A Inter chega a setembro com uma aura de expectativa. Depois de quatro temporadas em alto nível, o início do ciclo com Cristian Chivu no comando é acompanhado de dúvidas e cobrança. A derrota para a Juventus na Serie A expôs feridas da temporada passada e deixou o técnico romeno em uma posição delicada. E, para aumentar a pressão, o primeiro jogo da nova Champions League, nesta quarta-feira (17), contra o Ajax, já aparece como um divisor de águas: um resultado negativo pode ampliar questionamentos sobre o projeto técnico e sobre o rumo que a Inter vem tomando.
Chivu sucedeu Simone Inzaghi com a promessa de continuidade, não de revolução. Mas é justamente essa “continuidade” que vem sendo alvo de críticas. No pré-temporada, o treinador testou formações e peças novas, dando sinais de que poderia quebrar algumas rotinas e introduzir mudanças de médio prazo. No entanto, com a bola rolando oficialmente, voltou praticamente ao time-base herdado de Inzaghi.
Mercado aquém do esperado e reforços encostados
A Inter optou por manter seus principais nomes e fez um mercado contido. Isso significou menos recursos para contratações e menos oxigênio para Chivu montar uma equipe mais imprevisível. O técnico esperava, por exemplo, um meia mais criativo para a função de trequartista e um volante com mais poder de marcação, para dar equilíbrio a um meio-campo que já sente o peso da idade. No fim, o único reforço que chegou com status de titular foi Akanji, vindo para substituir Pavard, negociado com o Olympique de Marselha.
O restante das contratações ainda não engrenou. Luis Henrique, Sucic, Andy Diouf, Pio Esposito e Bonny somam poucos minutos juntos. Sucic até começou bem contra o Torino, com 90 minutos em campo, mas depois teve sua utilização reduzida a aparições pontuais. Diouf jogou apenas 11 minutos na estreia da Serie A e desapareceu. Luis Henrique teve só quatro minutos contra a Juventus, superado até pelo veterano Darmian na substituição de Dumfries. Entre os atacantes reservas, Bonny marcou um gol contra o Torino, mas soma só 56 minutos em três jogos, enquanto Pio Esposito, suspenso na primeira rodada, entrou apenas por 22 minutos.
O caso Frattesi e a necessidade de decisões fortes
Até Davide Frattesi, que esperava um protagonismo maior sob Chivu, vive momento frustrante. Recuperado de uma cirurgia de hérnia e mantendo boas atuações na seleção italiana, o ex-Sassuolo não jogou nenhum minuto nas três primeiras rodadas da Serie A. Em seu lugar, até mesmo Zielinski, que parecia um “sobrando” no elenco, foi utilizado. Para Frattesi e outros novos nomes, a sequência de jogos da Champions pode significar uma chance de ganhar espaço.
A Inter precisa de uma virada não apenas dentro de campo, mas também de postura. O clube já fez sentir sua presença no centro de treinamento depois do tropeço contra a Juventus. Mas cabe a Chivu dar o primeiro passo com escolhas firmes, mesmo que impopulares, para mostrar que a Inter tem uma nova liderança. Uma dessas decisões pode ser a troca no gol, já especulada nos bastidores, com Sommer dando lugar a Martinez após falhas no Allianz Stadium.
Hora de Chivu se impor na Inter
O duelo contra o Ajax, portanto, vale mais do que três pontos. É a chance de Chivu mostrar que é capaz de imprimir sua marca e revitalizar um grupo que, meses atrás, sonhava com um Triplete histórico. A diretoria garante apoio e afasta qualquer conversa sobre demissão, mas a paciência não será infinita.
Para se “apropriar” da Inter e conduzi-la de volta ao protagonismo, Chivu precisa transformar os reforços em peças úteis, reencontrar soluções táticas que deem novo fôlego ao elenco e reenergizar um vestiário que ainda parece preso ao ciclo anterior. O jogo de Amsterdã é o momento certo para sinalizar uma virada de rota e convencer torcida e elenco de que a nova era realmente começou.