Simone Inzaghi Inter
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Inzaghi já fez história na Inter, independente do resultado da final da Uefa Champions League!

PSG e Inter. Final de Champions. Jogo do tudo ou nada. No sábado, 31 de maio, quando o árbitro apitar pela última vez, vai ter um time sorrindo e outro chorando. Um técnico vai ser carregado nos ombros e o outro, inevitavelmente, vai ser colocado no banco dos réus, julgado pela imprensa, pelos torcedores e até por quem nunca viu um jogo na vida. Mas, olha… tem uma coisa que precisa ficar muito clara antes mesmo da bola rolar: Simone Inzaghi, independentemente do que acontecer nessa final, já escreveu seu nome na história da Inter. E isso, meu amigo, ninguém apaga.

A ilusão de que só o título importa

É óbvio que ganhar é importante. Futebol é competição, e o objetivo final sempre vai ser levantar taça. Só que é muito raso, pra não dizer injusto, reduzir o trabalho de um treinador a 90 minutos. E no futebol, quem acompanha sabe, um detalhe muda tudo. Uma bola na trave, um pênalti discutível, um escorregão na defesa… A linha entre glória e fracasso é muito, mas muito fina.

Por isso, não dá pra aceitar esse discurso simplista de que se ganhar a Champions é gênio, se perder é fracasso. É exatamente esse pensamento que atrasa o futebol, que impede as pessoas de enxergarem o quanto é difícil, complexo e brilhante o trabalho que Inzaghi fez — e está fazendo — na Inter.

A transformação da Inter de Inzaghi

Quem olha pra Inter hoje vê um time com cara, com identidade, com jogo. E, sejamos honestos, quando na história recente a Inter jogou um futebol tão agradável, tão bem organizado e ao mesmo tempo tão competitivo? Não é exagero dizer que essa versão da Inter encantou até quem não torce pro time.

O mérito disso é, sem dúvida, de Inzaghi. Um técnico que, desde que chegou, soube entender o clube, seus jogadores e o contexto. E mais: fez tudo isso sem entrar em polêmicas, sem arrumar confusão, sem apelar pra discursos vazios. O cara simplesmente trabalhou. Trabalhou muito.

Ele montou uma Inter moderna, que sabe jogar com e sem a bola, que ataca com muitos, defende como bloco e que, principalmente, joga um futebol coletivo de altíssimo nível. A Inter de Inzaghi não é refém de um craque que resolve tudo sozinho. É um time que funciona como uma engrenagem perfeita, onde cada peça sabe exatamente o que fazer.

O peso da cultura “resultadista”

O problema — e isso não é só na Itália, mas lá é ainda mais forte — é que existe uma cultura completamente obcecada por resultados imediatos. Ganhou? É gênio. Perdeu? Lixo. E isso é de uma miopia absurda. Porque, se a gente parar pra olhar além do placar, dá pra entender que Simone Inzaghi recolocou a Inter no topo do futebol europeu depois de anos em que o clube não passava de mero figurante fora da Itália.

Aliás, quem diria, há alguns anos, que a Inter voltaria a disputar duas finais de Champions em tão pouco tempo? Isso não é acaso. Isso não é sorte. Isso é trabalho. É projeto. É consistência.

Muito mais que títulos

Claro, no fim da carreira vão contar os títulos. Tá no currículo. Mas o legado vai muito além disso. Inzaghi conseguiu algo que, às vezes, é até mais difícil do que ganhar uma taça: ele reconectou o time com sua torcida. San Siro, lotado em todos os jogos, virou um caldeirão não só porque o time ganhava, mas porque o torcedor se via naquele time. Se identificava com a forma de jogar, com a entrega, com a proposta. Isso não tem preço.

E olha que não foi só com estrelas. Pelo contrário. Inzaghi fez veteranos desacreditados voltarem a jogar em altíssimo nível. Fez jogadores medianos se transformarem em peças fundamentais de um sistema que roda como uma orquestra. E ainda valorizou jovens, extraiu o máximo de caras que em outros contextos eram tratados como “comuns”.

A consagração já veio

Se a Inter ganhar a final, será a cereja do bolo, claro. Mas se perder, não apaga absolutamente nada do que foi construído. Porque o que Inzaghi fez já é grandioso. Já é histórico.

E, sinceramente, é até irônico que um técnico que por tanto tempo foi olhado meio de lado, tido como aquele que “só sabia ganhar copas”, que não servia pra grandes desafios, hoje esteja sendo reverenciado na Europa inteira. Talvez mais lá fora do que na própria Itália, que, como sempre, demora pra reconhecer seus próprios talentos.

A história tá escrita

No fim das contas, pouco importa se no sábado o troféu vai pra Milão ou pra Paris. Porque o futebol que a Inter jogou nessa temporada, a caminhada até aqui, o respeito reconquistado no cenário europeu, tudo isso já colocou Simone Inzaghi no panteão dos maiores treinadores da história do clube.

O que vier agora é bônus. E que fique a lição: futebol não é só ganhar ou perder. Futebol também é sobre construir, transformar e deixar um legado. E isso, meu amigo, Inzaghi já fez. Com louvor.