Irã e Nova Zelândia protagonizaram um empate emocionante em Los Angeles, no SoFi Stadium, no confronto válido pela rodada inaugural da Copa do Mundo de 2026. De peito aberto, as duas equipes buscaram a vitória no Grupo G, que também conta com Bélgica e Egito.
Apesar do resultado negativo para ambos, Irã e Nova Zelândia apresentaram algumas virtudes que podem ser aproveitadas contra adversários mais fortes deste Mundial. Ao mesmo tempo, o jogo também mostrou algumas fragilidades que podem ser exploradas por belgas e egípcios nas próximas rodadas.
O duelo foi marcado por alternativas, intensidade e momentos de bom futebol ofensivo. Porém, também deixou claro que as duas seleções precisarão evoluir rapidamente se quiserem sonhar com uma vaga na próxima fase da Copa do Mundo.
Irã decepciona e mostra fragilidades no meio-campo
Antes da bola rolar, o Irã era considerado favorito. A expectativa vinha principalmente pelo fato de a Nova Zelândia ser a pior colocada do ranking da Fifa entre as 48 participantes do Mundial. A equipe asiática chegava com mais experiência em Copas e jogadores tecnicamente superiores.
Ao longo dos 90 minutos, entretanto, o Irã não conseguiu evidenciar essa superioridade. A principal razão está no funcionamento do meio-campo. Defensivamente, a equipe não conseguiu encaixar a marcação, dando liberdade para os neozelandeses trocarem passes e finalizarem de média e curta distância.
Esse é um problema importante para o técnico Amir Ghalenoei solucionar. Na escalação inicial, o Irã foi a campo em um 5-3-2. Mesmo com a mudança no intervalo para um 4-4-2, os iranianos continuaram sem conseguir controlar o setor central do campo.
Contra adversários mais fortes, o Irã terá que saber proteger melhor sua área e, em muitos momentos, atuar com o bloco mais baixo. Isso não aconteceu diante da Nova Zelândia. Faltou intensidade na marcação, organização defensiva e melhores encaixes individuais.
No setor ofensivo, a dificuldade também apareceu. Para uma equipe que precisava se impor tecnicamente, houve pouca troca de passes por dentro e pouca participação dos jogadores criativos. Nesse cenário, o atacante Medhi Taremi acabou sendo pouco aproveitado.
Caso precise propor o jogo contra Bélgica ou Egito, será necessário encontrar alternativas para construir jogadas. Apostar apenas em bolas longas e transições rápidas pode limitar o potencial ofensivo iraniano.
Ramin Rezaeian é uma arma ofensiva a ser mais explorada
Provavelmente, diante de Bélgica e Egito, o Irã terá uma postura mais cautelosa. A tendência é que a equipe tente fechar espaços e apostar nos contra-ataques. Nesse cenário, as jogadas pelos lados do campo podem ser uma alternativa importante.
Pela direita, Ramin Rezaeian aparece como uma das melhores notícias. O ala mostrou velocidade, força física e qualidade técnica para participar das principais jogadas ofensivas da equipe.
No primeiro gol contra a Nova Zelândia, Rezaeian participou da construção desde o campo defensivo e apareceu no ataque para finalizar com categoria. Depois, no segundo tempo, acertou um cruzamento preciso para Mohebi marcar.
Pensando nos próximos compromissos, Ali Alipour também entrou bem e mostrou velocidade. O técnico iraniano pode apostar em jogadores mais leves para complementar a força e a experiência de Taremi no ataque.
Nova Zelândia é corajosa, mas extremamente imatura
Em busca da primeira vitória de sua história em Copas do Mundo, a Nova Zelândia deixou escapar uma grande oportunidade. A seleção da Oceania esteve à frente do placar duas vezes, mas não soube administrar a vantagem.
Em vez de fechar os espaços, recuar as linhas e apostar no contra-ataque, os “All Whites” mantiveram uma postura agressiva, subindo seus jogadores e cedendo espaços para o Irã.
Esse comportamento pode ser perigoso contra adversários mais qualificados. Caso repita esse cenário diante de Bélgica e Egito, a Nova Zelândia tende a sofrer mais gols e encontrar dificuldades para controlar as partidas.
O sistema defensivo neozelandês apresentou limitações. Nas Eliminatórias da Oceania, contra adversários de menor nível técnico, esses problemas talvez não tenham ficado tão evidentes. Porém, diante do Irã, foi possível perceber dificuldades para defender cruzamentos e alguns erros básicos de posicionamento.
A coragem da equipe é uma virtude, mas será necessário encontrar equilíbrio entre atacar e proteger a própria defesa.
Wood e Just são as esperanças da Nova Zelândia
Com a natural dificuldade para sair jogando com passes curtos contra seleções mais fortes, o lançamento direto ao ataque surge como uma alternativa para a Nova Zelândia. Nesse aspecto, Chris Wood mostrou ser um atacante diferente dentro do elenco.
O centroavante tem capacidade técnica para proteger a bola, ganhar disputas físicas e esperar a aproximação dos companheiros. Em diversos momentos contra o Irã, ele conseguiu fazer esse papel e criar oportunidades para a equipe.
A conexão com Michael Just foi outro ponto positivo. Os dois gols neozelandeses nasceram justamente desse tipo de jogada, com Wood participando da construção e Just aparecendo em posição favorável para finalizar.
Essa parceria pode ser fundamental para a Nova Zelândia tentar escapar da pressão de rivais mais fortes e buscar algumas escapadas ofensivas ao longo da competição.
Para avançar na Copa do Mundo de 2026, a Nova Zelândia terá que continuar surpreendendo. A boa troca de passes apresentada contra o Irã pode não se repetir diante de equipes mais organizadas e talentosas.
Ainda assim, a seleção mostrou personalidade. O empate deixa claro que, apesar das limitações, os neozelandeses têm capacidade de competir e podem complicar a vida dos favoritos do Grupo G.
Foto: Reprodução/Fifa