Maldini e Leonardo - Itália
Futebol

Por que a Itália aposta em Leonardo e Paolo Maldini para superar crise histórica

A Itália decidiu apostar em dois nomes de enorme peso para tentar mudar os rumos do futebol do país. Paolo Maldini foi escolhido como novo diretor de seleções da FIGC, enquanto Leonardo Nascimento de Araújo assumirá a função de consultor da federação. Juntos, eles terão participação importante na reestruturação da Azzurra e chegam com a missão de recolocar uma das seleções mais tradicionais do mundo no caminho das grandes conquistas.

O desafio não poderia ser maior. A tetracampeã mundial atravessa uma das fases mais complicadas de sua história recente e ficou fora das últimas três edições da Copa do Mundo, incluindo a de 2026. Neste cenário, a federação italiana aposta na experiência dos dois ex-dirigentes, mas também na relação construída ao longo de décadas, acreditando que a parceria poderá ser um diferencial em um projeto pensado para os próximos anos.

Itália aposta na parceria entre Maldini e Leonardo

Além do peso que carregam no futebol mundial, Paolo Maldini e Leonardo possuem uma relação de longa data. Amigos desde os tempos de Milan, os dois voltam a trabalhar juntos justamente em um momento decisivo para o futebol italiano.

Segundo a própria FIGC, Maldini será o responsável por comandar o setor técnico da federação, acompanhando não apenas a seleção principal, mas também as categorias de base. Leonardo, por sua vez, chega como consultor e trabalhará diretamente ao lado do ex-zagueiro durante esse processo de reconstrução.

A parceria entre ambos não é novidade. Os dois dividiram o dia a dia do Milan quando exerceram funções de direção no clube e agora terão uma responsabilidade ainda maior. Entre as primeiras tarefas da dupla estará a escolha do novo treinador da seleção italiana, cargo que está vago desde a saída de Gennaro Gattuso.

A experiência acumulada pelos dois dirigentes também ajuda a explicar a escolha da federação. Considerado um dos maiores ídolos da história do Milan e da seleção italiana, Maldini atuou como diretor do clube entre 2018 e 2023, período em que participou diretamente da gestão esportiva da equipe.

Leonardo, por outro lado, construiu uma trajetória bastante diversificada depois de encerrar a carreira como jogador. O brasileiro iniciou sua caminhada como dirigente justamente no Milan, onde trabalhou ao lado de Adriano Galliani e participou de importantes negociações nos bastidores, incluindo operações envolvendo Kaká e Thiago Silva.

Posteriormente, o brasileiro também acumulou experiências na Inter de Milão, no Antalyaspor e principalmente no Paris Saint-Germain. No clube francês, participou da montagem de elencos repletos de estrelas, sendo responsável por negociações de jogadores como Zlatan Ibrahimović, Thiago Silva, Edinson Cavani, Marco Verratti, Javier Pastore, Mauro Icardi, Achraf Hakimi e Gianluigi Donnarumma. Além disso, também conduziu a chegada de Lionel Messi ao futebol francês e participou da renovação contratual de Kylian Mbappé antes de deixar o PSG.

Missão será tirar a Itália de uma crise histórica

A expectativa criada em torno da chegada de Maldini e Leonardo está diretamente ligada ao momento vivido pela seleção italiana. Afinal, poucas equipes sofreram uma queda tão grande nos últimos anos quanto a Azzurra.

Mesmo sendo uma das maiores campeãs da história do futebol mundial, a Itália não conseguiu disputar as Copas do Mundo de 2018, 2022 e 2026. A sequência negativa representa um cenário extremamente incomum para uma seleção tetracampeã e aumentou a pressão por mudanças profundas dentro da federação.

Foi justamente pensando nesse processo que o presidente da FIGC, Giovanni Malagò, escolheu Maldini para liderar a área técnica e aceitou a sugestão do ex-zagueiro de contar com Leonardo como consultor. A ideia é dividir responsabilidades em um trabalho considerado amplo e de longo prazo, com planejamento voltado para o próximo ciclo de competições internacionais.

Neste cenário, a missão da dupla vai muito além da escolha do novo treinador. O objetivo passa por reorganizar o setor técnico da federação, fortalecer o desenvolvimento das seleções italianas e criar condições para que a Azzurra volte a disputar títulos importantes.

A expectativa é que esse projeto acompanhe a seleção até a Copa do Mundo de 2030, passando também pela próxima Eurocopa. Até lá, Maldini e Leonardo terão pela frente o desafio de recuperar a confiança de um país acostumado a disputar as maiores competições do futebol mundial, mas que nos últimos anos passou a conviver com resultados decepcionantes e ausências históricas.

Com carreiras marcadas por experiências importantes dentro e fora de campo, os dois agora assumem talvez o maior desafio de suas trajetórias como dirigentes. Em meio a uma das maiores crises da história da seleção italiana, a federação acredita que a combinação entre experiência, conhecimento e uma parceria construída ao longo de décadas poderá ser o primeiro passo para recolocar a Itália entre as grandes forças do futebol internacional.