Dois meses após a dura derrota na final da Champions e um mês depois da surpreendente eliminação para o Fluminense nas oitavas de final do Mundial de Clubes em Charlotte, a Inter de Milão dá a largada para a temporada 2025/26. E como de costume, o clube nerazzurro volta com tudo: agenda cheia de amistosos, mercado de transferências agitado, novos projetos estruturais e uma disputa interessante por um novo nome para o ataque. O clima em Appiano Gentile já é de reconstrução e ambição.
Primeiros testes e pré-temporada
A preparação começou com um treino coletivo em casa contra a recém-criada equipe Sub-23 da Inter, que disputará a Série C italiana. Uma vitória de 7 a 2 para o time principal, mas, mais do que o placar, o amistoso serviu para dar ritmo aos jogadores e observar os jovens em campo. Pela frente, o time ainda enfrenta o Monaco, do astro Pogba, no dia 8 de agosto, o Monza de Keita no dia 12, e o Olympiacos de Pirola em Bari, no dia 16 — todos antes da estreia oficial na Série A, marcada para o dia 25 de agosto, contra o Torino, em San Siro.
Projetos fora de campo: estádio e estrutura
Fora das quatro linhas, a Inter também vive um momento importante. A parceria com o fundo Oaktree vem rendendo frutos, e o clube já começou a trabalhar na melhoria de suas instalações. O grande sonho continua sendo o de ter um estádio próprio, mas os obstáculos burocráticos ainda travam o projeto. Um dos impasses mais recentes é uma resolução de 2000 que classifica o San Siro como patrimônio público de uso indisponível, o que na prática impede sua venda. Mesmo assim, a diretoria segue firme no plano de modernização.
Mercado de transferências: Inter abre o cofre
E o mercado? Diferente de anos anteriores, a Inter chegou com sede de investimento: já gastou 60 milhões de euros para contratar três jogadores — Sucic (14M), Luis Henrique (23M) e Bonny (23M). A diretoria, no entanto, não pretende parar por aí. A ideia é passar da barreira dos 100 milhões com a chegada de mais um atacante e, talvez, reforçar defesa e meio-campo.
Os nomes para o ataque estão definidos: Ademola Lookman, da Atalanta, é o preferido. Caso a negociação não avance, o plano B é Christopher Nkunku, do Chelsea. Ambos têm o mesmo perfil — são nascidos em 1997 e têm características ofensivas semelhantes. O nigeriano soma 85 gols e 43 assistências em 316 partidas, enquanto o francês tem 100 gols e 67 assistências em 326 jogos.
Lookman x Nkunku: disputa técnica e financeira
Apesar dos números parecidos, Lookman leva vantagem por dois motivos fundamentais. O primeiro: já está adaptado ao futebol italiano, tendo chegado à Serie A há três temporadas. O segundo — e mais decisivo — é o custo.
Mesmo com valores de transferência similares (cerca de 45 milhões de euros + bônus), o salário do nigeriano seria significativamente menor. Lookman receberia cerca de 4,5 milhões de euros líquidos por temporada, beneficiado pelos incentivos fiscais do Decreto Crescita. Já Nkunku, que atualmente ganha 6,5 milhões líquidos no Chelsea, custaria ao todo quase 12 milhões brutos por ano — o dobro. Isso torna a operação bem mais delicada financeiramente.
A única possibilidade de equilibrar as contas seria se o Chelsea aceitasse emprestar Nkunku com parte dos salários pagos pelos ingleses e com uma cláusula de compra futura. Algo ainda distante da realidade, mas não descartado.
A escolha de Lookman
O cenário parece mais favorável a Lookman. Inclusive, segundo fontes próximas à Atalanta, o jogador já teria pedido para ser negociado com a Inter. Resta agora a diretoria nerazzurra encontrar um acordo com o clube de Bérgamo e finalizar o negócio antes do fechamento da janela.
Esposito e Bonny: a comparação que gera debate
Se há algo que gera questionamentos entre torcedores e analistas, é a comparação entre Bonny e Sebastiano Esposito. O francês de 21 anos (2003) fez apenas 6 gols e 4 assistências em 38 jogos na última temporada. Já Esposito, emprestado ao Empoli, marcou 10 gols e deu 2 assistências em 39 partidas. Ainda assim, a Inter está prestes a vender o italiano ao Cagliari por apenas 6 milhões de euros, enquanto desembolsou 23 milhões (com mais 3M em bônus) para contratar Bonny do Parma. A diferença de tratamento entre as promessas divide opiniões.
O contexto europeu: o Chelsea segue gastando
Enquanto a Inter se move com cautela, o Chelsea segue como símbolo da disparidade financeira entre Inglaterra e Itália. Já foram 190 milhões de euros gastos com nomes como João Pedro, Jamie Gittens, Liam Delap e o brasileiro Estevão. E as tratativas continuam — Xavi Simons e Garnacho estão na mira. Como disse recentemente Arrigo Sacchi, ex-treinador da seleção italiana: “Assim fica impossível competir de igual para igual”.
A Inter entra na nova temporada tentando equilibrar ambição com planejamento. O clube já deu passos importantes no mercado, mas sabe que a peça final do quebra-cabeça ofensivo precisa ser certeira. Lookman parece o nome ideal por desempenho, adaptação e custo. Nkunku é uma tentação, mas envolve riscos e cifras elevadas.
Com a pré-temporada em andamento e os bastidores fervendo, o torcedor nerazzurro pode esperar um mês de agosto movimentado — dentro e fora de campo. E talvez, quem sabe, com um novo ídolo no ataque para esquecer a frustração do último ano e sonhar alto outra vez.