de sofrer dois gols em sequência. Quiñones foi novamente o jogador mais perigoso do ataque, enquanto Raúl Jiménez participou bastante das ações ofensivas e converteu o pênalti que manteve o confronto em aberto.
Entretanto, os mexicanos voltaram a apresentar dificuldades defensivas em momentos decisivos. Os dois gols de Bellingham surgiram em situações semelhantes, com liberdade para infiltrações na segunda trave e pouca proteção dentro da área. Mesmo com vantagem numérica durante boa parte do segundo tempo, a equipe também encontrou dificuldades para transformar posse de bola em chances claras, abusando dos cruzamentos diante de uma defesa inglesa bem posicionada.
A Inglaterra sai fortalecida não apenas pela classificação, mas pela forma como administrou um cenário adverso. Depois de construir vantagem, suportou quase toda a etapa final com um jogador a menos, mostrou capacidade de adaptação e confirmou a vaga em uma partida de alta exigência competitiva. Esses elementos reforçam a confiança da equipe para a sequência do torneio.
(Foto: AFP)