O Irã chega a sua sétima Copa do Mundo na história com o peso de inúmeras controvérsias que rondam o conflito geopolítico do país asiático com os anfitriões Estados Unidos.
Após a participação dos Leões-Persas ser colocada em cheque por questões de segurança, a equipe treinada por Amir Ghalenoei ainda está envolvida em polêmicas envolvendo a convocação dos jogadores e burocracias envolvendo o visto americano mesmo após a confirmação de sua presença no torneio.
Uma das principais manchetes além dos empecilhos envolvendo a guerra do país com Israel e Estados Unidos, é a não-convocação de Sardar Azmoun. Um dos principais protagonistas da seleção ao lado de Mehdi Taremi ficou de fora da lista após ser considerado um “traidor” por ter publicado uma foto onde cumprimentava Mohammed bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, país onde atua, vestindo a camisa do Ahli Al-Shabab.
Vale destacar que os EAU possuem laços estreitos com os Estados Unidos e Israel, o que é visto como motivo para a “traição” de Azmoun, que deve sofrer punições ainda maiores por conta do episódio, como a retirada de seus bens do Irã.
Apesar da situação extracampo ser bastante delicada, o time iraniano teve tranquilidade para conseguir a classificação nas eliminatórias e chega no continente norte-americano com a esperança de ir para a fase de mata-mata pela primeira vez em sua história em um grupo que pode ser visto como “viável”.
Se a Bélgica é a favorita para o topo do Grupo G, os embates contra Nova Zelândia e Egito aumentam a esperança da Seleção Iraniana de superar o “grupo da morte” em 2018 e a quase classificação em 2022.
Como joga o Irã
A Seleção Iraniana geralmente atua na formação 4-2-3-1, com dois volantes, dois pontas, um meia centralizado e um atacante de referência.
A principal característica que define a forma de jogar da equipe de Amir Ghalenoei é a presença de Mehdi Taremi como camisa 10, geralmente atuando atrás de um atacante mais avançado.
Principal destaque da equipe, Taremi teve números fantásticos nas Eliminatórias da AFC justamente atuando como uma espécie de “pivô” no meio-campo, sendo o cérebro do time. Além dos 10 gols, o atacante do Olympiakos também contribuiu com 6 assistências.
Taremi se sobressai nesta função por conta do estilo de jogo do Irã, muito dependente de ligações diretas. Com boa técnica, o atacante consegue segurar a bola no ataque e acionar os pontas, se juntando ao centroavante mais avançado para tentar ser uma opção em cruzamentos na grande área.
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Com a ausência de Azmoun, Amirhossein Hosseinzadeh, de 25 anos, e Dennis Eckert, de 29, disputam o posto de camisa 9 da equipe. Em uma formação alternativa, Ghalenoi pode optar por utilizar Taremi como atacante de referência, resultando em um meio-campo mais “encorpado” e sem um meia de criatividade, o que pode ser útil no duelo diante da Bélgica.
A maior incógnita envolvendo os Leões-Persas é o setor defensivo. Nas últimas Copas, com Carlos Queiroz no comando, o Irã adotava uma postura extremamente defensiva, geralmente chegando a atuar com um 6-3-1 quando não tinha a posse da bola, recuando os pontas e congestionando a grande área com quatro defensores.
Porém, devido à baixa competitividade das eliminatórias asiáticas e uma postura bastante ofensiva da equipe na Copa da Ásia (chegando a dominar o Japão nas quartas-de-final), é de se esperar que os resquícios de “retranca” dos trabalhos anteriores não sejam replicados em 2026, principalmente com a equipe de Ghalenoi diante de um grupo bastante acessível.
No geral, é importante destacar a baixa competitividade dos atletas do elenco iraniano fora da seleção, o que pode também implicar em questões físicas. Dentre os 26 convocados, apenas três atuam no futebol europeu: Mehdi Taremi (Olympiacos, da Grécia), Dennis Eckert (Standard Líege, da Bélgica) e Alireza Jahanbakhsh (Dender, da Bélgica); cinco atuam nos Emirados Árabes Unidos, um na Rússia e o restante atua no futebol iraniano.
Principais jogadores
A estrela do Irã é sem dúvidas Mehdi Taremi. Artilheiro da seleção na última Copa com dois gols marcados, o atacante que fez sucesso vestindo a camisa do Porto entre 2020 e 2024 chega no torneio vivendo boa fase com a camisa do Olympiacos.
Ele pode até ser conhecido por ser um atacante que só “empurra” a bola para o fundo da rede, mas ao longo dos anos, Taremi se desenvolveu em um atleta bastante versátil, de mobilidade, capaz de se sair bem com a bola no pé.
Desde os tempos de Porto, destaca-se sua capacidade de envolver o restante da equipe no jogo, sempre com um número bastante elevado de assistências. O fator determinante para seu desempenho na Copa de 2026 será a ajuda que o time persa pode oferecer.
Entre outros destaques da equipe, estão Alireza Jahanbakhsh e Mohammad Mohebi – ponta direita e ponta esquerda, respectivamente.
Alireza é um nome conhecido no futebol europeu, tendo passagens por Feyenoord e Brighton. Trata-se um ponta que se beneficia mais do jogo associativo, não tendo a velocidade como característica.
Já Mohebi foi um dos destaques do Irã no ciclo para a Copa. O ponta que joga no futebol russo já é justamente o oposto de Alireza: muito veloz, com boa capacidade de drible.
Outros dois nomes que correm por fora são Mehdi Ghayed, ponta esquerda, e Dennis Eckert, centroavante. Ghayed surgiu como uma das maiores promessas do futebol iraniano, hoje atuando no Al-Nasr, dos Emirados Árabes Unidos. Trata-se de um driblador de muita velocidade e que acumula golaços com a seleção iraniana.
Já Eckert é o famoso centroavante de referência – nascido na Alemanha, ele conseguiu nacionalidade iraniana em março deste ano, ainda não entrou em campo pelos Leões-Persas por questões burocráticas. Apesar das características de “artilheiro”, Eckert vive péssima fase no futebol belga, marcando apenas 3 gols em 27 jogos pelo Standard Liége.
Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

Apesar da classificação tranquila nas eliminatórias asiáticas, o time de Amir Ghalenoei esteve longe de apresentar um futebol convincente. Tentando buscar uma identidade após a saída de Carlos Queiroz, Ghalenoei foi bastante criticado por utilizar jogadores de confiança, de preferência atuando no futebol iraniano.
Isso foi visto como um problema já que os jogadores que atuam no mercado doméstico ficaram sem jogar por seus clubes por meses em razão do conflito que assola o país. A ausência de atletas mais jovens também foi criticada.
O maior problema foi de fato dentro de campo – nas eliminatórias, a equipe persa teve dificuldades em vencer equipes como a Coréia do Norte e o Quirguistão. Em quatro duelos com o Uzbequistão, também classificado para a Copa, o time iraniano não venceu nenhum.
Em questão de resultados, o Irã cumpriu o que era previsto, além de ter surpreendido ao chegar nas semifinais da Copa da Ásia. Entretanto, além das críticas a Amir Ghalenoi, existe a questão de segurança e geopolítica que tornou o ciclo bastante delicado. A ausência de Azmoun por motivos políticos apenas justifica este ponto.
Onde pode chegar
Apesar de diversos poréns, o Irã tem provavelmente um dos grupos mais acessíveis de sua história em Copas do Mundo. Favorito diante da Nova Zelândia e bem equiparado com o Egito de Mohamed Salah, o time persa visa o segundo lugar para conseguir sua primeira classificação para a fase de mata-mata na história.
O duelo contra a Bélgica, claro, será o mais complicado. Contra uma equipe com um meio-campo tão técnico, o Irã encontrará muita dificuldade em se defender.
Caso a classificação ocorra, a fase de 16-avos deve ser o limite para os persas. Além da questão física que envolve uma baixa preparação durante o ciclo, existe principalmente a questão mental.
O Irã irá disputar um torneio no território do país em que se encontra em guerra, e devido ao alento midiático existente envolvendo figuras políticas nos Estados Unidos, o futebol não será a única questão que os 26 convocados dos Leões-Persas terão que lidar.
Os jogos do Irã na Copa do Mundo
15/6 – 22h: Irã x Nova Zelândia (SoFi Stadium – Los Angeles)
21/6 – 16h: Irã x Bélgica (SoFi Stadium – Los Angeles)
26/6 – 00h: Irã x Egito (Lumen Field – Seattle)
Foto principal: Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images