Roma e Inter empataram por 2 a 2 no Estádio Olímpico, em uma partida que colocou frente a frente duas das principais equipes da Serie A e terminou sem um vencedor. A Roma abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com dois gols de Manu Koné, dominou completamente o jogo durante os 45 minutos iniciais e parecia caminhar para uma vitória importante. A Inter, porém, reagiu mais uma vez no segundo tempo, desta vez com dois gols de Lautaro Martínez, e conseguiu arrancar um ponto fora de casa.
O empate mantém Roma e Inter com 13 pontos e deixa a liderança do campeonato sem um dono isolado. O resultado também aumenta a sensação de equilíbrio na disputa pelo Scudetto, já que Como e Lazio podem alcançar os dois líderes caso vençam seus compromissos na rodada. Mais do que perder dois pontos ou conquistar um fora de casa, as duas equipes deixam o Olímpico com sentimentos diferentes: a Roma lamenta uma vantagem de dois gols desperdiçada, enquanto a Inter pode enxergar valor em mais uma reação, embora tenha passado um primeiro tempo muito abaixo do esperado.
O jogo
A expectativa antes da partida era por um confronto equilibrado, mas a primeira etapa mostrou uma Roma muito mais preparada para aquilo que o jogo exigia. A equipe de Gian Piero Gasperini entrou agressiva, compacta e capaz de explorar os espaços deixados pela Inter. O meio-campo nerazzurro teve dificuldades para filtrar as ações ofensivas, enquanto os donos da casa encontravam caminhos para acelerar as jogadas.
O primeiro gol saiu logo aos seis minutos. Molina iniciou a jogada com uma recuperação importante e acionou Dybala. O argentino avançou e encontrou espaço para tocar novamente para seu compatriota, que cruzou para a área. Koné apareceu de trás, finalizou de primeira e colocou a Roma em vantagem.
Foi uma jogada que resumiu o comportamento dos donos da casa naquele momento. A equipe recuperava a bola, acelerava e atacava os espaços antes que a Inter pudesse reorganizar sua defesa.
O gol não fez a Roma recuar. Pelo contrário. A equipe continuou ocupando o campo ofensivo e dificultando a saída adversária. Molina incomodava pelo lado direito, enquanto Balerdi fazia um trabalho importante na marcação, acompanhando de perto Thuram e dificultando a participação de Zielinski.
A Inter praticamente não conseguia encontrar Lautaro. O argentino apareceu pouco durante a primeira etapa, não apenas por sua própria atuação, mas também porque a Roma fazia uma marcação bastante concentrada e impedia que a bola chegasse ao atacante em condições favoráveis.
Aos poucos, a Roma percebeu que poderia ampliar. Dybala e Malen tiveram oportunidades, mas não conseguiram concluir com precisão. Koné, entretanto, estava vivendo uma tarde especial.
Aos 37 minutos, o francês recebeu novamente em boa posição e marcou pela segunda vez. O lance chegou a ser anulado inicialmente por impedimento, mas a revisão do VAR confirmou o gol. Koné estava atrás da linha da bola no momento do passe e, portanto, em posição legal.
O 2 a 0 refletia o que acontecia no gramado. A Roma era mais intensa, mais agressiva e mais organizada. A Inter, por sua vez, parecia incapaz de repetir o comportamento que vinha apresentando em outros momentos da temporada.
A história mudou completamente depois do intervalo. A Inter voltou muito mais agressiva e encontrou seu primeiro gol praticamente no início da segunda etapa. Um erro de Mancini na saída de bola permitiu a combinação entre Lautaro e Thuram. O argentino recebeu novamente e finalizou para diminuir a vantagem da Roma.
O gol recolocou os nerazzurri na partida e mudou a postura dos jogadores. A equipe passou a pressionar mais alto e a ocupar com frequência o campo de ataque.
Gasperini tentou responder às dificuldades com mudanças. Mancini, que havia cometido o erro no lance do gol, foi substituído por Ndicka. Koné também deixou o campo depois de uma primeira etapa excelente, mas na qual já não apresentava a mesma influência.
A Inter continuou crescendo. Chivu também mexeu na equipe, retirando Dimarco e Jones para colocar Carlos Augusto e Sucic. Depois, Luis Henrique entrou no lugar de Bastoni, enquanto Carlos Augusto passou a atuar em uma posição mais recuada.
O empate veio aos 79 minutos, em uma sequência caótica dentro da área da Roma. Thuram cabeceou primeiro e obrigou Svilar a fazer uma defesa importante. Na sequência, Lautaro acertou o travessão. A bola permaneceu viva e, depois de mais uma disputa, Bisseck acabou entregando a bola ao próprio capitão.
Lautaro não desperdiçou. O argentino marcou seu segundo gol da tarde e completou a reação da Inter. O 2 a 2 transformou completamente o cenário de uma partida que, pouco mais de 45 minutos antes, parecia controlada pela Roma.
Nos minutos finais, os dois times ainda tiveram oportunidades para buscar a vitória. Malen recebeu uma grande chance e finalizou, mas a bola bateu no rosto de Martínez. Do outro lado, Diouf também tentou decidir, mas encontrou a defesa de Svilar.
A Inter terminou melhor e continuou pressionando, mas não conseguiu encontrar o terceiro gol. Depois de três minutos de acréscimos, o empate foi confirmado.
A Roma deixou escapar uma vantagem de dois gols. A Inter, por sua vez, mostrou novamente sua capacidade de reagir, mas também expôs um problema importante: não pode se dar ao luxo de jogar um primeiro tempo tão distante do nível que se espera de uma equipe que pretende disputar o título.
Análise: Roma perde a chance de vencer, e Inter mostra força para reagir
O empate deixa uma conclusão clara: Roma e Inter apresentaram duas versões completamente diferentes durante os 90 minutos. A Roma foi muito superior no primeiro tempo e merecia a vantagem de 2 a 0. A Inter cresceu depois do intervalo e também teve méritos suficientes para buscar o empate.
Para a equipe de Gasperini, o principal motivo de frustração está na maneira como a partida escapou. A Roma não apenas marcou duas vezes na primeira etapa. Ela controlou o jogo, neutralizou Lautaro, dificultou a participação de Thuram e impediu que a Inter encontrasse fluidez no meio-campo.
Koné foi o símbolo dessa superioridade. O francês atuou praticamente como um atacante em alguns momentos e apareceu dentro da área para marcar duas vezes. O primeiro gol nasceu de uma jogada construída desde a recuperação de Molina, enquanto o segundo mostrou sua capacidade de atacar o espaço e chegar à área no momento certo.
O problema foi que a Roma não conseguiu transportar essa intensidade para o segundo tempo. A Inter voltou com outra postura e encontrou um gol rapidamente. A falha de Mancini foi determinante, mas seria simplista colocar toda a reação dos visitantes em um erro individual. A equipe de Chivu passou a pressionar melhor, movimentou mais seus jogadores ofensivos e conseguiu levar a Roma para trás.
Lautaro também mostrou por que continua sendo uma das principais referências da Inter. Depois de passar praticamente despercebido na primeira etapa, o argentino apareceu no momento em que a equipe mais precisava. Foram dois gols, mas, além deles, houve uma mudança clara de comportamento. Lautaro passou a participar mais das jogadas e a ocupar melhor os espaços dentro da área.
Para Chivu, a reação é um ponto positivo, especialmente porque a Inter conseguiu transformar uma situação extremamente desfavorável em um empate fora de casa. Ao mesmo tempo, o primeiro tempo precisa servir de alerta. Sofrer dois gols e permitir que a Roma tenha tanto controle pode custar caro em uma disputa pelo título que promete ser apertada.
A tabela reforça essa sensação. Roma e Inter continuam com 13 pontos, mas a liderança não está isolada. Como e Lazio têm a possibilidade de alcançar os dois primeiros colocados, dependendo dos resultados da rodada. Isso significa que um jogo como o do Olímpico pode ter peso maior no futuro.
A Roma pode olhar para o empate como dois pontos perdidos. Estava vencendo por 2 a 0, jogava melhor e tinha controle do confronto. A Inter, por outro lado, pode considerar o resultado como um ponto conquistado depois de uma atuação muito ruim no primeiro tempo.
É justamente essa diferença de perspectiva que torna o empate difícil de interpretar. Para a Roma, fica a necessidade de aprender a matar partidas quando tem controle absoluto. Para a Inter, a prioridade é evitar que uma equipe com pretensões de título precise reagir constantemente depois de sair em desvantagem.
No Olímpico, ninguém conseguiu assumir definitivamente o comando da Serie A. A Roma teve a chance de abrir vantagem, a Inter teve força para buscar o empate e as duas terminaram com 13 pontos. O resultado, portanto, não encerra nenhuma discussão sobre o campeonato. Pelo contrário. Com Como e Lazio à espreita, a corrida pelo Scudetto começa a ganhar contornos ainda mais imprevisíveis.
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